Mundo
12/10/2009 - 15h00

Hillary oferece apoio limitado à Irlanda do Norte em acordo com Reino Unido

Publicidade

da Folha Online

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta segunda-feira que o governo dos Estados Unidos oferece apoio aos políticos locais, mas não se intrometerá no delicado processo de devolução do controle da polícia e justiça à Irlanda do Norte.

Durante um discurso na Assembleia Autônoma da Irlanda do Norte em Belfast, Hillary pediu para que as partes deem o último passo rumo à assinatura de um histórico acordo que colocará as bases para compartilhar a responsabilidade na gestão do sistema policial e judicial, atualmente administrado por Londres.

Peter Morrison/AP
Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, discursa para líderes empresariais na Universidade Queens, em Belfast
Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, discursa para líderes empresariais na Universidade Queens, em Belfast

O acordo de paz da Sexta-feira Santa, que em 10 de abril de 1998 acabou com os 30 anos de violência que deixaram 3.500 mortos na região, permitiu a instauração de um governo de poder compartilhado entre protestantes e católicos. Previa ainda a devolução dos poderes policial e judicial, mas sem fixar nenhuma data.

A secretária de Estado, contudo, evitou dar a impressão de que os EUA exercerão pressão sobre Londres, grande aliado de Washington, para conseguir a resolução de um dos últimos assuntos pendentes do processo de paz na Província, que qualificou de "exemplo para a resolução de conflitos no mundo".

A mesma mensagem marcou seu encontro prévio com o ministro norte-irlandês, o unionista Peter Robinson, e seu adjunto no Executivo, o republicano Martin McGuinness.

Disputa irlandesa

O majoritário Partido Democrático Unionista (DUP) e o Sinn Féin, braço político do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), mantêm posições divergentes sobre o calendário da devolução das competências.

Enquanto o DUP queria adiar pelo menos até o Natal este processo, para assegurar uma ajuda econômica de Londres de cerca de 650 milhões de euros, o Sinn Féin considera que a devolução deveria ter acontecido há meses e culpa os unionistas de atrasá-la para apaziguar os elementos radicais de seu partido diante das próximas eleições.

Após manter intensas negociações na semana passada com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, as partes indicaram que ainda resta algumas aparas pendentes, mas parece que há consenso a respeito do pacote econômico oferecido por Londres.

No entanto, os unionistas deixaram claro que nem os republicanos nem a presença de Hillary na ilha os influenciarão para tomar uma decisão "apressada".

Sutil

Por isso, a secretária de Estado reiterou nesta segunda-feira que a "administração de Obama está comprometida a ajudar nesta viagem".

"Os Estados Unidos não se intrometerão (...). Como verdadeira amiga, minha esperança é que consigam o que se propuseram, completar o processo de devolução", disse a secretária.

Medindo muito as palavras, a segunda parte de seu discurso vinculou sutilmente a perspectiva de futuros investimentos americanos na Província com o êxito do processo de devolução das citadas competências.

"Desde a assinatura do acordo da Sexta-Feira Santa [1998], os investimentos americanos aumentaram aqui. Os empresários precisam de estabilidade política e segurança cidadã. O progresso econômico e político caminham de mãos dadas", disse Hillary.

Ela também destacou o desarmamento iniciado por várias organizações paramilitares, mas advertiu para a ameaça persistente da violência e citou como exemplo os atentados de março passado que deixaram dois soldados britânicos e um policial mortos. Os ataques foram reivindicados por republicanos dissidentes.

Dificuldades

PUBLIFOLHA/PUBLIFOLHA

Em resposta a seu discurso, Robinson reconheceu que há dificuldades, mas lembrou que o governo de poder compartilhado com os católicos está decidido "a superar os problemas que enfrentamos" e agradeceu "a ajuda que tivemos dos EUA, desta administração e das duas anteriores".

McGuinness destacou ainda o "papel decisivo" de Hillary, ex-primeira-dama dos EUA, na pacificação da ilha. "Hillary Clinton é uma verdadeira amiga de todos nós há 15 anos. Sua contínua implicação política, emocional e intelectual é algo que nos informou sobre grandes benefícios durante todo este tempo", acrescentou o republicano.

Esta foi a primeira visita de Hillary como secretária de Estado à Irlanda do Norte, onde já tinha participado do processo de paz em outras seis ocasiões, como primeira-dama durante o mandato de seu marido, Bill Clinton (1993-2001).

A secretária de Estado americana iniciou sábado passado (10) um giro europeu que a levou a Zurique, Londres, Dublin e Belfast, de onde partirá durante o dia com destino a Moscou, a etapa mais importante de sua viagem.

Com Efe e France Presse

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (402) 17/12/2009 17h17
Valentin Makovski (402) 17/12/2009 17h17
O Irã, esta no foco dos EUA, pelo simples fato que o país Islâmico esta demonstrando que tem tecnologia de ponta no quésito Militar e é capaz de fabricar mísseis de médio e longo alcanze. Último teste demonstrou claramento isto. A questão do Irã, vai mais além da posibilidade do país estar sonhando, planejando ou fabricando uma "Bomba Atômica", não sei se alguém percebe a olho nú, que quando um país abre mão de pedir ajuda militar ou tecnológica das Super Potências, o mesmo fica mal visto por elas.
Alguém lembra do enriquecimento de Urânio pelo Brasil, todo o "bodogodo" que os EUA fizeram???
Inclusive pedindo vistorias internacionais, etc, etc.
Até explicar aos EUa que fuzinho de porco não era tomada, o país ficou em alerta, achando que o Brasil queria fabricar uma Bomba Atômica.
Fato é o seguinte, os EUA sofrem de TERRORISMO INTERNO, a população sempre acha que tem alguém ou país querendo atacá-los.
Os EUA, estão querendo forçar o Irã a abrir as portas do seu país ao capitalismo. Querem que o Iraniano coma OVOS, BATATAS FRITAS & BEBA COCA COLA no café da manhã.
Querem fazer como fizeram por anos na América Latina, assim o Irã fica submiso.
sem opinião
avalie fechar
Alexandre de Jesus Barreto (3) 17/12/2009 14h34
Alexandre de Jesus Barreto (3) 17/12/2009 14h34
Somente para complementar minha informação sobre o uso da burca no Irã.
A lei Iraniana obriga as mulheres a cobrir o cabelo (não nescessariamente todo ele) o que pode ser feito, e normalmente é, com um lenço. Agora as mulheres mais religiosas usam desde o hijab (lenço) ate o chador (vestimenta parecida com a burca porem normalmente com o rosto a mostra).
Agora para deixar bem claro minha opnião. Sou a favor da total liberdade de CADA individuo, por isso não acredito em qualquer religião, pois o cerne da Fé é a crença SEM questionamentos e o cerne do raciocinio logico (ferramente unica dos seres humanos e responsavel pela IDEIA de IGUALDADE) é o questionamento.
Portanto, Fé e Lógica, são antagonicas e não podem coexistir na mente da mesma pessoa sem produzir ações contraditorias.
4 opiniões
avalie fechar
Luiz Carlos Vieira (1) 17/12/2009 11h07
Luiz Carlos Vieira (1) 17/12/2009 11h07
" Deus é o Papai Noel dos adultos" 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1684)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca