Zelaya diz ter escolhido embaixada do Brasil por ser "exemplo de democracia"
da Ansa, em Bogotá (Colômbia)
da Folha Online
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, assegurou nesta terça-feira que escolheu se refugiar na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa por considerar o país um "exemplo de democracia".
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Zelaya explicou ainda que não teve opção de ir a outras embaixadas como a da Argentina ou a da Venezuela --também aliadas a ele-- porque o corpo diplomático desses países foi expulso de Tegucigalpa pelo governo interino de Roberto Micheletti.
| Esteban Felix/AP | ||
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| Policial caminha em frente à embaixada brasileira onde o presidente Manuel Zelaya, se refugia desde ontem |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta terça-feira o apoio a Zelaya e defendeu ainda que o Brasil fez o que qualquer outro país democrático faria ao permitir o refúgio de Zelaya em sua embaixada.
"O que deveria acontecer agora é os golpistas darem um lugar a quem tem direito a este lugar, que é o presidente democraticamente eleito pelo povo", disse Lula em Nova York (EUA), onde está para a reunião da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Lula foi um dos maiores defensores públicos de Zelaya. Além de reiterados discursos pela sua restituição imediata, Lula aprovou diversas medidas de pressão contra o governo interino --como o cancelamento de vistos e a suspensão de programas de cooperação bilaterais.
O governo interino criticou a decisão brasileira e pediu à embaixada que entregue Zelaya à justiça hondurenha. O governo disse ainda que responsabilizará o Brasil por possíveis atos de violência como consequência de ter dado refúgio a Zelaya.
Histórico
Zelaya foi deposto nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Com apoio da Suprema Corte e do Congresso, militares detiveram Zelaya e o expulsaram do país, sob a alegação de que o presidente pretendia infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.
O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano-- para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.
Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.
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