Israel amplia abertura entre Cisjordânia e Jordânia e anuncia apoio para infraestrutura
da Folha Online
O governo israelense anunciou nesta quarta-feira que permitirá que uma ponte entre a Cisjordânia e a Jordânia, única passagem entre o território palestino e os países árabes, permaneça aberta 24 horas por dia, para ajudar a economia palestina. Também foi anunciado o apoio à infraestrutura de três projetos de desenvolvimento na Cisjordânia financiador por estrangeiros.
"O primeiro-ministro ordenou uma imediata e significativa ampliação do horário de abertura da passagem da ponte Allenby para as importações e exportações, a fim de aumentar a atividade empresarial e melhorar a vida dos palestinos", comunicou o governo por meio de uma declaração.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Danny Ayalon, disse aos jornalistas que a passagem, batizada em homenagem ao general Edmund Allenby, comandante britânico da Palestina colonial após a Primeira Guerra, ficaria aberta 24 horas por dia.
A abertura permanente da ponte é uma demanda da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Até hoje, a passagem de passageiros e mercadorias é permitida 12 horas por dia durante os dias de semana e sete horas por dia nos fins de semana.
Nazmi Mhanna, diretor de fronteiras da ANP disse que uma abertura comercial permanente vai "aumentar o volume de exportações e importações, o que irá impulsionar a economia".
Um porta-voz do ex-premiê britânico Tony Blair, representante do Quarteto do Oriente Médio -- União Europeia, Estados Unidos, Rússia e Nações Unidas-- elogiou a medida, dizendo que ela "reflete o espírito das nossas propostas de mudança transformadora na Cisjordânia".
Palestinos se queixam de que o rígido controle de Israel sobre o terminal da ponte Allenby dificulta o transporte de mercadorias para a Jordânia e dizem que as horas de espera afetam os produtos agrícolas, causando perdas e desencorajando o comércio.
Um total de 16.422 carregamentos passou por Allenby no ano passado, um aumento de 45% em relação a 2007, segundo dados do governo israelense. A maioria consiste de produtos agrícolas e materiais de construção.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu colocou como uma das metas de sua administração o estímulo à economia da Cisjordânia, governada pela ANP, sob comando do grupo secular Fatah, enquanto aumenta o isolamento da faixa de Gaza, controlada pelo grupo radical islâmico Hamas. A "paz econômica", segundo ele, não substitui a paz diplomática, mas é "uma parte importante" dela.
Em geral, os líderes palestinos rejeitam a ideia da "paz econômica" e dizem que o processo de paz só deve ser retomado depois que Netanyahu se comprometer com a independência palestina. Depois de evitar por muito tempo tocar nesse assunto, o primeiro-ministro israelense disse no mês passado que aceitaria a criação de um Estado Palestino, desde que desmilitarizado, o que foi criticado de forma unânime pelos grupos palestinos.
No comunicado desta quarta-feira, o governo de Israel informa estar pronto para fornecer água, eletricidade e outros elementos de infraestrutura a três projetos financiados internacionalmente na Cisjordânia, embora, de acordo com o texto, a ANP não tenha pedido ajuda até agora.
Os projetos são um parque industrial perto de Jenin, patrocinado pela Alemanha, um programa para processar e exportar produtos agrícolas provenientes de Jericó, perto do Mar Morto, financiado pelo Japão, e uma zona de indústria leve financiada pela França, em Belém.
"Alguns dos projetos estão parados há muitos anos e foi decidido em uma reunião nesta manhã [nos] concentrar na remoção de obstáculos e promovê-los", informa o texto divulgado pelo gabinete de Netanyahu.
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