Saiba mais sobre a líder exilada dos uigures nos EUA, principal voz da etnia no mundo
da Folha Online
Rebiya Kadeer, 62 anos, é a principal voz dos uigures no mundo desde que as revoltas envolvendo a etnia muçulmana explodiram na China no último dia 5. A empresária e ativista política é acusada pelo governo chinês de incitar as revoltas de muçulmanos na província de Xinjiang.
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Kadeer nasceu pobre, mas se tornou em uma das uigures mais ricas da China depois de começar com uma simples lavanderia e expandir para outros negócios. Com o dinheiro e o status reconhecido, entrou na política em 1995 e se tornou parlamentar na Conferência Consultiva do Povo da China, órgão que é formado por pessoas que recebem o título honorário de assessores do governo.
| Pablo Martinez Monsivais/AP |
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| Rebiya Kadeer é a principal voz dos uigures no mundo desde que revoltas eclodiram |
Ela atingiu relativo prestígio com o governo chinês tanto que foi enviada a reuniões da ONU (Organização das Nações Unidas) para debater o direito das mulheres. Seus problemas com as autoridades começaram em 1998 --quando foi formalmente acusada de participar de revoltas muçulmanas na província de Xinjiang, ocorridas em 1997. A revolta terminou com nove mortes e a execução de 30 uigures.
Em 1999, Kadeer foi presa enquanto participava de uma reunião com uma delegação de congressistas dos EUA, supostamente por revelar segredos de Estado. Por este caso, Kadeer foi condenada a oito anos de prisão em 2000. Cinco anos depois, em março de 2005, as autoridades penitenciárias chinesas autorizaram sua transferência para os EUA por supostas razões médicas. Desde então, ela vive no exílio --e se tornou presidente do Congresso Mundial Uigur.
Mesmo antes de ser libertada, ela já havia se tornado um símbolo da repressão do governo chinês à minoria étnica uigur, quando foi agraciada com o prêmio Thorolf Rafto, de direitos humanos na Noruega, em 2004. Em 2006, foi indicada para o prêmio Nobel da paz.
Kadeer é mãe de 11 filhos, sendo que um destes está preso na China. Pela militância em prol da causa da minoria muçulmana ficou conhecida como a "dalai-lama uigur" ou "mãe dos uigures".
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