Cidade chinesa vive novo dia de violência; governo diz ter controle
da Folha Online
A cidade de Urumqi, capital da Província Xinjiang, no noroeste da China, viveu novas cenas de violência nesta quarta-feira quando um grupo de hans (etnia majoritária no país) atacou membros da etnia muçulmana uigur. A forte presença das forças de segurança na região conteve protestos em grande escala, mas não conseguiu evitar episódios isolados de violência. O governo regional diz ter a situação sob controle.
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Dezenas de milhares de membros das forças de segurança chinesas formaram nesta quarta-feira um cordão de segurança entre os bairros dos uigures muçulmanos e os bairros habitados pelos hans, duas etnias que vivem em confrontos há décadas sob acusações de opressão dos muçulmanos.
| Eugene Hoshiko/AP | ||
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| Patrulha paramilitar, ligada ao governo, marcha pelas ruas de Urumqi, capital da Província de Xinjiang (noroeste) |
Com to que de recolher decretado, a cidade vive sob clima de tensão e poucos têm coragem de sair às ruas como em um dia comum. O presidente chinês, Hu Jintao, deixou a Itália, onde participaria de reunião do G8 (grupo dos sete mais industrializados mais Rússia), para resolver a crise. Até agora, contudo, não fez declarações sobre o episódio que é cercado de dúvidas.
Em dois incidentes distintos, reportados pela agência France Presse, um grupo de hans atacou um grupo de uigures com pedaços de pau. Outros membros da etnia observavam de perto e os incentivavam a continuar com o ataque.
Os uigures só conseguiram sair do local com a ajuda das forças de segurança, fortemente armadas.
O chefe do Partido Comunista chinês de Urumqi, Li Zhi, afirmou nesta quarta-feira que a situação está sob controle. O discurso foi repetido pelo prefeito de Urumqi, Jerla Isamudin, também declarou o controle da situação, três dias depois dos distúrbios étnicos que deixaram pelo menos 156 mortos e mil feridos na localidade.
Pena de morte
Li afirmou ainda que todos os responsáveis pela morte de 156 pessoas nos confrontos entre manifestantes uigures e a polícia no domingo passado (5), serão condenados a morte.
"Aqueles que mataram brutalmente nos incidentes serão sentenciados à morte", disse Li, em entrevista coletiva na cidade, que vive hoje sob clima de tensão e intenso policiamento para evitar novos confrontos.
Li afirmou que muitas pessoas acusadas de assassinato já foram presas e que a maioria são estudantes. Segundo a lei chinesa, toda pessoa declarada culpada de assassinato pode ser condenada a morte.
"Todos, em particular os han [etnia majoritária rival aos uigures], devem manter a calma e moderação", afirmou Li, em um recado ao grupo étnico que diz buscar vingança contra a violência nos protestos dos uigures no dia 5 de junho.
A dissidência uigur, a principal minoria da região de Xinjiang, de religião muçulmana, afirma que 400 membros da comunidade morreram durante os distúrbios com os hans, a etnia majoritária no país.
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, cujo país mantém laços culturais e religiosos com os uigures, afirmou que os distúrbios "alcançaram a dimensão de atrocidades."
Histórico
No domingo passado (5), a repressão dos protestos de uigures resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi.
Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.
A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.
O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios. Eles acusam uma empresária uigur, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.
Com France Presse
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