Tchetchênia vai às urnas para eleger um presidente pró-Rússia
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da France Presse, em GroznyA Tchetchênia, em guerra há quatro anos, vota hoje, sob fortes medidas de segurança, para eleger um novo presidente, em uma eleição que está sendo supervisionada pelo Kremlin para legitimar o poder do chefe da administração tchetchena pró-russa, o candidato Akhmad Kadyrov.
Este ex-mufti (líder religioso) de 52 anos, que governa há três anos a repúlica rebelde, deve vencer, salvo uma grande surpresa, a eleição ainda no primeiro turno. O ex-membro da ofensiva contra os russos se aliou a Moscou no início da segunda guerra entre russos e tchetchenos em outubro de 1999.
Todos os candidatos que tinham chances de disputar o cargo foram afastados de diferentes formas nas últimas semanas. Os seis restantes admitem ter pouquíssimas chances de vencer a eleição. Eles alegam ter sido pressionados e por isso não puderam promover sua campanha com liberdade.
Em Grozny os eleitores parecem resignados, mas não escondem um certo temor.
"Vou votar em Kadyrov. Em Grozny só vemos a sua foto. Nem sequer sabemos os nomes dos outros candidatos. Porém, não sei o que espero", disse Elsa Ibragimova, 23, que vive com seus três filhos em uma residência para refugiados na capital tchetchena.
Controle
Sua seção eleitoral estava vigiada por três "observadores", todos da equipe de Kadyrov.
Grozny, devastada por uma guerra mortal, está muito mais tranquila hoje do que o habitual. Os mercados estão fechados e várias famílias seguiram para o campo com medo dos rumores de que os rebeldes organizariam atentados.
Às 13h30 (6h30 de Brasília), a comissão eleitoral anunciou uma taxa participação de 30% na votação, o que permite a validar as eleições.
Kadyrov foi recebido por uma multidão em Tsentoroi (leste) quando apareceu para votar ao lado de sua família.
"Anuncio a criação de uma comissão de investigação de todos os casos de desaparecimento e outros crimes cometidos em nossa terra", disse o candidato aos jornalistas.
Crimes
Os assassinatos e sequestros de civis são frequentes desde o início da segunda guerra em 1999. Os tchetchenos acusam as milícias de Kadyrov de serem as principais responsáveis.
Quase 15 mil policiais foram mobilizados em toda a República do Cáucaso para garantir a segurança da eleição. Porém, durante a noite um local de votação em Aljan-Kala foi atacado com um lança-granadas e sua fachada sofreu danos consideráveis.
A eleição é considerada crucial pelo Kremlin para a "estabilização" da república rebelde, mesmo se o futuro presidente da Tchetchênia for impopular.
Entre as grandes organizações internacionais, apenas a Organização da Conferência Islâmica (OCI) e a Liga Árabe enviaram observadores a Tchetchênia.
Com a eleição, Moscou pretende afastar definitivamente da vida política do país o líder separatista tchetcheno Aslan Masjadov, eleito em 1997 com o apoio da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), e hoje refugiado nas montanhas.
Porém, Masjadov advertiu que a resistência continuará depois da eleição, que ele considera uma farsa.
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