Mundo
10/07/2009 - 11h46

Cidade chinesa impõe novo toque de recolher; milhares fogem de conflitos

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da Folha Online

As autoridades da cidade de Urumqi, capital da Província de Xinjiang, impuseram nesta sexta-feira um novo toque de recolher para tentar conter novos protestos e confrontos como os que resultaram na morte de 156 pessoas no último dia 5. Milhares de muçulmanos uigures fogem da cidade com medo de uma escalada na violência da repressão policial e dos confrontos com a maioria han.

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O toque de recolher havia sido cancelado no fim desta quinta-feira depois de um dia de intensa presença militar nas ruas da cidade para forçar à volta à normalidade. A situação, contudo, ainda é tensa.

AP
Uigures rezam em mesquita de Urumqi apesar de ordem do governo para que fossem fechadas nesta sexta-feira, dia sagrado
Uigures rezam em mesquita de Urumqi apesar de ordem do governo para que fossem fechadas nesta sexta-feira, dia sagrado

O fluxo de viajantes é maior que o normal, como relatam repórteres da agência de notícias Efe. O aeroporto está cheio, assim como as estações de ônibus e e de trem, o meio de transporte mais barato e acessível à pobre população uigur. A maioria dos passageiros do aeroporto eram chineses, embora de ambas as etnias.

Quase 10 mil pessoas deixaram a cidade a cada dia no decorrer da semana desde a violência de domingo, o dobro do normal., segundo estimativas da agência de notícias France Presse.

Os revendedores de passagens no mercado negro confirmaram que os moradores deixam a cidade com medo. "Muitas pessoas vão embora porque têm medo. Está difícil comprar passagens", explica um deles à France Presse. O cambista admitiu ainda que multiplicou por cinco o preço de algumas passagens.

Parte dos mais de 20 mil militares deslocados para garantir a segurança após o piro confronto desde 1949, segundo Pequim, foram alocados nesta sexta-feira em locais de grande movimentação e nas 200 principais mesquitas da cidade.

As autoridades queriam manter as mesquitas fechadas nesta sexta-feira, dia sagrado de oração pra os muçulmanos, para evitar reuniões que pudessem desencadear em novos distúrbios.

Os uigures, contudo, pressionaram as forças de segurança que acabaram cedendo e abrindo as portas de algumas mesquitas em áreas de Urumqi.

Histórico

No domingo passado (5), a repressão dos protestos de uigures resultou na morte de 156 pessoas e deixou mil feridos, segundo dados oficiais. O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uigur em Urumqi.

Os manifestantes criticavam o governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.

A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.

O governo deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos e não citou quem são as 156 vítimas dos distúrbios. Eles acusam uma empresária uigur, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.

O Partido Comunista da China anunciou que os responsáveis pela violência, as mais graves em Xinjiang nas últimas décadas, receberão uma "punição severa".

As autoridades prenderam 1.400 pessoas em Urumqi, a maioria entre a comunidade uigur.

 

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