Mundo
10/07/2009 - 14h57

Governo chinês diz que maioria das 184 vítimas de protestos são hans

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da Folha Online

O governo chinês afirmou nesta sexta-feira que o número de mortos pelos confrontos étnicos na cidade de Urumqi, na Província de Xinjiang (noroeste), aumentou para 184. Pela primeira vez, Pequim detalhou quem foram as vítimas da violência causada pela repressão policial e pelos confrontos entre a maioria étnica han e a minoria uigur.

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Segundo os dados oficiais, citados pela agência Xinhua, as vítimas incluem 137 membros da maioria étnica han e 46 uigures. Uma última vítima era da etnia hui. O balanço anterior indicava apenas que 156 pessoas haviam morrido.

"Entre os mortos, 137 são hans --111 homens e 26 mulheres. Quarenta e seis são uigures, 45 deles homens e uma mulher", disse a agência.

Os confrontos do último dia 5 começaram com a repressão das forças de segurança aos protestos de uigures. O grupo de uigures, minoria muçulmana na China, protestava contra o governo chinês por ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica de brinquedos da Província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência.

Após o domingo de violência, os chineses da maioria han, que vivem décadas de confrontos com os uigures, foram às ruas protestar contra o episódio de violência e os danos causados a lojas, carros e estabelecimentos comerciais em meio aos distúrbios.

As minorias há muito se queixam que membros da etnia han colhem a maioria dos benefícios dos investimentos e dos subsídios oficiais, enquanto fazem com que os moradores locais sintam-se como estrangeiros.

Os uigures, uma etnia de origem turca, predominantemente muçulmana, eram mais de 80% dos moradores de Xinjiang ( que hoje tem 20 milhões de habitantes), mas nas últimas décadas o governo chinês empreendeu uma política de imigrações de chineses han para a região.

Repressão

Milhares de soldados chineses tomaram as ruas de Urumqi afetadas pelos distúrbios, em uma demonstração de força com o objetivo de sufocar a violência étnica, classificada pelo governo chinês como a pior desde 1949.
Em Washington, a dissidente uigur no exílio, Rebiya Kadeer, que Pequim responsabiliza pelos protestos, afirmou que milhares de pessoas podem ter sido mortas durante a violência étnica dos últimos dias.

O Partido Comunista da China anunciou que os responsáveis pela violência, as mais graves em Xinjiang nas últimas décadas, receberão uma "punição severa".

As autoridades prenderam 1.400 pessoas em Urumqi, a maioria entre a comunidade uigur.

Toque de recolher

As autoridades da cidade de Urumqi impuseram nesta sexta-feira um novo toque de recolher para tentar conter novos protestos e confrontos. Milhares de muçulmanos uigures fogem da cidade com medo de uma escalada na violência da repressão policial e dos confrontos com a maioria han.

O toque de recolher havia sido cancelado no fim desta quinta-feira depois de um dia de intensa presença militar nas ruas da cidade para forçar à volta à normalidade. A situação, contudo, ainda é tensa.

O fluxo de viajantes é maior que o normal, como relatam repórteres da agência de notícias Efe. O aeroporto está cheio, assim como as estações de ônibus e e de trem, o meio de transporte mais barato e acessível à pobre população uigur. A maioria dos passageiros do aeroporto eram chineses, embora de ambas as etnias.

Quase 10 mil pessoas deixaram a cidade a cada dia no decorrer da semana desde a violência de domingo, o dobro do normal, segundo estimativas da agência de notícias France Presse.

Parte dos mais de 20 mil militares deslocados para garantir a segurança após o piro confronto desde 1949, segundo Pequim, foram alocados nesta sexta-feira em locais de grande movimentação e nas 200 principais mesquitas da cidade.

As autoridades queriam manter as mesquitas fechadas nesta sexta-feira, dia sagrado de oração pra os muçulmanos, para evitar reuniões que pudessem desencadear em novos distúrbios.

Os uigures, contudo, pressionaram as forças de segurança que acabaram cedendo e abrindo as portas de algumas mesquitas em áreas de Urumqi.

Arte/Folha de S.Paulo
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