Mundo
09/07/2009 - 05h36

Mal-entendido pode ter gerado protestos e onda de violência na China

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da Folha Online
da Efe, em Pequim

Um engano pode ter sido a origem dos confrontos registrados no noroeste da China nesta semana, que deixaram ao menos 156 mortos. Reportagem da agência de notícias Xinhua diz que dois jovens foram linchados em uma fábrica de brinquedos de Shaoguan (Cantão, sul do país) após um mal-entendido --no episódio considerado o estopim dos protestos na região de Xinjiang.

Os dois jovens eram da etnia uigur, minoria muçulmana que ocupa grande parte das cidades de Xinjiang --uma vasta região que faz fronteira com o Paquistão, Afeganistão e outros países da Ásia Central. Eles morreram em 26 de junho, após serem espancados por chineses da etnia han, majoritária no país.

Pouco antes de os jovens funcionários da fábrica de brinquedos serem arrancados às pancadas dos quartos em que dormiam, uma jovem da etnia han havia entrado, por engano, no dormitório.

A jovem de 19 anos, chamada Huang Cuilian e trabalhadora da mesma fábrica, disse que tudo não passou de um engano. "Estava perdida, entrei no dormitório incorreto e gritei quando vi os uigures", disse.

Aparentemente, um dos uigures tentou brincar com ela e Huang fugiu correndo. "Depois me dei conta de que estavam apenas brincando", admitiu. Outros trabalhadores da etnia han que também dormiam na fábrica já haviam escutado os gritos da garota e saíam em busca dela.

A briga que terminou com os dois jovens uigures mortos deixou ainda mais de 100 feridos. O governo abafou o episódio, o que irritou a comunidade uigur de Xinjiang.

As autoridades da província de Shaoguan disseram que as diferenças de cultura e idioma entre os locais e os uigures causam certo "isolamento" dessa comunidade (veja o gráfico abaixo), que conta com 800 trabalhadores na região.

Início dos protestos

Dias depois do incidente na fábrica, cerca 300 jovens uigures protestaram no centro de Urumqi, capital da região de Xinjiang --a mais de 3.000 km de Shaoguan-- pela falta de informação sobre o incidente. Os uigures pediam castigo aos responsáveis pelo linchamento.

A manifestação, que começou de forma pacífica, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares. Em torno de 800 civic ficaram feridos e o conflito foi tido como o pior confronto do tipo em anos no país. O governo deu poucas explicações sobre a violência.

Um dos líderes da etnia uigur na Europa, Erkin Alptekin, disse nesta quarta-feira que 800 pessoas morreram nos distúrbios ocorridos nos últimos dias na Província chinesa de Xinjiang, e que entre 3.000 e 5.000 membros desta minoria étnica foram detidos.

Ontem, o governo prometeu punir com a execução os líderes dos protestos. O governo chinês culpa grupos separatistas uigures no exterior de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.

Juntamente com o Tibete, Xinjiang é uma das regiões politicamente mais sensíveis na China, e em ambas as regiões o governo tem procurado manter a sujeição, controlando a vida cultural e religiosa, enquanto promete crescimento econômico e prosperidade.

As minorias há muito se queixam que membros da etnia han colhem a maioria dos benefícios dos investimentos e dos subsídios oficiais, enquanto fazem com que os moradores locais sintam-se como estrangeiros.

Os uigures, uma etnia de origem turca, predominantemente muçulmana, eram mais de 80% dos moradores de Xinjiang ( que hoje tem 20 milhões de habitantes), mas nas últimas décadas o governo chinês empreendeu uma política de imigrações de chineses han para a região.

Arte/Folha de S.Paulo
 

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