Mundo
20/07/2009 - 07h52

Único suspeito capturado vivo confessa participação em ataques na Índia

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da Folha Online

O paquistanês Mohammed Ajmal Kasab, o único suspeito capturado vivo durante os ataques terroristas à cidade indiana de Mumbai, em novembro de 2008, confessou nesta segunda-feira ao juiz sua participação nos atentados que deixaram 172 mortos.

Kasab, 21, pediu ao tribunal de Mumbai, onde está sendo julgado, o uso da palavra para confessar sua participação nos atentados realizados entre 26 e 29 de novembro na capital financeira da Índia, afirmou a televisão indiana NDTV.

Arko Datta/Reuters
Foto mostra chamas no hotel Taj Mahal, um dos alvos dos atentados de novembro passado
Foto mostra chamas no hotel Taj Mahal, um dos alvos dos atentados de novembro passado

O paquistanês faz parte do grupo Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, oficialmente, reivindicou a autoria dos ataques. O governo indiano, com base nos depoimentos de Kasab, afirmou, contudo que os verdadeiros patrocinadores dos ataques foram os militantes do grupo islâmico paquistanês Lashkar-e-Taiba.

Kasab havia se declarado inocente anteriormente e negado todas as acusações a ele atribuídas, entre elas a de "atos de guerra" contra a Índia. Nesta segunda-feira, ele mudou o testemunho e contou ao tribunal como o comando terrorista que cometeu o atentado em Mumbai chegou à cidade de barco a partir de Karachi, no Paquistão.

O suposto terrorista fez a confissão perante o juiz especial encarregado do caso, M.L. Tahiliyani, a quem deu os nomes de quatro organizadores do atentado --entre eles o de Zakiur Rehman Lakhvi, comandante do Lashkar-e-Taiba, segundo a imprensa indiana.

A polícia indiana já havia identificado Lakhvi como o "cérebro" da operação, algo que Kasab também fez em sua confissão nesta segunda-feira.

Lakhvi foi detido no Paquistão, dentro de uma investigação paralela do atentado aberta por esse país perante as pressões indianas para que atuasse contra o grupo radical.

No total, 47 pessoas estão sendo acusadas pela justiça indiana, o que inclui os dez membros do comando terrorista --nove dos quais foram mortos por agentes indianos durante os ataques-- e membros do Lashkar-e-Taiba que supostamente estão no Paquistão.

Kasab admitiu a participação no ataque à estação de trens Chhatrapati Shivaji Terminus (CST) de Mumbai, onde as câmeras de segurança o filmaram armado e com uma mochila nas costas, e após o qual foi detido pelas forças de segurança indianas.

O promotor do caso, Ujwal Nikam, disse à imprensa ao sair do tribunal --segundo retransmitiu o canal NDTV-- que a confissão do acusado surpreendeu tanto a Promotoria quanto a polícia, já que Kasab tinha recorrido a "diferentes táticas" para dilatar o processo contra ele.

O paquistanês e os indianos Fahim Ansari e Sabahuddin Ahmed, que supostamente deram apoio logístico ao comando que atacou a cidade portuária, são os únicos três detidos na Índia pelo atentado de 2008.

Ataques

Os ataques terroristas coordenados atingiram regiões nobres de Mumbai, onde ficam dois de seus mais luxuosos hotéis, o Taj Mahal e o Oberoi Trident, o aeroporto internacional e o Café Leopold, frequentado por gente de Bollywood (a gigante indústria cinematográfica indiana).

Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, delegacias e um hospital.

 

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