Fujimori alega inocência após Lima solicitar extradição a Tóquio
da Folha OnlineO ex-presidente peruano Alberto Fujimori disse ontem ser "completamente inocente", após o pedido de extradição entregue pelas autoridades de Lima no Japão, onde está exilado há quase três anos.
"Sou completamente inocente", disse, numa entrevista concedida a um canal de TV peruano, acrescentando que o dossiê entregue pelo embaixador peruano em Tóquio "não contém a mínima prova".
Lima quer julgar Fujimori sob a acusação de diversos crimes, mas o pedido de extradição contém apenas as acusações de homicídio --os assassinatos supostamente realizados por um esquadrão da morte paramilitar conhecido como Grupo Colina.
| Reuters - 26.nov.2000 |
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| O ex-presidente Alberto Fujimori, refugiado no Japão |
Ontem, o ministro peruano de Relações Exteriores, Allan Wagner, disse que o Peru recorrerá ao Tribunal Penal Internacional, em Haia (Holanda), para julgar Fujimori por supostos crimes contra a humanidade caso o Japão negue a extradição pedida por Lima.
Wagner afirmou que o Peru recorrerá a essa instância caso a nacionalidade japonesa de Fujimori se constitua em um obstáculo para a sua extradição. O ex-presidente é filho de imigrantes japoneses.
Haia
"O caso ante a Corte Internacional de Haia seria sobre direitos humanos e não de nacionalidade. É muito importante considerá-lo desta maneira, já que no fundo esta é uma luta contra a impunidade e para que sejam julgados crimes contra a humanidade ante um tribunal competente", disse o chanceler.
O ministro advertiu, no entanto, que primeiro é necessário esperar uma resposta oficial e não versões extra-oficiais sobre a procedência ou não do pedido de extradição.
O embaixador do Peru em Tóquio, Luis Macchiavello, entregou ontem oficialmente ao governo japonês o pedido de extradição de Fujimori.
"Como já repetimos em várias ocasiões, atuaremos conforme a legislação japonesa, que não prevê a extradição de cidadãos japoneses", disse o porta-voz do governo japonês Yasuo Fukuda.
Em março passado, o Japão rejeitou um pedido da Interpol (polícia internacional) para prender o ex-presidente peruano.
Com agências internacionais
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