Mundo
14/10/2009 - 10h59

ONU debate crimes de guerra em Gaza; Israel aposta em veto dos EUA

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da Folha Online

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) fará uma reunião nesta quarta-feira para debater a situação no Oriente Médio e, principalmente, o relatório Goldstone que acusa Israel e o movimento islâmico radical Hamas de crimes de guerra durante a ofensiva do início do ano na faixa de Gaza. Israel, que condenou o relatório como "absurdo", aposta no veto americano a qualquer ação ou condenação.

A reunião do Conselho será realizada diante de um grupo dividido e após consultas a portas fechadas sobre uma petição da Líbia, apoiada por grupos árabes, por uma reunião de emergência para discutir o relatório. Segundo diplomatas em Nova York, onde será realizada a reunião, os países ocidentais rejeitaram uma reunião específica sobre o relatório --que consideram "desequilibrado".

Kobi Gideon-11jan.09/Efe
Imagem mostra ataque israelense na faixa de Gaza durante a ogfensiva que deixou cerca de 1.400 mortos; ONU debate ofensiva
Imagem mostra ataque israelense na faixa de Gaza durante a ogfensiva que deixou cerca de 1.400 mortos; ONU debate ofensiva

A representante israelense na ONU, Gabriela Shalev, afirmou à rádio israelense que está segura de um veto americano caso o conselho decida votar uma resolução sobre o informe.

Tradicional aliado de Israel, os EUA são um dos cinco países --ao lado de China, França, Reino Unido e Rússia--com poder de veto sobre as decisões do Conselho de Segurança. O conselho é o único órgão da ONU cujas decisões devem ser obrigatoriamente aceitas pelos países-membros, sob pena de sanções econômicas ou militares.

"A secretária de Estado Hillary Clinton comprometeu-se que os EUA se oporão com seu veto em caso de uma decisão do Conselho de Segurança ratificando o informe", disse, cotada pela agência France Presse.

Shalev lamentou ainda que o relatório seja tema de debate no Conselho, onde Israel não tem condições de se defender das acusações de crimes de guerra.

O relatório Goldstone analisa os 23 dias da ofensiva Chumbo Fundido que entre dezembro e janeiro passados matou 1.400 palestinos, em sua maioria civis, segundo dados de hospitais locais e de ONGs israelenses, palestinas e internacionais.

O relatório, apresentado em Nova York pelo juiz sul-africano Richard Goldstone, da comissão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirma que Israel fez uso desproporcional da força e violou o direito humanitário internacional. O documento, porém, pondera que o lançamento de foguetes pelos insurgentes palestinos --que motivaram a operação, segundo o governo de Israel-- também configura crime de guerra.

Tanto o governo israelense quanto os dirigentes do Hamas rejeitaram o conteúdo do documento, que recomenda a transferência do caso ao Tribunal Penal Internacional caso os dois lados não abram investigações "críveis" sobre sua atuação no conflito.

Adiado

O Conselho de Direitos Humanos da ONU decidiu no último dia 2 adiar para março de 2010 a adoção de uma resolução própria sobre o relatório do conflito no território palestino.

A decisão foi adotada depois de os Estados Unidos aparentemente terem expressado preocupação com a possibilidade de que a medida prejudicasse as chances de retomar o processo de paz do Oriente Médio.

A rede de televisão CNN diz que o conselho deve fazer uma reunião especial nesta quinta-feira para retomar o debate sobre o relatório, após pedido da Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia, que, na época da divulgação do relatório, pediu que o órgão adiasse por seus meses a discussão --o que causou inúmeras críticas de grupos palestinos rivais.

Ofensiva

Israel lançou em 27 de dezembro uma grande ofensiva contra o grupo islâmico radical Hamas na faixa de Gaza com objetivo declarado de retaliar o lançamento de foguetes contra o território israelense.

Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, a operação deixou 1.434 palestinos mortos --incluindo 960 civis, 239 policiais e 235 militantes. Já as Forças de Defesa israelenses admitiram ter matado 1.370 pessoas, incluindo 309 civis inocentes, entre eles 189 crianças e jovens com menos de 15 anos.

Diversos grupos de direitos humanos divulgaram relatórios criticando os dois lados por crimes de guerra --Israel pelo abuso de força em um território populoso e o Hamas por usar humanos como escudos e por atirar foguetes indiscriminadamente contra Israel.

O Exército israelense realizou uma investigação interna em abril passado diante de relatos publicados no jornal israelense "Haaretz" de soldados que lutaram na recente ofensiva na faixa de Gaza e que descrevem assassinato de civis inocentes, além de um bilhete que ordena ataques a equipes médicas e a campanha dos rabinos do Exército para transformar a operação em uma "guerra santa". Na época, as Forças Armadas israelenses rejeitaram as denúncias como boatos.

Com France Presse

Comentários dos leitores
Santos Júnior (349) 16/12/2009 20h25
Santos Júnior (349) 16/12/2009 20h25
Sr Mauro Halpern isso se chama HIPOCRISIA!! sem opinião
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Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Senhor Moderador, creio que uma filtragem melhor no comentários seria de grande agrado para as pessoas inteligentes da Folha. Comentários sem um pingo de fundamentos deveriam ser jogados na lata de lixo. As pessoas deveriam ler mais livros de História sobre o Conflito Israel-Palestino, Revolução Social Cubana e o pais persa do Irã. Opinião pessoal fora de contexto não agrada ninguem, somente aqueles que acreditam no que querem acreditar, fora da realidade. 2 opiniões
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Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Qualquer um que tenha um mínimo de raciocínio jurídico entende o motivo pelo qual o Reino Unido pediu um mando de prisão para Livni, uma das responsáveis pela matança da Faixa de Gaza. Faltou pedir um mandado de prisão os demais dirigentes de Israel pela morte das 351 crianças palestinas...mas acho que com o tempo serão presos... como criminosos. 2 opiniões
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