Mundo
09/07/2009 - 10h45

China diz que uigures receberam treinamento da Al Qaeda

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da Folha Online
da Efe, em Pequim

O governo chinês afirmou nesta quinta-feira que os distúrbios de domingo passado (5) na cidade de Urumqi, na Província de Xinjiang, noroeste da China, foram atos premeditados realizados por membros da minoria muçulmana uigur, entre eles "ativistas separatistas" que receberam treinamento da rede terrorista Al Qaeda e de outras organizações terroristas internacionais.

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Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang, afirmou que Pequim luta contra forças "extremistas, separatistas e terroristas" formadas no exterior.

Qin ressaltou, contudo, que os enfrentamentos entre muçulmanos uigures e chineses da etnia han na região de Xinjiang são "um assunto totalmente interno da China" e por isso descartou interferência de qualquer organismo internacional.

O porta-voz chinês respondeu assim à proposta da Turquia --país com fortes laços culturais e religiosos com os uigures pela origem turcomana desta etnia-- de levar o conflito ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Os incidentes de 5 de julho são atos de violência criminal graves, organizados e premeditados, destinados a sabotar a união nacional e a solidariedade étnica do país", acrescentou.

No dia 5, a repressão dos protestos de uigures pelas forças de segurança resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais.

O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi. Eles criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência.

Nesta quinta-feira, a agência de notícias oficial Xinhua afirma que um engano pode ter sido a origem da morte dos dois uigures na fábrica e, consequentemente, dos confrontos registrados em Urumqi nesta semana.

O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios. Eles acusam uma empresária uigur, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.

O presidente do Partido Comunista Chinês local afirmou nesta quarta-feira que os responsáveis pelas mortes serão condenados a pena de morte e que a polícia já prendeu parte deles, a maioria estudantes.

Qin reiterou nesta quinta-feira que China tomará duras medidas contra os agressores e afirmou que a comunidade internacional deveria se unir, "em vez de adotar dois pesos e duas medidas".

Silêncio

O presidente da China, Hu Jintao, em suas primeiras declarações depois do breve retorno da cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países desenvolvidos e a Rússia) na Itália, disse que a estabilidade de Xinjiang é "a tarefa mais importante e premente", segundo uma nota da agência oficial Xinhua.

Hu presidiu nesta quarta-feira, em Pequim, uma reunião do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista da China (PCCh), o órgão com mais poder no país, e que tratou exclusivamente das revoltas de Xinjiang, as piores vividas no país nas últimas duas décadas.

Guantánamo

Quatro membros da etnia uigur chinesa, Abdullah Abdulqadir, Khalil Mamut, Ablikim Turahun e Salahidin Abdulahat, foram presos como suspeitos de terrorismo na base americana de Guantánamo (Cuba) por supostos laços com os ataques de 11 de Setembro.

Eles foram libertados no mês passado e levados a Bermudas, onde estão sob asilo, e negaram as acusações.

As acusações contra grupo de uigures foram tiradas pelo Tribunal Federal americano, que não tinha provas de sua ligação com terroristas. Contudo, outros 13 uigures continuam no centro de detenção por não ter para onde ir --já que temem voltar à China.

 

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