Mundo
25/09/2009 - 10h42

Irã leva comunidade internacional por caminho perigoso, diz Sarkozy

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da Folha Online

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta sexta-feira, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do premiê britânico, Gordon Brown, que está convencido de que, com seu controverso programa nuclear, o Irã "levou a comunidade internacional por um caminho perigoso". "Estamos em uma crise de confiança."

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Nesta sexta-feira, o governo iraniano admitiu, em carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que possui uma segunda planta de enriquecimento de urânio em operação --o que provocou uma reação imediata dos líderes ocidentais. Teerã nega as acusações de fins bélicos e resiste em negociar o seu "direito inalienável" a um plano nuclear.

"Tudo precisa ser colocado na mesa agora. [...] Nós não podemos deixar os líderes iranianos ganharem tempo enquanto os motores estão em ação", disse Sarkozy. O presidente também cobrou que a AIEA faça uma investigação "exaustiva, estrita e rigorosa" sobre a nova usina.

Entre Obama e Brown, o presidente francês foi o que adotou o tom mais rigoroso em relação ao Irã, em conformidade com as declarações que deu nesta quarta-feira, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e nesta quinta-feira, na reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Na assembleia, Sarkozy disse que o Irã "cometerá trágico erro" se "apostar na passividade da comunidade internacional" e mantiver seu "programa nuclear militar"; e, no conselho, ele disse que "ninguém com seriedade" pode acreditar que o programa nuclear iraniano possui "objetivos pacíficos".

Os três líderes estão reunidos na cidade americana de Pittsburgh, onde irão participar, a partir desta sexta-feira, de reunião do G20.

Brian Snyder/Reuters
Sarkozy (à dir.) fez as mais duras críticas ao Irã no comunicado de repúdio ao lado de Obama (à esq.) e Brown
Sarkozy (à dir.) fez as mais duras críticas ao Irã no comunicado de repúdio ao lado de Obama (à esq.) e Brown

Repúdio

No comunicado de repúdio feito nesta sexta-feira, Obama lembrou que "não é a primeira vez que o Irã esconde informações" sobre o seu programa nuclear e ressaltou que o país tem direito à energia nuclear, mas que o tamanho e a configuração da planta recém-descoberta são inconsistentes com um programa nuclear pacífico. "O Irã está quebrando regras que todos os países têm que cumprir", disse.

O americano destacou também que a nova planta vem a público "anos após sua construção" e que existe uma preocupação crescente pelo Irã se recusar a assumir a responsabilidade".

Obama voltou a pedir que o Irã se engaje nas negociações pela desnuclearização conduzidas pelo Grupo dos Seis (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) que mostre ação na reunião marcada para ocorrer próximo dia 1º de outubro, na Alemanha. "Nessa reunião, o Irã precisa estar preparado para cooperar totalmente com a AIEA."

Carta

Na carta dirigida ao diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, o governo iraniano confirma a existência da planta denunciara pelas potências ocidentais, mas afirma que só dará "outras informações complementares no devido tempo e de forma apropriada", segundo os detalhes divulgados pelo porta-voz Marc Vidricaire, em comunicado.

O único dado técnico que Vidricaire adiantou é que o nível de enriquecimento de urânio seria de até 5%, condição que daria origem a um combustível pouco purificado, suficiente apenas para alimentar reatores nucleares de geração de eletricidade. O comunicado não dá detalhes sobre o conteúdo da carta, mas diz que "o organismo acredita ainda nenhum material nuclear tenha sido introduzido na instalação do Irã".

O Irã já possui uma grande usina de enriquecimento de urânio conhecida, em Natanz, a 250 km de Teerã, na região central do país, cuja existência foi revelada em 2002.

O complexo já conhecido, que tem uma parte subterrânea, é monitorado atualmente pelos inspetores da AIEA. A agência divulgou um relatório recentemente no qual dizia que o regime iraniano reduziu a quantidade de enriquecimento de urânio pela primeira vez em alguns anos, mas advertiu que ainda não foram esclarecidas as metas nucleares.

Comentários dos leitores
Maurício Carvalho (42) 08/12/2009 23h58
Maurício Carvalho (42) 08/12/2009 23h58
Excelente o comentário de Juarez Ribeiro Batista. Gostaria de complementá-lo.
Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
sem opinião
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Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Juarez. Menos. Ao que me consta, no último conflito como o Hezbollah a base avançada dos americanos (que alguns teimam de chamar de país) não se deu nada bem, e, por outro bordo, cumpre observar que nenhum conflito envolveu o Irã, ademais porque, até 1979 era aliado dos EUA. sem opinião
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Juarez Ribeiro Batista (22) 07/12/2009 03h20
Juarez Ribeiro Batista (22) 07/12/2009 03h20
A questão do Irã é mais complexa do que a dialética EUA vs Irã, Israel vs Irã ou Ocidente vs Irã. Na verdade, o desenvolvimento nuclear iraniano é temido até pelos países árabes sunitas. No oriente médio, há um total desprezo pelo Irã, pois o Irã não é um país árabe e o pior de tudo, é xiita. Sunitas e xiitas se odeiam, não só no Iraque. Os sunitas nem consideram os xiitas islâmicos e sim, hereges. E vice-versa. Os Estados Unidos que cairam de gaiatos, pois os governos dos países árabes querem que os americanos façam o papel sujo deles. Nem cito Israel. Se um dia o Irã for atacado pelos Estados Unidos ou Israel, podem ter certeza que os governos árabes vão protestar para fazer jogo de cena com suas populações, mas com certeza vão pular de alegria. Derrotar o Irã numa guerra não é difícil para Israel nem para os EUA, pois os países islâmicos só tomaram pau até hoje. Há pouco surgiu uma polêmica sobre Ahmadinejad ser judeu. Engraçado que antes da polêmica tinha escrito neste espaço que achava estranho Ahmadinejad ameaçar Israel, falar um monte de asneiras como se estivesse instigando Israel a atacar o Irã, pois o correto seria ser dissimulado até conseguir a bomba nuclear. Sempre achei muito estranha esta atitude dele. E depois da polêmica... 2 opiniões
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