Mundo
10/07/2009 - 09h40

Lula diz que crise em Honduras não tem solução fácil

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da France Presse, em Áquila

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que a crise causada pelo golpe de Estado do último dia 28 de junho em Honduras não é fácil de resolver. Em entrevista coletiva concedida ao fim da reunião de cúpula do G8 (grupo dos sete países mais desenvolvidos mais a Rússia), em Áquila (Itália), o presidente afirmou que a solução pode demorar dias.

"Estas coisas, muitas vezes levam dias. Se fosse fácil já teria sido resolvida", declarou Lula ao ser questionado sobre a situação em Honduras, que criticou duramente como um golpe de Estado que lembra o passado sombrio das ditaduras na América.

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A declaração de Lula veio um dia após a primeira rodada de negociações entre o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, e o presidente destituído, Manuel Zelaya, na Costa Rica.

Os dois presidentes hondurenhos não se encontraram pessoalmente, mas conversaram com o o presidente costarriquenho, Oscar Arias, prêmio Nobel da Paz, para estabelecer uma agenda de conversas.

Sem avanços claros, as conversas devem continuar com as delegações de Micheletti, que voltou a Honduras, e Zelaya, que permaneceu no país.

Na véspera, Lula e o presidente mexicano, Felipe Calderón, condenaram em Áquila o golpe de Estado em Honduras e concordaram em trabalhar para fortalecer a unidade da América Latina.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder no último dia 28 em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: 'se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Comentários dos leitores
Santos Júnior (304) 24/11/2009 23h59
Santos Júnior (304) 24/11/2009 23h59
Por falar em MST, o apoio do governo aos interesses meramente ideológicos chegou ao extremo.Numa certa invasão, os militantes sem-terras mataram 4 seguranças da fazenda invadida.Questionado a respeito do ocorrido, o nosso Ministro da Justiça Tarso Genro diz que "mataram para se defenderem" e que este ato em si significa a luta para garantia de seus direitos!Daqui a pouco qualquer bandidinho comunista que sair matando mundo afora vai receber asilo político aqui no Brasil, o que já está acontecendo...Oh Brasil sem jeito !! sem opinião
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Leon Diniz Diniz (410) 24/11/2009 21h53
Leon Diniz Diniz (410) 24/11/2009 21h53
Caríssimo Antonio Gilson de Oliveira, não tenho por habito comentar os post dos colegas que aqui escrevem. Eu já tinha até dado por encerrado fazer qualquer comentário sobre o caso Honduras que foi a meu sentir, um dos piores equívocos diplomáticos do governo Lula em toda sua administração. Permita-me tomar a liberdade de escrever para parabeniza-lo, pelo ato patriótico, lição de civismo e contribuição para a compreensão do que pode um brasileiro indignado fazer após ver a quebra da ordem estabelecida pela nossa Carta Mágna e a violação ao princípio de não ingerência na liberdade, independência e soberania de outras nações. É bom que se frise, o seu gesto patriótico não foi contra a pessoa do Lula, pois este um dia passará como passam todos os governos. Sua atitude, Antonio Gilson foi a favor do Brasil e do respeito e admiração que a nossa Pátria sempre despertou nas outras nações. Parabéns, e obrigado pela sua contribuição à democracia. sem opinião
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eduardo de souza (484) 24/11/2009 18h28
eduardo de souza (484) 24/11/2009 18h28
Já ouvi essa conversa de desarmar a população. Não deu certo aqui no Brasil. Por que acham que irá dar certo em Honduras. Outra coisa, se as ações do governo golpista estão fundamentadas no apoio da população, porque fechar canais de tv e rádios, decretar toque de recolher e o mais recente a "tentativa de desarmar a população". Agora talvez alguns leitores percebam que o que aconteceu em Honduras não foi correto e nem tampouco apoiado pela população. Honduras ainda escreverá muita história para ser exemplo na Am. Latina. Talvez entendam de uma vez por todas que não é mais suportável, suportar que uma pequena classe privilegiada, controlem o destino de muitos. Quem não entende pelo amor, na dor, não volta a cometer o mesmo erro. 1 opinião
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