Na TV, líder supremo do Irã aparentemente rejeita "mão estendida" de Obama
da Folha Online
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertou os países ocidentais nesta segunda-feira que qualquer interferência aos assuntos iranianos receberá respostas severas. Ele fez a declaração à televisão estatal iraniana, afirmando que as eleições presidenciais do país, contestadas pela oposição, são um assunto interno que não interessa aos outros países, especialmente aos Estados Unidos, e aparentemente rejeitou as ofertas de aproximação feitas pelo presidente americano Barack Obama.
Conheça os indícios da suposta fraude na eleição
Líder supremo está acima do presidente; entenda
Golpe e revolução marcam o último século no Irã
Correntes alternam-se na Presidência desde 1979
"Os iranianos irão se unir contra os inimigos em um só punho", declarou Khamenei à estatal, em uma possível referência à proposta de diálogo feita pelo presidente americano uma semana após a posse, em janeiro. Em sua primeira entrevista a um canal árabe, Obama disse que os EUA estavam dispostos a "estender a mão" ao Irã, desde que o país estivesse disposto a "descerrar o punho".
Segundo analistas internacionais, as ameaças do líder iraniano foram direcionadas à reunião dos oito países mais industrializados do mundo (G8) e Rússia, que será realizada esta semana em Roma. Khamenei considera que os países participantes da reunião são os principais responsáveis pelos protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Mousavi
O líder da oposição e candidato derrotado nas eleições presidências do Irã Mir Hossein Mousavi reapareceu publicamente nesta segunda-feira, segundo um site iraniano pró-oposição. Em discurso público, pela primeira vez desde a última segunda-feira, ele pediu que seus apoiadores continuassem sua campanha contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad, reeleito em 12 de junho, segundo os resultados oficiais.
As declarações de Mousavi são vistas como uma tentativa de sobrevivência às prisões em massa realizadas contra opositores do regime. Autoridades iranianas confirmam 1.000 prisões de manifestantes, políticos e jornalistas. Muitos líderes governistas já pediram a prisão de Mousavi, porém ele permanece em liberdade.
Eleições contestadas
O resultado da eleição, divulgado no último dia 13 de junho, deu início aos maiores protestos de rua em Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
O moderado ex-primeiro-ministro Mousavi e os outros dois candidatos derrotados na eleição presidencial --Mehdi Karubi e Mohsen Rezai-- submeteram um total de 646 queixas contra o resultado do pleito. O conservador Rezai as retirou depois que o líder supremo do país endossou a vitória de Ahmadinejad e ordenou o fim dos protestos.
No dia seguinte à declaração de Khamenei, feita durante um sermão na universidade de Teerã, houve uma grande repressão aos protestos, com violência nas ruas e prisões feitas durante as manifestações e à noite, a casa de pessoas selecionadas pelo governo. No total, 17 pessoas morreram nos vários dias protestos, de acordo com dados oficiais.
A reação do governo, que incluiu forte censura à internet, conseguiu reduzir o volume dos protestos, e o Conselho de Guardiães disse que a maioria das denúncias apresentadas não foi considerada irregularidade de eleição.
Muitas denúncias foram descartadas após a realização de "estudos precisos e profundos" sobre o processo eleitoral, embora o órgão tenha admitido que em 50 cidades houve mais votos que eleitores --o que poderia ter afetado 3 milhões de votos, número menor que a vantagem de Ahmadinejad para vencer no primeiro turno.
Após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos, o Conselho confirmou, na última segunda-feira, os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente.
Leia mais notícias sobre a eleição iraniana
- Para Simon Schama, eleições no Irã representam "o começo do fim"
- Grupo de clérigos desafia líder supremo e diz que eleição do Irã é ilegítima
- Aliado do líder supremo iraniano pede prisão de líder da oposição
Outras notícias internacionais
- Presidente do Paquistão defende diminuição de poder da Presidência
- McNamara liderou Pentágono na guerra e combateu pobreza; veja cronologia
- Jardineiro encontra carteira roubada há 27 anos em NY
Especial

