Mundo
25/09/2009 - 10h17

Irã revela nova planta nuclear, e Ocidente cobra desnuclearização

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da Folha Online

Os dirigentes dos Estados Unidos, Reino Unido e França realizaram nesta sexta-feira, lado a lado, um pronunciamento de repúdio à descoberta da segunda planta para enriquecimento de urânio mantida pelo Irã. O fato foi denunciado nesta quinta-feira (24) em Viena e admitida pelo governo iraniano em uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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Em tom rígido, os presidentes Barack Obama (EUA) e Nicolas Sarkozy (França) e o premiê britânico, Gordon Brown, voltaram a condenar o programa nuclear iraniano e a acusá-lo de possuir fins bélicos. Teerã nega as acusações e resiste em negociar o seu "direito inalienável" a um plano de enriquecimento de urânio.

Em seu discurso, Obama lembrou que "não é a primeira vez que o Irã esconde informações" sobre seu programa nuclear e ressaltou que o país tem direito à energia nuclear, mas que o tamanho e a configuração da planta recém-descoberta são inconsistentes com um programa nuclear pacífico. "O Irã está quebrando regras que todos os países têm que cumprir", disse.

O americano destacou também que a nova planta vem a público "anos após sua construção" e que existe uma preocupação crescente pelo Irã se recusar a assumir a responsabilidade".

Obama voltou a pedir que o Irã se engaje nas negociações pela desnuclearização conduzidas pelo Grupo dos Seis (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) que mostre ação na reunião marcada para ocorrer próximo dia 1º de outubro, na Alemanha. "Nessa reunião, o Irã precisa estar preparado para cooperar totalmente com a AIEA."

Os três líderes estão reunidos na cidade americana de Pittsburgh, onde irão participar, a partir desta sexta-feira, de reunião do G20.

Carolyn Kaster/AP
Sarkozy, Obama e Brown (esq. para a dir.) fazem comunicado conjunto de repúdio à nova usina nuclear iraniana
Sarkozy, Obama e Brown (esq. para a dir.) fazem comunicado conjunto de repúdio à nova usina nuclear iraniana

Carta

Na carta dirigida ao diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, o governo iraniano confirma a existência da planta denunciara pelas potências ocidentais, mas afirma que só dará "outras informações complementares no devido tempo e de forma apropriada", segundo os detalhes divulgados pelo porta-voz Marc Vidricaire, em comunicado.

O único dado técnico que Vidricaire adiantou é que o nível de enriquecimento de urânio seria de até 5%, condição que daria origem a um combustível pouco purificado, suficiente apenas para alimentar reatores nucleares de geração de eletricidade. O comunicado não dá detalhes sobre o conteúdo da carta, mas diz que "o organismo acredita ainda nenhum material nuclear tenha sido introduzido na instalação do Irã".

O Irã já possui uma grande usina de enriquecimento de urânio conhecida, em Natanz, a 250 km de Teerã, na região central do país, cuja existência foi revelada em 2002.

O complexo já conhecido, que tem uma parte subterrânea, é monitorado atualmente pelos inspetores da AIEA. A agência divulgou um relatório recentemente no qual dizia que o regime iraniano reduziu a quantidade de enriquecimento de urânio pela primeira vez em alguns anos, mas advertiu que ainda não foram esclarecidas as metas nucleares.

Resolução

O repúdio de Obama, Sarkozy e Brown acontece apenas um dia após os países do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) terem aprovado uma resolução que lança um apelo contra a proliferação nuclear no mundo e que cobrava os países-membros da ONU do cumprimento de resoluções anteriores de represália ao Irã e à Coreia do Norte.

O Conselho de Segurança da ONU adotou três resoluções contendo sanções diplomáticas e comerciais contra o Irã, mas elas nunca tiveram eficácia.

Na ocasião, Obama afirmou que a cobrança das sanções contra Irã e Coreia do Norte não se trata de uma perseguição, "mas de o mundo se unir e mostrar que o direito internacional não é uma promessa vazia, e que os tratados precisam ser reforçados". "A capacidade de matar do homem precisa ser contida", defendeu o americano.

Todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança --Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França--têm bombas nucleares.

Comentários dos leitores
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Os EUA se esquecem que o Irã celebrou contratos comerciais com a Venezuela e a China, bem como com o Brasil que detêm tecnologia para o refino do petróleo bruto. Já os EUA dependem do petróleo da Venezuela para sobreviver. As Sanções serão ineficazes. sem opinião
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Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Excelente o comentário de Juarez Ribeiro Batista. Gostaria de complementá-lo.
Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
4 opiniões
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Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Juarez. Menos. Ao que me consta, no último conflito como o Hezbollah a base avançada dos americanos (que alguns teimam de chamar de país) não se deu nada bem, e, por outro bordo, cumpre observar que nenhum conflito envolveu o Irã, ademais porque, até 1979 era aliado dos EUA. 3 opiniões
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