Governo chinês diz que executará culpados por 156 mortes em protestos
da Folha Online
O chefe do Partido Comunista chinês de Urumqi, Li Zhi, afirmou nesta quarta-feira que todos os responsáveis pela morte de 156 pessoas nos confrontos entre manifestantes uigures e a polícia no domingo passado (5), na capital da Província de Xinjiang (noroeste), serão condenados a morte.
"Aqueles que mataram brutalmente nos incidentes serão sentenciados à morte", disse Li, em entrevista coletiva na cidade, que vive hoje sob clima de tensão e intenso policiamento para evitar novos confrontos.
Li afirmou que muitas pessoas acusadas de assassinato já foram presas e que a maioria são estudantes.
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Ele não detalhou, contudo, quem exatamente são estas 156 vítimas dos protestos --número que a população chinesa diz ser muito maior. Não afirmou também se todas vítimas foram mortas por manifestantes ou se a polícia, na tentativa de repressão aos distúrbios, teve participação.
| Diego Azubel/Efe | ||
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| Soldados chineses descansam enquanto vigiam ruas de Urumqi, no noroeste; cidade está "sob controle" |
Segundo a lei chinesa, toda pessoa declarada culpada de assassinato pode ser condenada a morte.
"Todos, em particular os han [etnia majoritária rival aos uigures], devem manter a calma e moderação", afirmou Li, em um recado ao grupo étnico que diz buscar vingança contra a violência nos protestos dos uigures no dia 5 de junho.
Controle
Li afirmou ainda que as forças de segurança mantêm o controle da cidade.
A agência France Press afirma que o prefeito de Urumqi, Jerla Isamudin, também declarou o controle da situação, três dias depois dos distúrbios étnicos que deixaram pelo menos 156 mortos e 1.000 feridos na localidade.
"Sob a correta liderança do comitê regional do partido e do governo, a situação está sob controle agora", declarou Isamudin ao canal estatal de TV, segundo a France Presse.
As autoridades chinesas mobilizaram nesta quarta-feira milhares de soldados e policiais em Xinjiang, que se uniram ao já grande dispositivo de segurança na região.
A dissidência uigur, a principal minoria da região de Xinjiang, de religião muçulmana, afirma que 400 membros da comunidade morreram durante os distúrbios com os hans, a etnia majoritária no país.
A cidade de Urumqi, palco de três dias de violência entre chineses da maioria han e da minoria muçulmana uigur, despertou nesta quarta-feira em clima de tensão, após uma noite em que foi declarado toque de recolher e que teve minuciosa patrulha do Exército nas ruas.
Durante as 11 horas de proibição de civis nas ruas (21h às 8h), foi possível escutar as patrulhas em formação, correndo e cantando marchas militares, relata a agência de notícias Efe.
Helicópteros do Exército de Libertação Popular (ELP) da China sobrevoam a cidade atingida pelos protestos, que nesta terça-feira provocaram grandes danos no bairro uigur, arrasado pelos enfurecidos chineses da etnia han.
Os comércios do bairro, no centro da cidade, amanheceram com vidros quebrados, instalações destruídas, e seus habitantes uigures dominados pelo pânico, embora alguns deles hoje tenham se atrevido a sair à rua e a falar com jornalistas.
Protesto
A agência de notícias France Presse relata que centenas de uigures, com armas improvisadas, protestaram nesta quarta-feira em um bairro muçulmano de Urumqi contra a polícia.
Os uigures se reuniram para protestar contra a violência desta terça-feira dos hans contra membros de sua comunidade. O número de manifestantes aumentou quando helicópteros lançaram panfletos sobre o bairro que afirmam que Rebiya Kadeer, líder dos exilados uigures nos Estados Unidos, estimulou a violência de domingo.
Os manifestantes estavam armados com facas, tubos de metal e pedras.
Presidente
A violência, a maior desde 1949, segundo Pequim, fez com que o presidente Hu Jintao desistisse da reunião do G8 e retornasse ao país para fazer frente à crise na região de Xinjiang.
Perante a ausência de Hu, o conselheiro de Estado chinês Dai Bingguo será o encarregado de representar a China na Cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos e a Rússia), que começa nesta quarta-feira na cidade italiana de Áquila.
Tanto Hu como outros oito membros do Comitê Permanente do Partido Comunista da China (PCCh), o mais poderoso órgão de poder no país asiático, mantiveram silêncio sobre o conflito étnico em Urumqi.
Histórico
No domingo passado (5), a repressão dos protestos de uigures resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi.
Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.
A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.
O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios. Eles acusam uma empresária uigur, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.
Com France Presse, Associated Press e Efe
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