Em retrocesso, mediador da crise diz que não vai a Honduras
da France Presse
da Folha Online
O presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz, Oscar Árias, declarou nesta sexta-feira que, por enquanto, não pretende ir a Honduras em missão mediadora, como anunciado na véspera pelo regime interino de Roberto Micheletti.
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"Não, não pensei nisso [em ir a Honduras] agora", declarou Arias de Nova York à rádio Monumental de San José. "Roberto Micheletti disse que queria que eu fosse com [ex-presidente americano] Jimmy Carter. Eu falei com ele [Carter] e disse que não queria ir por enquanto, e que ele tampouco deveria ir", disse Arias.
O regime interino, que segunda-feira completará três meses no poder, anunciou nesta quinta-feira que havia aceitado uma proposta de Carter para que ele, Arias, e o vice-presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, visitem Honduras em missão mediadora por um diálogo.
O comunicado do governo Micheletti foi visto como o primeiro sinal evidente de um avanço no diálogo por uma saída à crise, já que Zelaya também disse estar disposto a dialogar sob a mediação de Arias.
Arias foi escolhido pelos Estados Unidos como mediador na crise hondurenha, mas sua proposta --o Acordo San Jose-- para superar o conflito nunca foi aceita por Micheletti --que rejeita a exigência da restituição imediata do presidente deposto Manuel Zelaya.
"Parece que o trabalho prévio deve ser feito pelos chanceleres da OEA", acrescentou Arias, que participou em Nova York na Assembleia Geral da ONU.
Missão
A OEA (Organização dos Estados Americanos) anunciou durante a semana que enviaria a Honduras uma missão de ministros liderada pelo secretário-geral, José Miguel Insulza, neste fim de semana.
O embarque da missão de embaixadores da OEA foi confirmada nesta quinta-feira pelo embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, que está em Pittsburgh acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação é de Clóvis Rossi, em reportagem da Folha publicada nesta sexta-feira.
Segundo Patriota, a missão da OEA embarca nesta sexta-feira ou no sábado para pressionar por um diálogo entre o presidente deposto Manuel Zelaya e o presidente interino Roberto Micheletti.
Além de Insulza, a missão levará um diplomata brasileiro de alto nível, em princípio o representante na OEA, Ruy Casaes, além de chanceleres latino-americanos.
Nesta quinta-feira, contudo, no mesmo comunicado em que anunciou aceitar a visita de Arias, a chancelaria do regime Micheletti pediu o adiamento da viagem de Insulza para depois da visita do costa-riquenho.
"O presidente Roberto Micheletti Baín estará à disposição para receber, posteriormente e em uma data acertada pelos canais diplomáticos, a missão integrada por alguns chanceleres americanos e por funcionários da OEA", diz o comunicado.
Segundo uma fonte da OEA ouvida pela agência de notícias France Presse, a missão será mantida apesar da resistência do governo interino.
Parcial
Micheletti, contudo, não é favorável à intervenção de Insulza a quem não considerada neutro com relação ao conflito. Ele adiou uma visita no mês de agosto de uma delegação liderada pelo secretário-geral em 13 dias por não concordar com sua participação. Ele viajou com os ministros na condição de observador.
A comissão de ministros das Relações Exteriores de países membros OEA, contudo, encerrou a visita em agosto sem conseguir que o governo interino do país aceite o acordo para o regresso ao poder do presidente deposto do país, Manuel Zelaya.
Assim que a notícia da volta de Zelaya ao país foi divulgada, na segunda-feira (21), Insulza afirmou que iria ao país tentar mediar a negociação. Sua visita, contudo, foi adiada pelo fechamento dos aeroportos internacionais --reabertos somente nesta sexta-feira.
Insulza declarou no dia seguinte que não iria a território hondurenho até que 'haja garantias de poder realizar um trabalho de mediação', porque não quer 'contribuir para o enfrentamento'.
Segundo o secretário-geral da OEA, a missão da entidade será conversar com diplomatas e autoridades dos diferentes governos presentes na reunião das Nações Unidas para buscar 'uma saída pacífica'.
Honduras foi suspensa da OEA logo após a deposição de Zelaya, porque o organismo considerou que houve no país uma infração a sua cláusula democrática.
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