Unesco denuncia danos causados pelos EUA à Babilônia, no Iraque
da Folha Online
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) denunciou nesta quinta-feira que as tropas americanas e forças de segurança privadas contratadas pelos Estados Unidos para atuar na Guerra do Iraque causaram graves danos ao sítio arqueológico da Babilônia.
Os vestígios arqueológicos da cidade sofreram deteriorações graves durante "escavações, desmantelamentos e nivelações de terreno", diz um informe elaborado pelo Comitê Internacional de Coordenação da Unesco para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural do Iraque (CIC-Irak), divulgado nesta quinta-feira.
| Karim Kadim/AP |
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| Soldados dos EUA fazem guarda na histórica Babilônia; Unesco denuncia dano ao local histórico durante ocupação americana |
Situada a 90 km ao sul da capital Bagdá, a cidade da Babilônia foi a capital de dois famosos reis da Antiguidade: Hamurabi (1792-1750 a.C.) e Nabucodonosor (604-562 a.C.). Hamurabi é o autor de um dos primeiros códigos jurídicos da humanidade, e Nabucodonosor foi o rei que mandou construir os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Segundo o texto, as tropas e empresas contratadas por Washington cavaram centenas de metros de túneis pelas ruínas e usaram veículos militares pesados sobre o que eram caminhos frágeis de procissão.
"Houve dano considerável", disse o arqueólogo John Curtis, do Museu Britânico, que inspecionou o local após os EUA entregarem o controle de volta ao governo iraquiano.
O relatório afirma ainda que, durante a guerra, iniciada em 2003, a cidade arqueológica foi saqueada e coleções dos museus dedicados a Hamurabi e a Nabucodonosor, assim como na Biblioteca e nos Arquivos da Babilônia, foram destruídas.
O sítio arqueológico da Babilônia foi utilizado como base militar pelas forças armadas da coalizão no período entre 2003 e 2004.
Em informe próprio, o Museu Britânico compara os danos ao estabelecimento de um acampamento militar nas proximidades da Grande Pirâmide do Egito ou do pré-histórico Stonehenge no Reino Unido.
O texto afirma ainda que foram produzidos danos consideráveis em alguns elementos estruturais importantes, como a Porta de Ishtar e a Via Processional.
A agência cultural da ONU (Organização das Nações Unidas) quer transformar a Babilônia em patrimônio da humanidade para evitar vandalismo semelhante no futuro.
Os americanos afirmam que a destruição causada por vandalismo seria maior caso as tropas não estivessem no local.
Com France Presse e Associated Press
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