Mundo
09/07/2009 - 13h45

Presidente interino de Honduras chega à Costa Rica e diz querer paz

Publicidade

da Folha Online

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, chegou nesta quinta-feira a San José, na Costa Rica, para dialogar com o presidente deposto Manuel Zelaya, sob a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, premio Nobel da Paz por sua atuação em conflitos na América Central.

Entenda a crise política existente em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe

Micheletti, que realiza a primeira viagem ao exterior desde que assumiu o poder --depois do golpe de Estado de 28 de junho--, chegou ao aeroporto internacional Juan Santamaría às 09h55 (12h55 no horário de Brasília).

Kent Gilbert/AP
Presidente interino, Roberto Micheletti (esq), chegou nesta quinta a Costa Rica
Presidente interino, Roberto Micheletti (esq), chegou nesta quinta a Costa Rica

"Espero que na mediação que se inicia hoje, o presidente Arias use todas as suas habilidades diplomáticas", disse Micheletti, em declaração na pista do aeroporto, na qual insistiu que é o presidente constitucional de Honduras.

"Tenho fé de que pode haver solução à crise hondurenha", continuou Micheletti, que disse anteriormente estar disposto a dialogar, mas que a restituição de Zelaya ao poder está fora de negociação.

Em declarações nesta quarta-feira, Micheletti afirmou que há "interesse absoluto que haja normalidade e paz no país". "Isto é o que pretendemos e a posição que temos com absoluta certeza é escutar e buscar através do diálogo as soluções para conseguir a paz e a tranquilidade, para sustentar nossa democracia", disse.

Micheletti foi recebido no aeroporto pelo chanceler costarriquenho, Bruno Stagno, que também recebeu Zelaya na quarta-feira.

Arias afirmou que ambos receberão o mesmo tratamento na Costa Rica, embora a comunidade internacional não reconheça o governo de Micheletti.

O avião do líder interino deixou Tegucigalpa e prosseguiu em rota alternativa para não sobrevoar a Nicarágua, que negou autorização ao governo para sobrevoar seu espaço aéreo. Um porta-voz oficial disse à agência Efe, sem precisar detalhes, que a delegação hondurenha viajou em dois aviões.

O ministro da Defesa de Honduras, Adolfo Sevilla, disse a jornalistas que "o diálogo entre o presidente Micheletti e Óscar Arias" acontecerá no aeroporto Juan Santamaría, de San José.

Segundo Sevilla, que ficou à frente da Presidência, Micheletti deve retornar ainda nesta quinta-feira a Honduras. Ficará para as negociações a comissão que o acompanha.

Segundo o jornal hondurenho "Hondudiário", a comissão que assistirá à reunião com mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, inclui a ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, Vilma Morales, o ex-ministro de Relações Exteriores, Carlos López Contreras, e o ex-candidato a Presidência pelo Partido Democrata Cristão Arturo Corrales, além do ex-embaixador de Honduras nos Estados Unidos Roberto Flores Bermúdez.

O alto funcionário disse que Micheletti "não leva uma agenda determinada" à Costa Rica, porque isso será definido em San José.

Mediador

Arias se ofereceu esta semana como mediador na crise vivida em Honduras desde que foi deposto o presidente Zelaya.

A iniciativa de Arias é apoiada pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e foi aceita por Zelaya e Micheletti.

A reunião com Arias é a primeira aproximação entre Zelaya e Micheletti para buscar uma saída à grave crise política vivida em Honduras desde 28 de junho, mas os dois chegam a San José sem mudar suas opiniões divergentes.

Zelaya

Kent Gilbert/AP
Presidente Manuel Zelaya chegou ontem a Costa Rica
Presidente Manuel Zelaya chegou ontem a Costa Rica

Zelaya chegou nesta quarta-feira à Costa Rica. O avião privado que levava Zelaya aterrissou às 17h36 (20h36 no horário de Brasília) no aeroporto Juan Santamaría, nos arredores de San José, procedente de Washington.

Zelaya chegou acompanhado por sua chanceler, Patricia Rodas, e foi recebido pelo ministro de Relações Exteriores costarriquenho, Bruno Stagno.

Tanto Zelaya, quanto Micheletti aceitaram, na terça-feira, abrir um diálogo direto com a mediação de Arias, que os receberá em sua própria casa.

"Estou aqui atendendo as resoluções da Organização de Estados Americanos (OEA) e das Nações Unidas, que fizeram declarações contundentes condenando a crise em Honduras, não reconhecendo o governo de facto e pedindo a restituição do governo democrático", afirmou Zelaya aos jornalistas, no aeroporto.

O líder deposto criticou Micheletti fortemente, qualificando-o de golpista e criminoso e ressaltou que vê esta mediação como um processo onde o atual governo hondurenho poderá expor seus planos para 'uma saída da forma mais honrosa'.

Acrescentou que se mantém firme na posição de exigir sua restituição no poder. "Não defender a restituição de um presidente democraticamente eleito seria um despropósito", disse.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder no último dia 28 em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: 'se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com Efe, France Presse e Associated Press

Comentários dos leitores
Santos Júnior (304) 24/11/2009 23h59
Santos Júnior (304) 24/11/2009 23h59
Por falar em MST, o apoio do governo aos interesses meramente ideológicos chegou ao extremo.Numa certa invasão, os militantes sem-terras mataram 4 seguranças da fazenda invadida.Questionado a respeito do ocorrido, o nosso Ministro da Justiça Tarso Genro diz que "mataram para se defenderem" e que este ato em si significa a luta para garantia de seus direitos!Daqui a pouco qualquer bandidinho comunista que sair matando mundo afora vai receber asilo político aqui no Brasil, o que já está acontecendo...Oh Brasil sem jeito !! sem opinião
avalie fechar
Leon Diniz Diniz (410) 24/11/2009 21h53
Leon Diniz Diniz (410) 24/11/2009 21h53
Caríssimo Antonio Gilson de Oliveira, não tenho por habito comentar os post dos colegas que aqui escrevem. Eu já tinha até dado por encerrado fazer qualquer comentário sobre o caso Honduras que foi a meu sentir, um dos piores equívocos diplomáticos do governo Lula em toda sua administração. Permita-me tomar a liberdade de escrever para parabeniza-lo, pelo ato patriótico, lição de civismo e contribuição para a compreensão do que pode um brasileiro indignado fazer após ver a quebra da ordem estabelecida pela nossa Carta Mágna e a violação ao princípio de não ingerência na liberdade, independência e soberania de outras nações. É bom que se frise, o seu gesto patriótico não foi contra a pessoa do Lula, pois este um dia passará como passam todos os governos. Sua atitude, Antonio Gilson foi a favor do Brasil e do respeito e admiração que a nossa Pátria sempre despertou nas outras nações. Parabéns, e obrigado pela sua contribuição à democracia. sem opinião
avalie fechar
eduardo de souza (484) 24/11/2009 18h28
eduardo de souza (484) 24/11/2009 18h28
Já ouvi essa conversa de desarmar a população. Não deu certo aqui no Brasil. Por que acham que irá dar certo em Honduras. Outra coisa, se as ações do governo golpista estão fundamentadas no apoio da população, porque fechar canais de tv e rádios, decretar toque de recolher e o mais recente a "tentativa de desarmar a população". Agora talvez alguns leitores percebam que o que aconteceu em Honduras não foi correto e nem tampouco apoiado pela população. Honduras ainda escreverá muita história para ser exemplo na Am. Latina. Talvez entendam de uma vez por todas que não é mais suportável, suportar que uma pequena classe privilegiada, controlem o destino de muitos. Quem não entende pelo amor, na dor, não volta a cometer o mesmo erro. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4608)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca