Mundo
09/07/2009 - 09h59

Só desenvolvimento trará paz à Xinjiang, afirma estudo

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RAUL JUSTE LORES
enviado especial da Folha de S. Paulo a Urumqi

"Precisamos entender claramente que sem desenvolvimento e modernização para as minorias étnicas, não haverá desenvolvimento de Xinjiang. Sem esse desenvolvimento, não pode haver paz social."

Quem diz é o economista Ilihamu Tuheti, professor do Departamento de Economia da Universidade Central de Nacionalidades da China, em Pequim, que afirma em estudo divulgado na semana passada que "as políticas dos últimos 60 anos só aumentaram as diferenças econômicas entre os dois grupos".

Tuheti é da minoria uigur e já enfrenta problemas por suas conclusões. Seu blog, onde divulgou o estudo, foi bloqueado.

Ele não pôde aceitar o pedido de entrevista da Folha. Após ser interrogado em sua casa pela polícia chinesa na segunda-feira (6), Tuheti disse que seria "inconveniente" falar. Abaixo, algumas conclusões de seu estudo:

1) Oitenta por cento dos uigures vivem da agricultura. A diferença entre a renda dos habitantes da zona rural e da urbana em Xinjiang ainda é maior que a média chinesa (a população urbana tem renda quatro vezes maior que a rural em Xinjiang; no país, é de 3,5).

Os planos de desenvolvimento se concentraram nas áreas han, urbanas e no norte da Província, não nas áreas rurais e no sul, onde as minorias se concentram.

2) As estatísticas das últimas décadas sobre a alfabetização em Xinjiang mostram claro progresso. Mas o financiamento da educação obrigatória é dos governos locais. Principalmente no empobrecido sul de Xinjiang, as prefeituras não têm como sustentá-lo. Das famílias uigures rurais, 85% não podem pagar o ensino médio.

3) O sistema de registro de residência chinês afeta os uigures em Xinjiang. Muitos dos chineses han que se mudam para Xinjiang ganham a permissão de residência urbana, enquanto os camponeses têm dificuldade para mudar.

Uma vez na cidade, a discriminação continua, principalmente pela falta de educação formal de boa parte deles. Entretanto, até uigures com diplomas são discriminados com base em políticas discriminatórias em setores estratégicos, como polícia, Exército, finanças, bancos, indústria química, telecomunicações e no funcionalismo público.

4) Dos han em Xinjiang, 73% vivem no norte da Província, a região mais rica. A escala da migração não tem precedentes. Apenas entre 1949 e 1984, 3 milhões de chineses han se mudaram para a região, um terço da população de então.

 

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