Mundo
10/07/2009 - 07h28

Após diálogo sem avanço, líder interino diz que Zelaya deve ser julgado em Honduras

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da Folha Online

Após uma rodada de negociações sem avanços na Costa Rica, o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, reiterou nesta quinta-feira que se o presidente deposto, Manuel Zelaya, voltar ao país, será levado diretamente aos tribunais.

"Estamos de acordo com o retorno dele, mas diretamente para os tribunais", declarou Micheletti a jornalistas, após retornar de San José, de um diálogo em busca de soluções para a crise política causada pela deposição de Zelaya, no último dia 28.

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Micheletti retornou ao país depois de se reunir durante quase uma hora com o presidente da Costa Rica e prêmio Nobel da Paz, Óscar Arias, que aceitou mediar a crise política a pedido do governo dos Estados Unidos.

Arias se reuniu com ambas as partes, mas a jornada de conversas terminou sem que tivessem sentado na mesma mesa o presidente deposto e Micheletti --uma cena emblemática de quão difícil será o diálogo entre duas partes que se dizem dispostas a ouvir, mas não a negociar a divergência no mais crucial ponto da crise: o retorno de Zelaya à Presidência.

"Estamos bem, sem novidades e contentes. Sabemos que a situação com os demais países da América e o mundo é um pouco difícil, mas tenho muita fé em Deus de que pouco a pouco vamos recuperando essa credibilidade", assinalou Micheletti, indicando que sua ida à Costa Rica pode ter sido uma estratégia não para negociar o poder em Honduras, mas para tentar reverter o isolamento internacional.

O atual presidente hondurenho insistiu que não houve golpe de Estado, mas "uma sucessão constitucional".

Sobre o diálogo na Costa Rica, assegurou que analisará do seu país o desenvolvimento dos eventos "para depois dar instruções".

Agenda

O principal objetivo de Arias para essa quinta era estabelecer uma agenda de temas a discutir, para depois colocar na mesma mesa Zelaya e Micheletti, algo que não aconteceu pois o líder em exercício decidiu retornar a Honduras.

Arias se reuniu separadamente com ambos para conhecer suas reivindicações sobre a profunda crise política que Honduras atravessa desde 28 de junho, quando o Exército expulsou Zelaya do país e, logo em seguida, Micheletti assumiu a chefia de Estado.

Depois de quase três horas fechado com o mediador, Micheletti declarou que retornava ainda nesta quinta a seu país, mas que deixava instalada uma comissão de diálogo para continuar as conversas com a equipe de Zelaya, destinadas a solucionar o conflito hondurenho.

"Foi iniciado o diálogo e fica instalada nossa comissão de trabalho, que é integrada pelo ex-chanceler Carlos López, Arturo Currais, Mauricio Villega (ambos assessores do líder), e Vilma Morales, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça", disse Micheletti ao fim do encontro com Arias.

Zelaya, que permanece na Costa Rica, nomeou como representantes sua chanceler, Patricia Rodas; Silvia Ayala, deputada de Partido Unificação Democrática; Salvador Zúniga, coordenador de organizações populares, e Milton Jiménez, presidente de Comissão de Bancos e Seguros.

O presidente deposto, que chegou à Costa Rica nesta quarta-feira, se reuniu com Arias durante menos de uma hora e declarou após o encontro que acredita que foi "congruente com a posição de Honduras, a restituição do Estado de direito e a democracia".

Zelaya viaja nesta sexta-feira para Santo Domingo, na República Dominicana, onde se reunirá com o presidente Leonel Fernández, segundo fontes do governo local.

Gelo

A ministra da Comunicação costarriquenha, Mayi Antillón, declarou em coletiva de imprensa que o importante é que "foi iniciado o diálogo e que se está conversando respeitosamente".

Antillón contou que essa é uma "primeira etapa" na qual se pretende "quebrar o gelo" e elaborar a agenda de assuntos a abordar, por isso que Arias está apenas ouvindo as posições dos dois lados.

Em uma futura segunda fase, explicou a ministra, Zelaya e Micheletti confirmaram a Arias a vontade de participar das conversas.

A ministra negou que as gestões desta quinta tenham fracassado e evitou prever por quanto tempo se estenderá esta primeira fase de diálogo, mas reconheceu que é provável que termine nesta sexta.

Arias, que não deu declarações à imprensa, não pôde cumprir seu objetivo de sentar em uma mesma mesa que Micheletti e Zelaya, mas agora dialoga com as comissões, em companhia de seu irmão e ministro da Presidência, Rodrigo Arias, de seu chanceler, Bruno Stagno, e da ministra da Justiça, Viviana Martín.

A jornada foi marcada, além disso, por um grande grupo de manifestantes que protestou contra a presença de Micheletti no país e gritou palavras de ordem a favor de Zelaya e contra o golpe de Estado.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder no último dia 28 em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: 'se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Eduardo Carvalho (22) 28/11/2009 13h46
Eduardo Carvalho (22) 28/11/2009 13h46
Prezado sr. Edvaldo... em partes eu concordo com o sr., em outras não. Veja bem, para mim, uma pessoa que co mseu esforço consegue se destacar e atingir uma classe social elevada tem é que por honra ao seus sacrifícios e sofrimentos para chegar onde chegou, manter a humildade e lutar para que mais pessoas consigam ascender rumo ao sucesso financeiro, tornando mais digna a vida das pessoas, ou seja, fazer a sua parte, já que agora pode ajudar de alguma forma os mais necessitados. Concordo com o sr, de que os bolsas quaisquer coisas são bem intencionados, mas são programas incompletos que nada fazem do que tampar o sol com a peneira, pois matam a fome, mas não dão condição alguma do cidadão de bem crescer, pois ele para no matar a fome... e não no conseguir dinheiro ou oportunide para a pessoa progredir. Realmente os extremos aqui no Brasil como em quaisquer outros países capitalistas em desenvolvimento existem de forma triste e visível, e o pior é ver que as boas intenções do nosso presidente não dão em nada... não votei no Lula da primeira vez, não votei na segunda e não votaria uma terceira, não pelo que ele não fez ou desejava fazer, mas por certas ações no plano internacional que não aprovo. Ele insiste em defender os interesses dos outros enquanto deveria defender os nossos! Aí é que está a questão para mim... quantos bolsas poderiam ser dados com a despesa da comitiva do Zelaya que arranchou na embaixada?!? sem opinião
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José Alberto (214) 28/11/2009 13h40
José Alberto (214) 28/11/2009 13h40
Eu como brasileiro quero que o governo federal aceite o regime que a maioria do povo hondurenho votar e não ficar em cima do muro levando pedradas,eles estão votando então nós como brasileiros devemos aceitar suas decisões sejam elas erradas ou não, e mais devolvam o zelaya a eles e não o tragam para o nosso BRASIL, pois já chega um terrorista que temos aqui... e é da Italia.... sem opinião
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José Carlos (164) 28/11/2009 13h37
José Carlos (164) 28/11/2009 13h37
Impressionante a quantidade de "novos petistas" que estão participando das nossas salas de discussões. É só observar a quantidade de mensagens ( 3 ou 4 no máximo) todos em defessa férrea do nosso presidente, da Mãe do PAC e do Sr. Chavez. Que maravilha!!!!!!!! sem opinião
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