Mundo
10/07/2009 - 14h36

Franceses voltam a protestar por morte em prisão; governo ordena autópsia

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da Folha Online

Jovens da cidade de Firminy, no sudeste da França, queimaram carros e atacaram lojas pela terceira noite consecutiva nesta quinta-feira em protesto pela morte de um jovem de origem árabe sob a custódia da polícia. Um promotor público pediu uma nova autópsia no corpo do jovem para tentar explicar a morte e evitar uma escalada dos protestos.

Os ataques começaram tarde da noite na quinta-feira, após cerca de 200 pessoas terem se reunido diante da casa da família de Mohamed Benmouna, 21. Ele foi preso por suspeita de extorsão e logo após seu encarceramento entrou em coma e morreu.

Philippe Vacher/Efe
Bombeiros tentam extinguir chamas de incêndio causado por jovens em protesto contra morte de árabe sob a custódia da polícia
Bombeiros tentam extinguir chamas de incêndio causado por jovens em protesto contra morte de árabe sob a custódia da polícia

Cerca de 150 policiais antimotim, com ajuda de um helicóptero, enfrentaram os manifestantes no centro da cidade, depois que os jovens colocaram fogo em uma padaria, uma farmácia e várias lojas.

As grades de metal que protegem as lojas, e os jovens atirando pedras, dificultaram o trabalho do Corpo de Bombeiros para apagar o fogo, disseram autoridades.

A polícia afirmou que Benmouna usou as cordas de um colchão para se enforcar na noite de quarta-feira e entrou em coma, mas a família do jovem diz não acreditar nessa versão. As câmeras de segurança da delegacia onde o rapaz estava preso, que poderiam provar a história, não estavam funcionando.

Eles iniciaram um processo na Justiça na quinta-feira para esclarecer as circunstâncias da morte, mas pediram aos manifestantes que mantenham a calma.

Uma autópsia confirmou que ele morreu de sufocação e que seu corpo não mostrava sinais de violência, de acordo com a promotoria pública de Saint-Etienne, a maior cidade mais próxima de Firminy.

Nove pessoas foram presas na quarta-feira após protestos noturnos na terça-feira, quando Benmouna ainda estava vivo, mas em coma após o incidente.

Autópsia

O promotor Jacques Pin ordenou uma segunda autópsia no corpo de Benmouna para, assim, "tomar o máximo de precauções e honrar o pedido da família".

"As conclusões serão comparadas com àquelas de quinta-feira que excluíram qualquer sinal de violência", disse.

Em 2007, tumultos similares, envolvendo jovens de origens árabes e imigrantes, causaram grandes prejuízos para a França. O conflito começou com a morte de dois adolescentes, atropelados na colisão de sua moto com uma viatura da polícia e acabou com a destruição de centenas de carros, incendiados por manifestantes.

Com Reuters e Associated Press

 

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