Após renúncias, Cristina Kirchner empossa novo ministro da Economia
da Folha Online
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, empossou nesta quarta-feira seu novo chefe de gabinete, Aníbal Fernández, e o novo ministro da Economia, Amado Boudou, em substituição aos titulares desses dois cargos, que renunciaram nesta terça-feira, nove dias depois de uma derrota governista na eleição parlamentar, que tirou do governo a,maioria no Parlamento. Também tomou posse o novo titular da Justiça, Julio Alak.
A cerimônia foi simples e formal, e a presidente argentina preferiu não fazer discursos ou dar declarações durante a posse dos novos ministros.
Aníbal Fernández deixou o ministério da Justiça, Segurança e Direitos Humanos para assumir a chefia de Gabinete. Sergio Massa, que ocupava o cargo, voltará a ser prefeito da cidade de Tigre, na periferia norte de Buenos Aires. Boudou, por sua vez, saiu da Administração Nacional de Segurança Social (ANSES) para assumir o ministério da Economia, substituindo Carlos Fernández.
"Estou muito contente e com muita força", limitou-se a responder um exultante Boudou à imprensa, após pronunciar o juramento de posse.
A pasta da Justiça será assumida por Julio Alak, que presidia a reestatizada Aerolíneas Argentinas, que agora é coordenada pelo advogado trabalhista Mariano Recalde. Já a ANSES foi assumida por Diego Bossio, ex-diretor do Banco Hipotecário.
Outras mudanças já haviam acontecido após as eleições. No dia seguinte à derrota, a ministra da Saúde do país, Graciela Ocaña, havia renunciado, em meio a sinais de divergência no governo em relação à forma de combate à gripe suína --A H1N1. Na última quarta-feira, renunciou o secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.
Especialistas e a imprensa argentina avaliam que a mudança do comando da economia não deve ter o impacto de alterações semelhantes no passado porque grande parte do comando dessa área está, na prática, nas mãos do marido da presidente, o ex-presidente Néstor Kirchner.
O resultado da eleição foi visto como uma dura derrota do casal Kirchner, que promovera a eleição parlamentar como um plebiscito sobre a gestão de Cristina. O próprio Néstor era o cabeça da lista de candidatos governistas em Buenos Aires, que ficou em segundo lugar, atrás da lista do principal candidato da oposição, Francisco De Narváez.
O tropeço pode deixar Kirchner, um político que governou a Argentina com um estilo áspero e confrontador entre 2003 e 2007, fora da corrida para as eleições presidenciais de 2011. O ex-mandatário, considerado por muitos quem ostenta o real poder no governo de sua mulher, reconheceu a derrota com um pouco usual tom conciliador e disse que o país tem um novo marco político.
Um dia depois da eleição, ele deixou a liderança do Partido Justicialista (peronista), sendo substituído pelo governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli.
Com Efe e France Presse
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