Uribe corrige Lula e diz que EUA nunca tiveram bases na Colômbia
da Folha Online
da Ansa, em Bariloche
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, corrigiu o colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ao se pronunciar pela segunda vez na reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) que acontece em Bariloche (Argentina) e que tem como foco o acordo militar que aumenta a presença militar dos Estados Unidos na Colômbia e que provocou preocupação nos vizinhos.
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| Ricardo Stucker/PR/Efe |
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| O presidente Lula prepara seu discurso enquanto ouve a colega argentina, Cristina Fernández Kirchner, em encontro da Unasul |
Uma vez assinado, o acordo permitirá aos EUA manter 1.400 pessoas, entre militares e civis, em até sete bases na Colômbia, pelos próximos dez anos. Os aliados dizem que o acordo não é novo, e sim apenas uma extensão do acordo de combate ao narcotráfico e às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) chamado de Plano Colômbia.
Mais cedo, em discurso, Lula questionou a estratégia por trás da versão de que a presença dos EUA auxilia no combate ao narcotráfico porque "as bases americanas estão na Colômbia desde 1952 e ainda não há soluções ao problema". Segundo Lula, diante disso, seria preciso "pensar em outra coisa que pudéssemos fazer em conjunto para resolver os problemas".
No sentido da união de forças no combate ao narcotráfico, Lula propôs que essa questão seja por um conselho específico da Unasul que já foi criado, "mas que ainda não saiu do papel"; e sugeriu que o Conselho Sul-Americano de Defesa, igualmente vinculado ao bloco, realize uma investigação sobre o comércio ilegal de entorpecentes em todas as fronteiras.
Embora tenha admitido que diversos governos da região são obrigados a lidar com a questão, Lula ressaltou que os maiores consumidores de substâncias ilícitas "não estão aqui" e exortou "os países ricos" a combaterem o problema dentro de suas próprias fronteiras.
Em resposta, Uribe disse que "nunca existiram bases" dos EUA na Colômbia e ressaltou crer que a sucessão de acordos militares entre Bogotá e Washington está dando bons resultados.
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O colombiano também replicou o presidente do Equador, Rafael Correa, que havia pedido que o país parasse de "culpar" seus vizinhos por seus problemas. "O problema é nosso, mas nós pedimos ajuda, presidente Correa", disse.
No discurso que provocou a reação de Uribe, Lula afirmou ainda que devem haver garantias jurídicas de que as operações americanas na Colômbia não violarão os territórios dos outros países ou poderão cometer alguns abusos. "Não está [no texto do acordo], mas também não é proibido, o que não é proibido é permitido, temos que ter cuidado com isso. Ter cuidado e tomar sopa não fazem mal a ninguém", brincou o governante.
Por fim, em tom conciliatório, Lula recomendou para os demais presidentes presentes que pensem na elaboração de uma "estratégia de paz" à América do Sul e de um "novo padrão" de relacionamento entre vizinhos. Citando Chávez e Uribe Lula pediu "moderação" nas falas reiterando que, muitas vezes, uma palavra mal colocada pode desencadear "um problema que levará meses para ser solucionado".
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