Cidade chinesa promete indenizar vítimas de conflito étnico
da Folha Online
da Efe, em Urumqi (China)
A Prefeitura da cidade chinesa de Urumqi prometeu indenizar as vítimas dos conflitos ocorridos nos últimos dias na Província chinesa de Xinjiang. Em meio à repressão promovida pelo Exército chinês, ao menos 156 pessoas morreram e parte da cidade foi destruída. As lideranças uigures apontam para 800 mortos.
Os serviços de transportes foram restabelecidos, assim como lojas e postos de gasolina tenha reaberto. O governo da cidade prometeu que arrecadará cerca de 100 milhões de iuanes (US$ 14,6 milhões) para atender às vítimas dos incidentes de domingo.
Os habitantes da cidade, capital da região autônoma de Xinjiang, começam a sair às ruas, enquanto os militares começam a deixar a cidade. O prefeito Jerla Isamudinhe (uigur) destacou que os beneficiados serão familiares das vítimas, pessoas que ficaram incapacitadas após as agressões e outros feridos.
Também haverá ajudas para os comércios e empresas que sofreram ataques --mais de 200 lojas e dois prédios foram destruídos por incêndios desde a noite de domingo (5).
O prefeito disse que vários mortos já foram identificados, embora não tenham identificado a que etnia pertencem, e disse que alguns deles tiveram que ser submetidos a testes de DNA para serem reconhecidos.
A imprensa chinesa destacou que, apesar da relativa volta à normalidade, as agências de viagens suspenderam o turismo para Xinjiang, e que o aeroporto de Urumqi está cheio de viajantes, em sua maioria chineses, que desejam interromper sua estada na região devido aos conflitos étnicos.
Crise étnica
No domingo passado (5), o protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi. Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.
A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país. O governo deu poucas explicações sobre a violência.
Juntamente com o Tibete, Xinjiang é uma das regiões politicamente mais sensíveis na China, e em ambas as regiões o governo tem procurado manter a sujeição, controlando a vida cultural e religiosa, enquanto promete crescimento econômico e prosperidade.
Mas as minorias há muito se queixam que membros da etnia han, majoritária na China, colhem a maioria dos benefícios dos investimentos subsídios oficiais, enquanto fazem com que os moradores locais sintam-se como estrangeiros.
Os uigures, uma etnia de origem turca, predominantemente muçulmana, eram mais de 80% dos moradores de Xinjiang, mas nas últimas décadas o governo chinês empreendeu uma política de imigrações de chineses han para a região.
Atualmente, metade dos 20 milhões de habitantes de Xinjiang, uma vasta região que faz fronteira com o Paquistão, Afeganistão e outros países da Ásia Central, são uigures, enquanto a população de Urumqi, que fica 3.270 km a oeste de Pequim, é predominantemente han.
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