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09/10/2009 - 07h58

Obama alcança nova marca na história ao ganhar Nobel da Paz; leia perfil

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da Folha Online

Com uma campanha por uma política externa menos militarista e mais diplomática, Barack Obama foi o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos. Nove meses depois, o democrata marca outro capítulo da história e recebe uma das maiores consagrações por sua política externa ao ser nomeado para o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira. Segundo o instituto, "por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos".

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Comparado por alguns ao presidente morto John F. Kennedy por seu carisma e pela campanha por mudança, Obama iniciou as mudanças pouco tempo depois de seu juramento para presidente, em janeiro deste ano.

Decretou o fim da Guerra do Iraque e estabeleceu uma agenda não apenas de retirada das tropas, mas de construção dos alicerces necessários para uma democracia sustentável no país.

Kevin Lamarque/Reuters
Presidente dos EUA, Barack Obama, passa por bandeira da ONU nos escritórios do órgão em Nova York
Presidente dos EUA, Barack Obama, passa por bandeira da ONU nos escritórios do órgão em Nova York

Derrubou o conceito de "Eixo do mal" que guiou o governo de seu antecessor, George W. Bush, e "estendeu a mão" a inimigos tradicionais como o Irã, além de todo o mundo muçulmano. Durante seu breve mandato, Teerã voltou à mesa de negociações após 14 meses de congelamento e, embora com resistência à sua desnuclearização, participa de diálogo nuclear com os EUA e outras cinco potências.

Sob os esforços de Obama, o ditador norte-coreano Kim Jong-il voltou a falar em diálogo por sua desnuclearização e condicionou a isto a diálogos diretos com os EUA de Obama.

Obama criou um "clima novo para a política internacional. Graças a seus esforços, a diplomacia multilateral recuperou sua posição central e devolveu às Nações Unidas e outras instituições internacionais seu papel protagonista", afirmou o Instituto Nobel.

Origens

Filho de Barack Hussein Obama, um homem negro do Quênia educado em Harvard e de Ann Dunham, uma mulher branca de Wichita, no Estado do Kansas, Obama fala das suas origens como as de um candidato "não-convencional". Nasceu em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, e seus pais se separaram quando tinha dois anos.

AP
Texto: ** ADVANCE FOR WEEKEND OF OCT. 20-21 AND THEREAFTER - FILE ** Barak "Barry" Obama, second row center, is seen in his 1978 senior yearbook class photo from the Punahou School Yearbook in Honolulu. The photo on the left shows Obama playing basketball with an unidentified person. At right, Obama's senior class photo. Both photos were next to each other on the page. (AP Photo/Punahou Schools, File)
Barack Obama em uma foto de 1978, quando era estudante

O democrata morou na Indonésia quando criança, após sua mãe se casar com um indonésio, e depois viveu no Havaí, com seus avôs brancos. As idas e vindas deram, na sua opinião, as ferramentas necessárias para que pudesse se tornar um político hábil na hora de fazer coligações e traçar alianças. "Ele se movimenta entre vários mundos", afirma sua meia irmã, Maya Soetoro-Ng. "É o que fez em toda a sua vida."

"Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. Fui criado com a ajuda de um avô negro que sobreviveu à Depressão e combateu durante a Segunda Guerra (1939-1945), e de uma avó branca que trabalhou em uma linha de montagem de bombardeiros, em Fort Leavenworth, enquanto seu marido servia no exterior", descreve Obama.

Sua adolescência no Havaí foi marcada não só por uma destacada trajetória escolar, mas também por anos de contravenção. Na época, Obama experimentou a maconha e a cocaína, conforme afirma em sua biografia "Dreams from my Father: A Story of Race and Inheritance" ("Sonhos de Meu Pai: Uma História de Raça e Herança").

Família

Com um bom histórico escolar, Obama formou-se em direito na tradicional Universidade Harvard e trabalhou como professor e defensor dos direitos civis em Chicago antes de ser eleito senador por Illinois, em 2004.

M. Spencer Green-2nov.04/AP
Texto: ** TO GO WITH STORY SLUGGED OBAMA SEMBLANZA ** ** FILE ** In this Nov. 2, 2004 file photo Illinois U.S. Senator-elect Barack Obama, holding his daughter Malia, 6, and his wife Michelle, holding their daughter Sasha, 3, are covered in confetti after Obama delivered his acceptance speech in Chicago. Only the fifth black U.S. Senator to be elected in history,Obama defeated Republican Alan Keyes in the nation's first Senate race with two black major-party candidates. (AP Photo/M. Spencer Green)
Barack Obama comemora com a família e simpatizantes a conquista da nomeação

Foi em Harvard que Obama conheceu sua mulher, Michelle, com quem se casou em 1992. Em uma campanha que pregava o novo, Michelle foi um dos triunfos de Obama. Negra e com formação universitária, Michelle foi um cabo eleitoral importante de Obama entre mulheres. Obama e Michelle tem duas filhas: Malia e Sasha.

Por sua família muçulmana, Obama enfrentou boatos de que seria também um muçulmano, religião que muitos americanos associam negativamente ao extremismo. Os boatos foram reforçados com a divulgação de uma foto na qual Obama aparece com trajes típicos em visita ao Quênia, onde sua família paterna mora.

Obama converteu-se, já adulto, ao cristianismo e é membro da Igreja Batista da Trindade Unida em Cristo, em Chicago. Sua equipe acusou a campanha de Hillary, sua rival à época, pela divulgação da foto.

Presidente dos EUA

Há pouco mais de um ano, poucos americanos sabiam soletrar o nome de Obama e, agora, ele é o 44º presidente da história do país --o primeiro negro.

No começo de sua campanha, Obama brincava frequentemente que o povo não se lembrava de seu nome. A própria rede de TV CNN teve de fazer uma correção após confundir o nome do senador com o do terrorista de origem saudita Osama bin Laden, líder da rede Al Qaeda --chamou o então senador de "Barack Osama".

Na Casa Branca, Obama marcou uma trajetória de mudanças em um esforço para abandonar o legado de Bush. Decretou o fim de Guantánamo e dos abusos da CIA (agência de inteligência americana) na "guerra ao terror", buscou uma aproximação maior com a comunidade internacional, liderou os esforços globais para combater a crise --em casa aprovou um pacote de US$ 787 bilhões para a recuperação-- e agora foca esforços em uma ampla reforma na saúde.

Comentários dos leitores
Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h11
Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h11
Parte 1
marcio B. tomei a liberdade de pegar emprestado uma parte do seu comentário no dia 10/12/2009 ("...recomendo uma pesquisa de menos de 1 hora na história da formação dos Estados Islâmicos, para entenderem qual é o papel da mulher na sociedade islâmica, e julguem, colocando-se na pele de um mulher iraniana obrigada a usar a burca!!! Outra coisa, quando a Russia invadiu o afeganistão, destruiu tudo , cortou as arvores, matou os homens de bem, e o abandonou o país... Com a ausência da Russia surgiu o Taliban."), para ilustrar o meu pensamento sobre todas essas discussões de qual é o governo do eixo do "bem"e do "mal". Então vamos começar pelas correções do trecho do seu comentário.
1. realmente as mulheres do "mundo islâmico" tem muito a conquistar em relação a direitos e liberdade. isso é fruto da grande fé que esse povo tem, pois a maioria segue os ensinamentos do seu livro sagrado ao pé da letra, e nele a pouco "espaço" para as mulheres. Se os "ocidentais" também seguissem ao pé da letra os ensinamentos da Bíblia, aqui não seria diferente e na verdade ainda não deixou de ser diferente por completo (portanto ou é falta de fé nossa ou a Biblia e o livro sagrados deles estao errados). Mas voltando ao Irã, seu erro foi afirmar que lá elas são obrigadas a usar burca. Elas não são obrigadas, normalmente usam apenas um lenço sobre a cabeça e não por obrigação de lei governamental nenhuma, mas sim por costume.
sem opinião
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Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h09
Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h09
Parte 2
2. Sobre seu comentário da guerra da Russia contra o Afeganistão, recomendo que veja o filme "Jogos do Poder" original "Charlie Wilson's War" de 2007, ele explica bem melhor o surgimento do Taleban. O Taleban surgiu depois que os EUA atraves da CIA treinou e armou os Mujahideen (que depois formaram o Taleban) para enfrentar os Russos, enchendo o Afeganistão de armas. E quando os russos foram embora nem a Russia nem os EUA ou qualquer outro os ajudou a recontruir seu pais devastado. Um pais com maioria jovem sem educação, saude ou qualquer infra estrutura e com montes de armas, só podia dar no que deu. E tudo isso pela guerra fria, o eixo do "bem" (captalistas) contra o eixo do "mal" (comunistas). E nesse ponto voçê vai entender a minha opinião. Não existe eixo do "bem" ou eixo do "mal", o que existe são pessoas poderosas que apenas defendem seus interesses e usam ideologias politicas, economicas, religiosas e nacionalistas para conseguir o que querem.
Só uma observação: O EUA é o pais dos sonhos, dos direitos, da liberdade, da fartura, só porque eles foram mais inteligentes e rapidos para perceber que se exportassem a sua pobreza para outros paises ficava mais facil controlar o seu povo e assim ter mais poder. Então se o Brasil quer ser que nem o EUA, temos que começar a pensar pra onde vamos exportar nossa pobreza, isso se sua consciencia nao se importar.
sem opinião
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Caio César (1) 15/12/2009 17h38
Caio César (1) 15/12/2009 17h38
Antes Fidel, a que Obama. Sinceramente, achei também que haveria alguma mudança com a entrada de Obama no poder mais pelo que vi, a única mudança que houve foi partidária, continua da mesma forma de quando o "Belzebush" estava no poder, com as mesmas guerras, nada pelo planeta e só economia, economia, economia. E o pior de tudo, é que passou da hora do mundo começar a boicotar esse modelo estadunidense mais que infelizmente, quando o assunto é dinheiro, a força é maior. Fidel pode até ser conhecido pelo seu governo ditatorial, mais foi um governo capaz de "peitar" os interesses estadunidenses após presenciar o governo anterior, de Fulgêncio Batista, como a ilha estava entregue ao império, confirmação disso é a Ementa Platt. Mais enfim, Fidel fez coisas boas pela sua ilha e merece respeito agora Obama simplismente caiu no meu conceito. sem opinião
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