Temendo novos conflitos, cidade chinesa fecha acesso a mesquitas
da Efe, em Urumqi (China)
As autoridades da cidade chinesa de Urumqi ordenaram o fechamento de grande parte das mesquitas da cidade nesta sexta-feira, dia de oração para os muçulmanos, devido ao temor de novos conflitos entre a minoria étnica uigur e os militares que ocuparam a cidade. Os confrontos deixaram ao menos 156 mortos.
As cinco principais mesquitas da rua Jiefang, um dos cenários dos violentos choques do domingo passado (5), permanecem fechadas e foi pedido aos muçulmanos que "rezem em casa". O imame de uma dessas mesquitas disse à imprensa que o templo permanece fechado "por razões de segurança".
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No entanto, responsáveis por assuntos religiosos da região de Xinjiang recomendaram aos crentes que cumpram o "salah" ou reza (um dos cinco pilares do Islã) em seus lares, algo que disseram ser habitual em tempos de pragas ou distúrbios sociais.
Os confrontos do último dia 5 começaram com a repressão dos protestos de uigures, que deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O grupo de uigures, minoria muçulmana na China, protestava contra o governo chinês por ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência.
Após o domingo de violência, os chineses da maioria han, que vivem décadas de confrontos com os uigures, foram às ruas protestar contra o episódio de violência e os danos causados a lojas, carros e estabelecimentos comerciais em meio aos distúrbios.
Milhares de soldados chineses tomaram posição nas ruas de Urumqi afetadas pelos distúrbios, em uma demonstração de força com o objetivo de sufocar a violência étnica.
Para o presidente Hu Jintao, que quebrou o silêncio sobre o caso nesta quinta-feira, a manutenção da estabilidade social na Província de Xinjiang é a "tarefa mais urgente". Hu descreveu o conflito como "um crime sério, violento planejado com cuidado e organizado por três forças no país e no exterior", em uma aparente referência a extremistas religiosos, separatistas e terroristas.
Autoridades pediram que os responsáveis pelos distúrbios se entreguem, do contrário terão de enfrentar duras punições. Li Zhi, chefe do Partido Comunista em Urumqi, disse que vai propor a pena de morte para os agitadores que recorrerem a assassinatos na cidade dividida entre chineses das etnia uigur e han.
Os que se entregarem serão tratados com mais condescendência ou mesmo ficar livres de punição, diz o noticiário divulgado pelo governo. Qualquer pessoa que apresentar provas ou entregar suspeitos será recompensada e protegida pela polícia, dizem as autoridades, que criaram uma linha telefônica especial para isso.
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