Mundo
08/07/2009 - 21h49

Zelaya chega à Costa Rica para reunião em que os dois lados dizem que não vão negociar

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da Folha Online

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, chegou nesta quarta-feira à Costa Rica, para um diálogo nesta quinta-feira com o presidente interino de seu país, Roberto Micheletti, mediado pelo presidente Óscar Arias, com o objetivo de pôr fim à crise política na nação. Ele disse que pretende pedir que o governo de fato de Honduras seja dissolvido em 24 horas. Mas Micheletti, que assumiu no dia 28 de junho o cargo após a deposição de Zelaya, não confirmou nesta quarta-feira se fará parte da comissão que viajará amanhã para a Costa Rica, para participar da negociação mediada pelo ganhador do Nobel da Paz de 1987.

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"A comissão que vai à Costa Rica já foi nomeada, os integrantes serão divulgados amanhã, quando eles saírem", disse Micheletti, em declarações a jornalistas, depois de um ato de juramento de cargos na Casa Presidencial. Micheletti não deu mais detalhes sobre a composição e o momento da viagem, por "razões de segurança".

"Vamos aguardar as recomendações do pessoal da segurança", disse Micheletti em entrevista coletiva em Tegucigalpa, ao ser perguntado sobre quando seguirá para a reunião.

O presidente interino, cujo governo não é reconhecido por nenhum país, disse que ainda está "consultando assessores e responsáveis de segurança sobre aspectos relacionados à viagem".

"Tenham a segurança de que Honduras vai participar desse diálogo com as autoridades anteriores deste país", afirmou o presidente, que assumiu o cargo após a deposição de Zelaya pelo Exército, com apoio da Suprema Corte e do Congresso.

Micheletti, que nesta terça-feira havia dito que pretende dialogar, mas que não vai "negociar nada" na Costa Rica, assegurou que a predisposição da comissão é de "escutar e que o diálogo no final busque a solução que queremos para Honduras".

Mais cedo, Micheletti foi chamado de "gorila" pelo presidente deposto, que disse que ele deverá "pagar" por sua traição.

"A traição é um crime que não prescreve", afirmou Zelaya em declarações a um canal chileno de televisão, nas quais também reiterou que não negociará com os golpistas nas reuniões desta quinta-feira na Costa Rica. Mesmo após confirmar que participará das reuniões na Costa Rica, o líder deposto disse que não negociará com os que tomaram o poder em seu país.

Negociação nos EUA

Isolado internacionalmente, e com o país suspenso da OEA (Organização dos Estados Americanos), o governo interino enviou a Washington uma comissão para tentar conseguir apoio de políticos americanos, embora o governo dos Estados Unidos tenha condenado o que classificou de golpe de Estado.

O ex-presidente de Honduras, Ricardo Maduro, se reuniu nesta quinta-feira com cerca de 20 parlamentares americanos para explicar, com a Constituição hondurenha nas mãos, as razões da deposição Zelaya. Maduro, que foi presidente entre 2002 e 2006, disse que Zelaya é acusado de vários crimes pelos tribunais do país e que foi tirado do cargo pelo Congresso, com base em vários artigos da Constituição.

Especificamente, ele fez referência ao artigo 239, que estipula que "o cidadão que tenha desempenhado a chefia do Poder Executivo não poderá ser presidente [...] aquele que violar esta disposição ou que propuser sua reforma, assim como aqueles que o apoiem, direta ou indiretamente, cessarão imediatamente o cumprimento das suas funções, e devem ser inabilitados por dez anos de exercer qualquer cargo público".

Maduro aludia à suposta tentativa de Zelaya de querer permitir a reeleição por meio de uma consulta popular que pretendia realizar no dia em que foi preso e expulso do país. A Suprema Corte havia julgado ilegal a consulta, mas o presidente a levou à frente mesmo assim, enfrentando também a oposição de seu prórpio partido e da chefia das Forças Armadas. Zelaya não confirma se tinha a intenção de mudar o texto para candidatar-se novamente --seu mandato termina no início do próximo ano.

"As pessoas só acordaram quando ouviram que os militares tinham tomado parte, mas todo mundo estava dizendo que [Zelaya] estava passando por cima da Constituição", disse Maduro durante a reunião presidida pela deputada Ileana Ros-Lehtinen. Ela é a principal republicano na Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara dos Representantes (deputados) e tem sido muito crítica em relação à suspensão de Honduras pela OEA. A deputada chegou a propor reduzir as contribuições dos EUA para a organização, dizendo que a OEA abandonou seus princípios fundadores, apoiando Zelaya, entre outras razões.

O ex-presidente hondurenho disse que "não é um clássico golpe militar, porque não houve violação da ordem constitucional" e que o novo presidente foi empossado pelo Congresso, apenas para cumprir o mandato de Zelaya e passar o cargo para o vencedor das eleições de novembro.

Mas o governo dos EUA parece decidido a apoiar o retorno de Zelaya, que nesta terça-feira se reuniu com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Washington. Horas depois da reunião, os EUA confirmaram a suspensão da ajuda econômica a Honduras como consequência da deposição.

 

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