Presidente interino de Honduras diz que dialogará com Zelaya, mas não "negociará nada"
da Folha Online
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta terça-feira que não vai "negociar nada", apenas "dialogará", em sua viagem à Costa Rica, aonde chegará nesta quinta-feira para conversar sobre a crise política no país com o presidente deposto Manuel Zelaya, sob mediação do presidente costa-riquenho, Óscar Arias.
Entenda a crise política existente em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe
Sobre o processo de mediação liderado por Arias, vencedor do Nobel da Paz de 1987 por seu papel na pacificação de guerras civis centro-americanas, o presidente interino afirmou que entrou em contato com o colega, a quem disse que os hondurenhos estão "prontos para qualquer diálogo" e que viajará ao seu encontro na companhia de representantes da sociedade de Honduras.
Arias foi aceito pelos dois lados para mediar as negociações sobre a crise iniciada com a deposição de Zelaya no último dia 28 e a ascensão ao poder de Micheletti, apoiado pela Justiça e pelo Congresso, mas isolado internacionalmente. Em Washington, após se reunir com Zelaya, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou a credibilidade de Arias.
"Ele é a pessoa natural para assumir este papel", disse Hillary, que apelou para que todas as partes se abstenham de usar mais violência, em um esforço para resolver a crise política.
Micheletti também declarou que tem "o maior interesse em que haja espaço e tranquilidade" no país. "Essa é a intenção de nos sentarmos para negociar", acrescentou. No entanto, o novo presidente disse: "Não vamos negociar nada, vamos dialogar".
Ele acrescentou que o seu governo respeita as leis e a Constituição, e frisou: "Se há alguma situação em que cometemos erros, vamos retificá-la".
"Temos claro que tudo o que foi feito aqui [a destituição de Zelaya pelos militares] se enquadra na lei e na Constituição da República", destacou Micheletti.
Micheletti ressaltou que ele é "claro e contundente", e que se o presidente deposto quer voltar ao país, "que se apresente primeiro aos tribunais de Justiça".
Mais cedo, um porta-voz da Suprema Corte havia falado que o presidente deposto, acusado de vários crimes --como descumprimento da Constituição e não implementação de leis aprovadas-- poderia receber uma anistia.
Hillary
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que sua reunião com Zelaya nesta terça-feira foi produtiva. "Eu reiterei a ele que os Estados Unidos apoiam a restauração ordem constitucional democrática, em Honduras", disse ela.
Ela pediu ao presidente deposto que negocie ao invés de tentar forçar o caminho de volta a seu país.
Zelaya tentou pousar em Tegucigalpa no último domingo (5) em um voo que partiu de Washington, mas conflitos entre seus partidários e as tropas do governo no aeroporto forçaram-o a cancelar seu plano.
Duas pessoas morreram enquanto esperavam o retorno de Zelaya. O governo interino nega as acusações de ser responsável pelos tiros que causaram as mortes e culpa manifestantes.
Em uma operação acompanhada de perto pela comunidade internacional, o Exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto de Toncontin com caminhões para impedir o pouso do avião Falcon, de propriedade da Venezuela, que levava Zelaya.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder no último dia 28 em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: 'se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Leia mais notícias sobre Honduras
- Apesar de políticas antiamericanas, EUA apoiam presidente deposto de Honduras, diz Obama
- Presidente interino de Honduras e Zelaia se reunirão na Costa Rica, diz mediador
- Governo interino de Honduras e Zelaya aceitam presidente da Costa Rica como mediador
- Interpol nega pedido de prisão preventiva do presidente deposto de Honduras
- Presidente deposto de Honduras chega a Washington para reunião com Hillary Clinton
Outras notícias internacionais
- Secretário-geral da ONU saúda redução de arsenais de EUA e Rússia
- Presidente chinês desiste de cúpula do G8 e deixa Itália após conflito étnico
- OMS vai recomendar restrição de exames em países com muitos casos de gripe suína
- Presidente do Irã volta a acusar Ocidente de interferir no país
Especial
Livraria


