Mundo
08/07/2009 - 20h00

Líder uigur diz que 800 morreram em Província chinesa

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da Folha Online

Um dos líderes da etnia uigur na Europa, Erkin Alptekin, disse nesta quarta-feira em Roma que 800 pessoas morreram nos distúrbios ocorridos nos últimos dias na Província chinesa de Xinjiang, e que entre 3.000 e 5.000 membros desta minoria étnica foram detidos, um número cinco vezes maior do que o informado pelo governo chinês.

"Para as autoridades chinesas os mortos são 160, mas segundo nossas fontes são 800", afirmou Alptekin em entrevista coletiva organizada pelo Partido Radical italiano.

Alptekin, membro do Congresso Mundial do Povo Uigur, organização no exílio, denunciou que quatro meninas foram decapitadas em Urumqi, a capital da região de Xinjiang, e suas cabeças foram expostas na porta da faculdade de Medicina.

Segundo o dirigente uigur, a violência explodiu em Urumqi após uma manifestação "pacífica".

Alptekin disse que a polícia tentou dispersá-los com gás lacrimogêneo, e que começou a atirar por não conseguir pôr fim à manifestação. Pelo menos 140 pessoas teriam sido assassinadas nesse dia, disse ele.

O governo chinês culpa grupos separatistas uigures no exterior de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.

No domingo passado (5), a repressão dos protestos de uigures resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi.

Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.

A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.

O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios.

Juntamente com o Tibete, Xinjiang é uma das regiões politicamente mais sensíveis na China, e em ambas as regiões o governo tem procurado manter a sujeição, controlando a vida cultural e religiosa, enquanto promete crescimento econômico e prosperidade.

Mas as minorias há muito se queixam que membros da etnia han, majoritária na China, colhem a maioria dos benefícios dos investimentos subsídios oficiais, enquanto fazem com que os moradores locais sintam-se como estrangeiros.

Os uigures, uma etnia de origem turca, predominantemente muçulmana, eram mais de 80% dos moradores de Xinjiang, mas nas últimas décadas o governo chinês empreendeu uma política de imigrações de chineses han para a região.

Atualmente, metade dos 20 milhões de habitantes de Xinjiang, uma vasta região que faz fronteira com o Paquistão, Afeganistão e outros países da Ásia Central, são uigures, enquanto a população de Urumqi, que fica 3.270 km a oeste de Pequim, é predominantemente han.

Arte/Folha de S.Paulo
 

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