Mundo
23/09/2009 - 17h22

Israel ignora pressão de Obama e elogia menção a "Estado judaico"

Publicidade

da Folha Online

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, comemorou o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta quarta-feira, por causa da referência ao Estado como "judaico". Nos comentários, entretanto, o israelense não abordou a crítica inquestionável às colônias que Israel mantém nos territórios palestinos.

EUA não podem resolver questões sozinhos, diz Obama
Obama reitera críticas a colônias de Israel e é aplaudido
Ditador líbio diz que ONU fracassou em evitar 65 guerras
Lula pede reforma internacional em discurso; leia íntegra

"Cumprimento Obama por seu apoio incondicional a Israel como Estado nacional do povo judeu", afirmou Netanyahu aos meios de comunicação. "Essa é uma bênção importante."

O grupo radical islâmico palestino, Hamas, criticou a menção. "Quando Obama diz que Israel é um Estado judeu, o que significa é que os EUA estão satisfazendo as exigências de Israel", afirmou Taher A-Nunu, porta-voz do governo da faixa de Gaza. "Essas exigências israelenses apagam o direito de retorno dos palestinos refugiados, principalmente daqueles que vivem na diáspora, e destroem completamente um direito legítimo", acrescentou o porta-voz.

Para os palestinos e boa parte da comunidade internacional, colônias judaicas construídas em territórios palestinos ocupados na Guerra dos Seis Dias (67) são ilegais e representam sérios obstáculos à paz e à criação de um futuro Estado palestino vizinho. Mas Israel defende haver um "crescimento natural" desses locais e, por isso, realiza construções.

Nos seus comentários, Netanyahu focou o pedido de Obama para que as negociações de paz sejam retomadas o quanto antes --o que não acontece principalmente devido à insistência dos palestinos para que as construções nas colônias sejam paralisadas antes, como pré-condição.

"O presidente [Obama] afirmou "vamos reiniciar o processo de paz sem pré-condições'. Como vocês sabem, é o que eu venho dizendo há quase seis meses. Fiquei feliz", afirmou Netanyahu, sem mencionar que não só se recusa a congelar as colônias como autorizou a construção de 455 imóveis há menos de um mês e de outros 37, nesta quarta-feira.

Ilegítimas

No discurso à ONU, Obama afirmou claramente que os EUA "não aceitam a legitimidade das prolongadas colônias israelenses".

Nesta terça-feira, a imprensa e fontes do próprio governo israelense tinham observado que Obama havia citado só a "contenção" das colônias judaicas no pronunciamento que fez após a reunião com Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, nesta terça-feira, em Nova York. O porta-voz do partido secular Fatah, de Abbas, Mohammed Dahlan, havia visto uma mudança de posição.

Em nova demonstração de impaciência em relação à resistência de ambos lados de abrir mão de reivindicações para negociar, Obama pediu a retomada dos diálogos incondicionais. "Todos precisamos decidir se somos sérios quanto à paz. [...] Para romper com os antigos padrões e com o ciclo de insegurança e sofrimento, todos nós precisamos afirmar em público aquilo que concordamos em dizer reservadamente."

"É hora de reiniciar as negociações sem pré-condições e tratar de questões permanentes: a segurança para israelenses e palestinos, fronteiras, refugiados e Jerusalém. A meta é clara: dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança. Um Estado Judeu de Israel, com real segurança para todos os israelenses; e um viável e independente Estado palestino, com um território contíguo que acabe com a ocupação que começou em 1967 e que dê espaço ao potencial do povo palestino."

Com Efe e Reuters

Comentários dos leitores
Santos Júnior (349) 16/12/2009 20h25
Santos Júnior (349) 16/12/2009 20h25
Sr Mauro Halpern isso se chama HIPOCRISIA!! sem opinião
avalie fechar
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Senhor Moderador, creio que uma filtragem melhor no comentários seria de grande agrado para as pessoas inteligentes da Folha. Comentários sem um pingo de fundamentos deveriam ser jogados na lata de lixo. As pessoas deveriam ler mais livros de História sobre o Conflito Israel-Palestino, Revolução Social Cubana e o pais persa do Irã. Opinião pessoal fora de contexto não agrada ninguem, somente aqueles que acreditam no que querem acreditar, fora da realidade. 2 opiniões
avalie fechar
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Qualquer um que tenha um mínimo de raciocínio jurídico entende o motivo pelo qual o Reino Unido pediu um mando de prisão para Livni, uma das responsáveis pela matança da Faixa de Gaza. Faltou pedir um mandado de prisão os demais dirigentes de Israel pela morte das 351 crianças palestinas...mas acho que com o tempo serão presos... como criminosos. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4034)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca