Franceses voltam a protestar por morte em prisão; governo ordena autópsia
da Folha Online
Jovens da cidade de Firminy, no sudeste da França, queimaram carros e atacaram lojas pela terceira noite consecutiva nesta quinta-feira em protesto pela morte de um jovem de origem árabe sob a custódia da polícia. Um promotor público pediu uma nova autópsia no corpo do jovem para tentar explicar a morte e evitar uma escalada dos protestos.
Os ataques começaram tarde da noite na quinta-feira, após cerca de 200 pessoas terem se reunido diante da casa da família de Mohamed Benmouna, 21. Ele foi preso por suspeita de extorsão e logo após seu encarceramento entrou em coma e morreu.
| Philippe Vacher/Efe |
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| Bombeiros tentam extinguir chamas de incêndio causado por jovens em protesto contra morte de árabe sob a custódia da polícia |
Cerca de 150 policiais antimotim, com ajuda de um helicóptero, enfrentaram os manifestantes no centro da cidade, depois que os jovens colocaram fogo em uma padaria, uma farmácia e várias lojas.
As grades de metal que protegem as lojas, e os jovens atirando pedras, dificultaram o trabalho do Corpo de Bombeiros para apagar o fogo, disseram autoridades.
A polícia afirmou que Benmouna usou as cordas de um colchão para se enforcar na noite de quarta-feira e entrou em coma, mas a família do jovem diz não acreditar nessa versão. As câmeras de segurança da delegacia onde o rapaz estava preso, que poderiam provar a história, não estavam funcionando.
Eles iniciaram um processo na Justiça na quinta-feira para esclarecer as circunstâncias da morte, mas pediram aos manifestantes que mantenham a calma.
Uma autópsia confirmou que ele morreu de sufocação e que seu corpo não mostrava sinais de violência, de acordo com a promotoria pública de Saint-Etienne, a maior cidade mais próxima de Firminy.
Nove pessoas foram presas na quarta-feira após protestos noturnos na terça-feira, quando Benmouna ainda estava vivo, mas em coma após o incidente.
Autópsia
O promotor Jacques Pin ordenou uma segunda autópsia no corpo de Benmouna para, assim, "tomar o máximo de precauções e honrar o pedido da família".
"As conclusões serão comparadas com àquelas de quinta-feira que excluíram qualquer sinal de violência", disse.
Em 2007, tumultos similares, envolvendo jovens de origens árabes e imigrantes, causaram grandes prejuízos para a França. O conflito começou com a morte de dois adolescentes, atropelados na colisão de sua moto com uma viatura da polícia e acabou com a destruição de centenas de carros, incendiados por manifestantes.
Com Reuters e Associated Press
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