ONU debate crimes de guerra em Gaza; Israel aposta em veto dos EUA
da Folha Online
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) fará uma reunião nesta quarta-feira para debater a situação no Oriente Médio e, principalmente, o relatório Goldstone que acusa Israel e o movimento islâmico radical Hamas de crimes de guerra durante a ofensiva do início do ano na faixa de Gaza. Israel, que condenou o relatório como "absurdo", aposta no veto americano a qualquer ação ou condenação.
A reunião do Conselho será realizada diante de um grupo dividido e após consultas a portas fechadas sobre uma petição da Líbia, apoiada por grupos árabes, por uma reunião de emergência para discutir o relatório. Segundo diplomatas em Nova York, onde será realizada a reunião, os países ocidentais rejeitaram uma reunião específica sobre o relatório --que consideram "desequilibrado".
| Kobi Gideon-11jan.09/Efe |
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| Imagem mostra ataque israelense na faixa de Gaza durante a ogfensiva que deixou cerca de 1.400 mortos; ONU debate ofensiva |
A representante israelense na ONU, Gabriela Shalev, afirmou à rádio israelense que está segura de um veto americano caso o conselho decida votar uma resolução sobre o informe.
Tradicional aliado de Israel, os EUA são um dos cinco países --ao lado de China, França, Reino Unido e Rússia--com poder de veto sobre as decisões do Conselho de Segurança. O conselho é o único órgão da ONU cujas decisões devem ser obrigatoriamente aceitas pelos países-membros, sob pena de sanções econômicas ou militares.
"A secretária de Estado Hillary Clinton comprometeu-se que os EUA se oporão com seu veto em caso de uma decisão do Conselho de Segurança ratificando o informe", disse, cotada pela agência France Presse.
Shalev lamentou ainda que o relatório seja tema de debate no Conselho, onde Israel não tem condições de se defender das acusações de crimes de guerra.
O relatório Goldstone analisa os 23 dias da ofensiva Chumbo Fundido que entre dezembro e janeiro passados matou 1.400 palestinos, em sua maioria civis, segundo dados de hospitais locais e de ONGs israelenses, palestinas e internacionais.
O relatório, apresentado em Nova York pelo juiz sul-africano Richard Goldstone, da comissão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirma que Israel fez uso desproporcional da força e violou o direito humanitário internacional. O documento, porém, pondera que o lançamento de foguetes pelos insurgentes palestinos --que motivaram a operação, segundo o governo de Israel-- também configura crime de guerra.
Tanto o governo israelense quanto os dirigentes do Hamas rejeitaram o conteúdo do documento, que recomenda a transferência do caso ao Tribunal Penal Internacional caso os dois lados não abram investigações "críveis" sobre sua atuação no conflito.
Adiado
O Conselho de Direitos Humanos da ONU decidiu no último dia 2 adiar para março de 2010 a adoção de uma resolução própria sobre o relatório do conflito no território palestino.
A decisão foi adotada depois de os Estados Unidos aparentemente terem expressado preocupação com a possibilidade de que a medida prejudicasse as chances de retomar o processo de paz do Oriente Médio.
A rede de televisão CNN diz que o conselho deve fazer uma reunião especial nesta quinta-feira para retomar o debate sobre o relatório, após pedido da Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia, que, na época da divulgação do relatório, pediu que o órgão adiasse por seus meses a discussão --o que causou inúmeras críticas de grupos palestinos rivais.
Ofensiva
Israel lançou em 27 de dezembro uma grande ofensiva contra o grupo islâmico radical Hamas na faixa de Gaza com objetivo declarado de retaliar o lançamento de foguetes contra o território israelense.
Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, a operação deixou 1.434 palestinos mortos --incluindo 960 civis, 239 policiais e 235 militantes. Já as Forças de Defesa israelenses admitiram ter matado 1.370 pessoas, incluindo 309 civis inocentes, entre eles 189 crianças e jovens com menos de 15 anos.
Diversos grupos de direitos humanos divulgaram relatórios criticando os dois lados por crimes de guerra --Israel pelo abuso de força em um território populoso e o Hamas por usar humanos como escudos e por atirar foguetes indiscriminadamente contra Israel.
O Exército israelense realizou uma investigação interna em abril passado diante de relatos publicados no jornal israelense "Haaretz" de soldados que lutaram na recente ofensiva na faixa de Gaza e que descrevem assassinato de civis inocentes, além de um bilhete que ordena ataques a equipes médicas e a campanha dos rabinos do Exército para transformar a operação em uma "guerra santa". Na época, as Forças Armadas israelenses rejeitaram as denúncias como boatos.
Com France Presse
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