Mundo
08/07/2009 - 16h08

ONG denuncia maus tratos contra presos no Irã

Publicidade

colaboração para a Folha Online

Autoridades do Irã estão usando espancamentos, privação de sono e longos interrogatórios para forçar confissões por parte dos detidos durante os protestos ocorridos no país após a eleição presidencial de 12 de junho. A denúncia foi feita nesta quarta-feira pela organização de direitos humanos Human Rights Watch.

Conheça os indícios da suposta fraude na eleição
Líder supremo está acima do presidente; entenda
Golpe e revolução marcam o último século no Irã
Correntes alternam-se na Presidência desde 1979

Um relatório da ONG disse que as confissões têm o objetivo de confirmar as afirmações, feitas pelo governo iraniano, que poderes estrangeiros estavam por trás das manifestações e que elas pretendiam derrubar o governo, ao invés de apenas pedir por uma nova eleição.

Acusações de fraude no pleito, que deu a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, causaram seguidos protestos que foram reprimidos pela polícia e pela milícia Basij --ligada à Guarda Revolucionária.

As manifestações deixaram 20 pessoas mortas, segundo dados oficiais, além de dezenas de feridos e centenas de presos.

"O governo iraniano está desesperado para justificar os ataques violentos a manifestantes pacíficos", disse a diretora para o Oriente Médio e norte da África da Human Rights Watch, Sarah Leah Whitson.

A ONG afirma que entre os detidos está um adolescente de 17 anos preso em 27 de junho que foi obrigado a assinar uma confissão em branco para poder ser libertado pelas autoridades.

Ele contou à organização que foi forçado a ficar em uma garagem por 48 horas, junto com outros presos. Com as mãos amarradas atrás das costas e os olhos vendados, eles foram espancados repetidamente.

Esse grupo de presos --de idades que variavam entre 16 e 70 anos-- não pode beber água e receberam pão para comer em apenas uma oportunidade, segundo o adolescente.

A ONG também reportou o que disse ser uma declaração de uma testemunha que disse ter visitado a Corte Revolucionária do Irã e visto alguns detidos com contusões no rosto sendo libertados.

Polícia

A polícia do Irã disse que mais de mil pessoas foram presas e que a maioria foi libertada.

No entanto, dezenas de manifestantes, políticos reformistas e jornalistas continuam presos.

Segundo a Human Rights Watch, a verificação de informações sobre os detidos é difícil, já que o governo iraniano restringiu a atividade da mídia durante os protestos.

"Muitos dos mais conhecidos presos foram mantidos sem comunicação por mais de três semanas, sem acesso a advogados e membros da família, gerando sérias preocupações sobre a probabilidade de maus tratos e pressão para assinarem falsas confissões", diz o relatório da ONG.

Com Associated Press

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca