Ministro da Economia da Argentina renuncia; chefe de gabinete também deixa governo
da Folha Online
Nove dias depois da derrota dos governistas na eleição parlamentar parcial argentina, o ministro da Economia, Carlos Fernández, renunciou nesta terça-feira ao cargo, assim como o chefe de gabinete, Sergio Massa, em mais um sinal de que as mudanças no governo de Cristina Kirchner podem ser profundas, depois que o governo perdeu a maioria no Congresso nas eleições do último dia 28.
No dia seguinte à derrota, a ministra da Saúde do país, Graciela Ocaña, havia renunciado, em meio a sinais de divergência no governo em relação à forma de combate à gripe suína --A H1N1. Na última quarta-feira, renunciou o secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.
O novo ministro da economia será o atual titular da Previdência, Amando Boudou, enquanto Aníbal Fernández ocupará o cargo de chefe de gabinete da Presidência, informou o porta-voz oficial Alfredo Coccimaro.
Segundo fontes oficiais, essas são as duas principais mudanças dentro de uma remodelação mais ampla no governo de Cristina.
O jornal argentino "El Clarín" avalia que a mudança do comando da economia não deve ter o impacto de alterações semelhantes no passado porque grande parte do comando dessa área está, na prática, nas mãos do marido da presidente, o ex-presidente Néstor Kirchner.
O resultado da eleição foi visto como uma dura derrota do casal Kirchner, que promovera a eleição parlamentar como um plebiscito sobre a gestão de Cristina. O próprio Néstor era o cabeça da lista de candidatos governistas em Buenos Aires, que ficou em segundo lugar, atrás da lista do principal candidato da oposição, Francisco De Narváez.
O tropeço pode deixar Kirchner, um político que governou a Argentina com um estilo áspero e confrontador entre 2003 e 2007, fora da corrida para as eleições presidenciais de 2011. O ex-mandatário, considerado por muitos quem ostenta o real poder no governo de sua mulher, reconheceu a derrota com um pouco usual tom conciliador e disse que o país tem um novo marco político.
Um dia depois da eleição, ele deixou a liderança do Partido Justicialista (peronista), sendo substituído pelo governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli.
Com agências internacionais
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