Polônia diz que mantém sistema de mísseis dos EUA no país
da Folha Online
O ministro de Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, afirmou nesta quinta-feira que o país continuará como base para uma bateria de mísseis de defesa americana, conhecidos como sistema Patriota, pouco depois do anúncio dos Estados Unidos de que mudará o plano de defesa antimísseis que incluía a instalação de dez interceptores fixos em território polonês.
Saiba mais sobre o novo plano antimísseis dos EUA na Europa
Segundo o acordo fechado pelo governo de George W. Bush entre Varsóvia e Washington, dez interceptores de mísseis balísticos de longo alcance seriam instalados até 2013 na Polônia. A instalação fazia parte de um acordo maior de ampliação do sistema de defesa aéreo da Polônia, que inclui ainda a bateria de mísseis Patriota.
"O novo elemento pe que o lado americano garantiu-nos que os Patriotas serão armados e capazes de serem usados por nosso sistema de defesa", disse Sikorski a repórteres.
O sistema de mísseis Patriota é desenhado para detectar e atingir mísseis balísticos lançados de até seis metros de comprimento. O sistema pode ainda destruir aeronaves e mísseis de cruzeiro.
O premiê da Polônia, Donald Tusk, afirmou após o discurso de Obama que espera que a Polônia tenha um papel no novo sistema de defesa americano.
"Há uma chance de fortalecer a segurança da Europa com atenção especial à Polônia", disse Tusk, acrescentando que o novo plano de Obama de uma estratégia alternativa "não afeta a segurança" do país.
"Eu não descreveria os fatos de hoje como uma derrota para a Polônia", disse Tusk aos repórteres. Segundo o premiê, Obama afirmou a ele que o país pode ganhar uma posição exclusiva no novo sistema.
Mudança
O presidente Obama confirmou na manhã desta quinta-feira uma "nova arquitetura" do plano antimísseis na Europa e afirmou que as mudanças no plano herdado do governo anterior levaram a uma estratégia "mais forte, moderna e mais rápida" de proteção aos americanos e aos aliados europeus.
O anúncio de Obama foi feito horas depois que o premiê tcheco, Jan Fischer, afirmou em entrevista coletiva que os EUA desistiram do projeto de escudo antimísseis na Europa central. Obama não citou diretamente o escudo na República Tcheca, mas afirmou que a nova configuração do plano antimísseis incluiria um investimento em tecnologia mais moderna, bases marítimas em vez de apenas terrestres e interceptores móveis --capazes de se adaptar às ameaças quando e onde estiverem.
"Para dizer de maneira mais simples, nossa nova arquitetura de defesa de mísseis na Europa proporcionará uma defesa mais forte, inteligente e rápida para as forças americanas e os aliados dos Estados Unidos que o programa de 2007", disse Obama, em anúncio na Casa Branca.
Obama explicou que a revisão no plano de defesa foi incentivada juntamente pela mudança na ameaça de mísseis balísticos iranianos que inspirou o projeto de Bush. Segundo o presidente, o governo iraniano investiu no desenvolvimento de mísseis balísticos de curto e médio alcance e afastou a ameaça de mísseis de longo alcance que parecia iminente quando o plano foi criado.
Obama reiterou ainda que a mudança no plano de defesa não exclui a cooperação com os aliados, incluindo a Polônia e a República Tcheca, que foram notificadas anteriormente sobre a revisão nos planos e sobre a manutenção dos "laços próximos" com Washington.
Com Associated Press
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