Mundo
31/07/2009 - 07h24

Presidente interino de Honduras aceitará restituição de deposto, dizem aliados

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da Folha de S.Paulo

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, está disposto a negociar a restituição do mandatário deposto, Manuel Zelaya, ao poder --ponto-chave do acordo proposto e até agora refutado. Mas depende do apoio de outros setores do regime golpista e da elite econômica do país, de acordo com funcionários do alto escalão do governo.

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Sob condição de anonimato, os funcionários dizem que Micheletti não é o principal responsável pelo entrave nas negociações e que a maior resistência parte de membros poderosos de outras instâncias do regime e da elite econômica, que estão irredutíveis.

Edgard Garrido/Reuters
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, cercado de repórteres, em Tegucigalpa; ele deverá aceitar a volta de Zelaya
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, cercado de repórteres, em Tegucigalpa; ele deverá aceitar a volta de Zelaya

Segundo o "New York Times", essa situação foi exposta por Micheletti ao presidente da Costa Rica e mediador do impasse, Óscar Arias, em conversa por telefone anteontem, quando o presidente interino pediu o envio de uma comissão para promover um diálogo interno de reconciliação.

A preferência de Micheletti é de que seja enviado o uruguaio Enrique Iglesias, secretário-geral ibero-americano. Segundo Arias, o pedido será analisado no fim de semana, quando Iglesias vai para a Costa Rica.

Ontem, Micheletti criticou os EUA por cancelarem os vistos diplomáticos de quatro autoridades do governo golpista, dizendo que os americanos deveriam apoiar a mediação e a solução pacífica em vez de aplicar sanções.

Sinais ambivalentes

A declaração é mais um sinal de ambiguidade na posição do presidente interino, que em alguns momentos se mostra disposto a aceitar o Acordo de San José proposto por Arias, e, em outros, fecha as portas para uma possível volta de Zelaya.

O Congresso do regime golpista, que votaria a proposta de acordo ontem, adiou para a próxima segunda-feira a discussão de um relatório feito por uma comissão de deputados.

Reuters
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fala aos meios de comunicação em Managua (Nicarágua), fronteira com Honduras
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fala aos meios de comunicação em Managua (Nicarágua), fronteira com Honduras

O adiantamento da eleição de novembro para outubro, um dos pontos previstos no acordo, já foi descartado nesta semana pelo TSE (Tribunal Supremo Eleitoral), que argumentou inconstitucionalidade.

Segundo o jornal alinhado aos golpistas "El Heraldo", de Tegucigalpa, a Associação de Magistrados da Corte Suprema de Justiça também se manifestou contrária ao acordo, dizendo ser inaceitável a anistia legal para ambos os polos da disputa, outra condição prevista no Acordo de San José.

Do outro lado do conflito, um encontro entre Zelaya e uma comitiva enviada pelos EUA foi realizado na Embaixada de Honduras na Nicarágua na tarde de ontem. O embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, que participou da reunião, disse que a conversa tratou da mediação internacional para resolver o conflito.

Hoje, a OEA (Organização dos Estados Americanos), que suspendeu Honduras depois do golpe, realiza sessão extraordinária para debater a crise no país. Analistas especulam que o órgão pode aprovar novas medidas contra o regime golpista. Em Tegucigalpa, marchas e bloqueios de estrada realizados por apoiadores de Zelaya foram violentamente dispersados ontem pelo Exército e pela polícia hondurenha (leia ao lado).

Com agências internacionais e o "New York Times"

Comentários dos leitores
Sergio Lavinas (208) 29/11/2009 13h06
Sergio Lavinas (208) 29/11/2009 13h06
O que fazer com o Zelaya?
Que pergunta mais estupida?
O Lula dá refugio bem remunerado ao homem Mané Zelaya aqui no país dos idiotas pagadores de impostos!
Devido à biografia do Zelaya , que é repleta de atos contra os pobres de Honduras, Lula fornecerá também uma fazendinha do tamanho de Sergipe lá pelas bandas de Roraima na fronteira com a Venezuela.
Para fins de defesa pessoal, Lula dará ao Zelaya o direito de execução sumária de qualquer brasileiro nato que tentar lutar e não aceitar a posse do glorioso Zelaya naquela terra.
Para financiamento, Lula ordenará que BNDES converse com o Mané.
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Celso Francisco de Paula (13) 29/11/2009 12h58
Celso Francisco de Paula (13) 29/11/2009 12h58
Uma dúvida: como deveria se comportar um grande jornal brasileiro diante da situação hondurenha?
Já pensaram essa mídia dizer a verdade? Comprometeria o seu único assinante daquele país.
Então, o remédio é fazer de conta que não está nem aí. Que só noticia os acontecimentos com imparcialidade.
Porque, seja qual for o resultado do conflito que acontecer lá (o óbvio que vai acontecer), dirá: Nada ouvimos, nada soubemos antes. Fomos fiéis com a verdade. Pilatos explica,
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eduardo de souza (493) 29/11/2009 12h44
eduardo de souza (493) 29/11/2009 12h44
Sr. Haremhab Hassan, lhe incomoda falarem verdades? Achas que todos dormem? Meu caro, grande defensor da tirania estadounidense e cia, seus idolos estão por um fio, são tão podres que necessitam de apenas um sopro para cairem por terra. Sinto muito se irás perder sua boquinha, mas... corra atrás.
"Honduras", lendo alguns jornais de fora, fiquei meio que impressionado com uma matéria em particular, do GRANMA em Cuba. Noticia esse jornal sobre a possibilidade de Zelaya pedir abrigo politico na Nicarágua. Estão os jornalistas, questionando a lisura dessa "armada" eleição. Acreditam que haverá manipulação completa em favorecimento aos interesses dos Eua.
O problema é que daqui até o fim do dia o comparecimento as urnas é que ditará o quanto o povo de Honduras esta reagindo. Por um lado, o cerco economico, as restrições aos direitos da constituição, a pressão na base do fuzil, tem desorientado os cidadãos. Por outro lado, tomar ações severas contra o cabresto N. Amer. levaria Honduras a uma querra civil. Em todo caso, somente no final do dia é que saberemos como ficaram as "coisas".
O papel que fez o Brasil nesse cenário foi do mais digno, ficou alertado para todo e qualquer golpista que aqui não tem não. Não somos pacatos como são os de lá, e... O tio Sam, para quem foi mandado o recado, já sabe com quem estão lidando.
NAÇÃO HONDURENHA, O DESTINO DE VOCES ESTÁ SENDO TRAÇADO, OU A ESCRAVIDÃO, OU A LIBERDADE... BOA SORTE.
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