Polícia chinesa ocupa ruas de Xinjiang para evitar novos confrontos
da Folha Online
A China lotou as ruas de Urumqi, capital da Província de Xinjiang (noroeste), com forças de segurança nesta quarta-feira para evitar novos confrontos étnicos e distúrbios como os que causaram a morte de 156 pessoas no domingo passado (5). Helicópteros do governo sobrevoaram a região e lançaram panfletos pedindo calma à população, embora a agência de notícias oficial Xinhua tenha relatado "confrontos esporádicos".
Leia cronologia dos conflitos com uigures no oeste da China
Saiba mais sobre os conflitos com muçulmanos na China
A cidade de Urumqi, palco de três dias de violência entre chineses da maioria han e da minoria muçulmana uigur, despertou nesta quarta-feira em clima de tensão, após uma noite em que foi declarado toque de recolher e que teve minuciosa patrulha do Exército nas ruas.
| Nir Elias/Reuters | ||
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| Garoto corre perto de carro capotado nos arrredores de um bairoo uigur em Urumqi, na Província de Xinjiang |
Durante as 11 horas de proibição de civis nas ruas (21h às 8h), foi possível escutar as patrulhas em formação, correndo e cantando marchas militares, relata a agência de notícias Efe.
Helicópteros do Exército de Libertação Popular (ELP) da China sobrevoam a cidade atingida pelos protestos, que nesta terça-feira provocaram grandes danos no bairro uigur, arrasado pelos enfurecidos chineses da etnia han.
Os comércios do bairro, no centro da cidade, amanheceram com vidros quebrados, instalações destruídas, e seus habitantes uigures dominados pelo pânico, embora alguns deles hoje tenham se atrevido a sair à rua e a falar com jornalistas.
"Os distúrbios de domingo estavam orquestrados", assegurou um dos moradores uigures do bairro, que declarou que sua etnia sempre viveu "pacificamente" na capital Urumqi e "não tem nada contra os chineses han".
Protesto
A agência de notícias France Presse relata que centenas de uigures, com armas improvisadas, protestaram nesta quarta-feira em um bairro muçulmano de Urumqi contra a polícia.
Os uigures se reuniram para protestar contra a violência desta terça-feira dos hans contra membros de sua comunidade. O número de manifestantes aumentou quando helicópteros lançaram panfletos sobre o bairro que afirmam que Rebiya Kadeer, líder dos exilados uigures nos Estados Unidos, estimulou a violência de domingo.
Os manifestantes estavam armados com facas, tubos de metal e pedras.
Censura
Apesar das diferenças, uigures e hans concordam que o número de mortos em 5 de julho é muito superior ao divulgado pelo governo.
A agência Efe relata que as autoridades chinesas tentam limitar o trabalho da imprensa estrangeira, com detenções rápidas e revistando materiais. A coerção foi acompanhada por um grande bloqueio de informação. Desde a madrugada de hoje, a agência oficial Xinhua deixou de informar sobre o conflito étnico, e também não aparecem mais imagens de enfrentamentos na TV estatal.
Vários sites e blogs estrangeiros estão bloqueados em todo o país ou têm seu acesso limitado. O popular Facebook segue inacessível, da mesma forma que anteriormente foi feito com o YouTube e o Twitter.
Presidente
O presidente da China, Hu Jintao, chegou nesta quarta-feira a Pequim para fazer frente à crise na região de Xinjiang.
O avião presidencial aterrissou no aeroporto de Pequim procedente de Roma. O presidente da China teve que interromper de forma repentina a viagem que fazia por Itália e Portugal devido à crise em seu país, como informa a agência de notícias oficial Xinhua.
Perante a ausência de Hu, o conselheiro de Estado chinês Dai Bingguo será o encarregado de representar a China na Cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos e a Rússia), que começa nesta quarta-feira na cidade italiana de Áquila.
Tanto Hu como outros oito membros do Comitê Permanente do Partido Comunista da China (PCCh), o mais poderoso órgão de poder no país asiático, mantiveram silêncio sobre o conflito étnico em Urumqi.
Histórico
No domingo passado (5), a repressão dos protestos de uigures resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi.
Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.
A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.
O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios. Eles acusam uma empresária uigur, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.
Com Efe, France Presse e Associated Press
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