Mundo
08/07/2009 - 07h53

Polícia chinesa ocupa ruas de Xinjiang para evitar novos confrontos

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da Folha Online

A China lotou as ruas de Urumqi, capital da Província de Xinjiang (noroeste), com forças de segurança nesta quarta-feira para evitar novos confrontos étnicos e distúrbios como os que causaram a morte de 156 pessoas no domingo passado (5). Helicópteros do governo sobrevoaram a região e lançaram panfletos pedindo calma à população, embora a agência de notícias oficial Xinhua tenha relatado "confrontos esporádicos".

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A cidade de Urumqi, palco de três dias de violência entre chineses da maioria han e da minoria muçulmana uigur, despertou nesta quarta-feira em clima de tensão, após uma noite em que foi declarado toque de recolher e que teve minuciosa patrulha do Exército nas ruas.

Nir Elias/Reuters
Garoto corre perto de carro capotado nos arrredores de um bairoo uigur em Urumqi, na Província de Xinjiang
Garoto corre perto de carro capotado nos arrredores de um bairoo uigur em Urumqi, na Província de Xinjiang

Durante as 11 horas de proibição de civis nas ruas (21h às 8h), foi possível escutar as patrulhas em formação, correndo e cantando marchas militares, relata a agência de notícias Efe.

Helicópteros do Exército de Libertação Popular (ELP) da China sobrevoam a cidade atingida pelos protestos, que nesta terça-feira provocaram grandes danos no bairro uigur, arrasado pelos enfurecidos chineses da etnia han.

Os comércios do bairro, no centro da cidade, amanheceram com vidros quebrados, instalações destruídas, e seus habitantes uigures dominados pelo pânico, embora alguns deles hoje tenham se atrevido a sair à rua e a falar com jornalistas.

"Os distúrbios de domingo estavam orquestrados", assegurou um dos moradores uigures do bairro, que declarou que sua etnia sempre viveu "pacificamente" na capital Urumqi e "não tem nada contra os chineses han".

Protesto

A agência de notícias France Presse relata que centenas de uigures, com armas improvisadas, protestaram nesta quarta-feira em um bairro muçulmano de Urumqi contra a polícia.

Os uigures se reuniram para protestar contra a violência desta terça-feira dos hans contra membros de sua comunidade. O número de manifestantes aumentou quando helicópteros lançaram panfletos sobre o bairro que afirmam que Rebiya Kadeer, líder dos exilados uigures nos Estados Unidos, estimulou a violência de domingo.

Os manifestantes estavam armados com facas, tubos de metal e pedras.

Censura

Apesar das diferenças, uigures e hans concordam que o número de mortos em 5 de julho é muito superior ao divulgado pelo governo.

A agência Efe relata que as autoridades chinesas tentam limitar o trabalho da imprensa estrangeira, com detenções rápidas e revistando materiais. A coerção foi acompanhada por um grande bloqueio de informação. Desde a madrugada de hoje, a agência oficial Xinhua deixou de informar sobre o conflito étnico, e também não aparecem mais imagens de enfrentamentos na TV estatal.

Vários sites e blogs estrangeiros estão bloqueados em todo o país ou têm seu acesso limitado. O popular Facebook segue inacessível, da mesma forma que anteriormente foi feito com o YouTube e o Twitter.

Presidente

O presidente da China, Hu Jintao, chegou nesta quarta-feira a Pequim para fazer frente à crise na região de Xinjiang.

O avião presidencial aterrissou no aeroporto de Pequim procedente de Roma. O presidente da China teve que interromper de forma repentina a viagem que fazia por Itália e Portugal devido à crise em seu país, como informa a agência de notícias oficial Xinhua.

Perante a ausência de Hu, o conselheiro de Estado chinês Dai Bingguo será o encarregado de representar a China na Cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos e a Rússia), que começa nesta quarta-feira na cidade italiana de Áquila.

Tanto Hu como outros oito membros do Comitê Permanente do Partido Comunista da China (PCCh), o mais poderoso órgão de poder no país asiático, mantiveram silêncio sobre o conflito étnico em Urumqi.

Histórico

No domingo passado (5), a repressão dos protestos de uigures resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi.

Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.

A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.

O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios. Eles acusam uma empresária uigur, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.

Com Efe, France Presse e Associated Press

 

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