Bush diz que Israel tem o direito de se defender
Publicidade
da Folha OnlineIsrael tem o direito de se defender, mas deve evitar ações que provoquem uma escalada na tensão no Oriente Médio, afirmou hoje o presidente americano, George W. Bush, acrescentando que as autoridades palestinas devem desmantelar as organizações terroristas.
"Eu disse claramente que Israel tem o direito de se defender", declarou Bush, referindo-se à sua conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, realizada depois do atentado suicida em Haifa, no norte de Israel, no sábado passado(4), que deixou 19 mortos.
| Reuters - 22.ago.2003 |
![]() |
| O presidente dos EUA, George W. Bush |
Bush afirmou também que a Autoridade Nacional Palestina deve desmantelar as organizações extremistas palestinas para que o processo de paz entre israelenses e palestinos possa progredir. "Todas as partes devem assumir responsabilidades."
"Para que haja um Estado palestino, a Autoridade Nacional Palestina deve utilizar todos os meios necessários para combater o terrorismo e deter os terroristas que tentam impedir a criação de um Estado palestino pacífico", afirmou Bush.
O ataque israelense contra a Síria foi o primeiro desde 1974.
ONU
A reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), convocada a pedido da Síria para tratar de uma resolução contra Israel, acabou nesta madrugada sem decisões concretas. Todos os embaixadores, exceto o dos EUA, condenaram o ataque israelense.
Depois de mais de três horas de sessão pública e duas séries de consultas a portas fechadas, a reunião do Conselho de Segurança terminou sem fixar a data em que se votará o texto apresentado pela Síria.
O embaixador americano na ONU, John Negroponte, que preside o Conselho durante o mês de outubro, afirmou que "uma nova resolução sobre o Oriente Médio não seria necessária". "O que é necessário é que a Síria desarticule os terroristas que se encontrem no interior de suas fronteiras."
Negroponte foi o único embaixador que não condenou a incursão aérea israelense e afirmou que os "EUA pensam que a Síria está do lado errado da guerra contra o terrorismo".
Terrorismo
Durante a Guerra do Iraque, os EUA apontaram a Síria como um dos países que apoiavam o terrorismo internacional e que auxiliava o regime de Saddam Hussein.
Os embaixadores da Espanha, Inocencio Arias, da China, Wang Guangye, do Reino Unido, Emyr Jones Parry, e da França, Jean Marc de La Sabliere, pediram que as partes implicadas mostrem moderação.
Damasco considera que o bombardeio israelense contra um campo de refugiados em seu território --um campo de treinamento de terroristas, segundo Israel-- supõe um "enorme desafio" e adverte que está disposto a "criar uma situação que force Israel a reconsiderar sua política".
O projeto apresentado no Conselho de Segurança pede um condenação internacional da "agressão militar" de Israel contra seu território e pede que o país "desista de qualquer ato ou ameaça" que possa conduzir a uma deterioração da situação e que "ponha em perigo a paz e a segurança internacional".
Ameaça
O governo israelense declarou a intenção de atacar novos alvos para "acabar com a ameaça terrorista". Para o Exército israelense, "a Síria é um país que patrocina o terrorismo".
Um porta-voz do grupo extremista palestino Jihad Islâmico, Abu Emad Al Refaei, afirmou que seu movimento não tem "campos de treinamento nem bases na Síria ou em nenhum outro país". "Todas nossas bases estão dentro dos território palestino ocupados", disse Refaei à rede de TV Al Jazira, do Qatar.
A Liga Árabe acusou Israel de querer arrastar a região a uma "espiral de violência" e pediu à ONU que intervenha imediatamente para terminar com as "provocações israelenses" contra a Síria.
Com agências internacionais
Especial



