Francesa é presa por tentar aplicar eutanásia a filho deficiente
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da France Presse, em Lille (França)Uma francesa que tentou matar o filho deficiente, dando a ele uma overdose de sedativos, foi mantida sob custódia pela polícia hoje por suspeita de tentativa de assassinato.
Marie Humbert, 48, tentou administrar a dose fatal ao filho Vincent, 21, ontem --três anos depois do dia do acidente rodoviário que o deixou tetraplégico, cego e mudo--, mas um médico do hospital da cidade de Berck-sur-Mer (norte da França) a denunciou.
Ex-bombeiro, Vincent estava hoje em coma profundo. Acompanhada de um psiquiatra, a mãe teve permissão de sair da delegacia policial, onde foi mantida sob custódia, para ficar ao lado do filho.
"Ela queria estar com ele, desejando que ele morresse, porque este é o único desejo dela para ele", afirmou o advogado de Marie Humbert, Hugues Vigier.
A história da busca pela morte de Vincent recebeu enorme publicidade em dezembro passado, quando ele escreveu uma carta ao presidente francês, Jacques Chirac, pedindo a descriminalização da eutanásia na França.
Chirac disse ter lido a carta "com grande emoção" e entrou em contato com Vincent algumas vezes por telefone, mas não foi capaz de atender a seu pedido.
Livro
Capaz de se comunicar pressionando o polegar direito na mão de outra pessoa, Vincent usou o método com um jornalista para escrever o livro de 188 páginas intitulado "Je vous demande de mourir" (Peço a você para morrer), que chegou hoje às livrarias francesas.
"Eu nunca verei este livro", Vincent escreveu, "porque eu morri em 24 de setembro de 2000... Desde aquele dia, eu não vivo. Me fazem viver. Sou mantido vivo. Para quem, para que --eu não sei. Tudo o que eu sei é que sou um morto-vivo, que nunca desejei esta falsa morte".
Marie Humbert, que desde o acidente do filho luta por seu direito a morrer, concedeu uma série de entrevistas na França no início da semana, afirmando que a morte de Vincet estava "programada", dando uma pista de que poderia coincidir com a publicação do livro.
Ela disse ter levado alguns meses preparando a eutanásia do filho e que ele rejeitou a idéia de ir para um país como a Suíça, onde o procedimento é legal, porque não quer "fugir de seu país como um ladrão para morrer".
Marie disse não ter medo de ir para a cadeia.
"Perto da dor que tenho sentido por três anos vendo o sofrimento do meu filho, a prisão não é nada", declarou.
As últimas palavras de Vincent em seu livro são um apelo para a compreensão de sua mãe.
"Não a julguem. O que ela fez para mim é certamente a mais bela prova de amor do mundo", escreveu.

