Obama elogia presidente afegão por aceitar 2º turno de eleição
da Folha Online
O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou a decisão do presidente afegão, Hamid Karzai, que aceitou a realização do segundo turno das eleições presidenciais, dizendo que este foi um "passo importante" para a democracia. O pleito deve ocorrer no próximo dia 7.
"É vital que elementos da sociedade afegã continuem a se unir pelo avanço da democracia, da paz e da justiça. Nós aguardamos porum segundo turno da votação e pela conclusão do processo de escolha do presidente do Afeganistão", diz Obama em um comunicado.
"A Constituição afegã foi fortalecida pela decisão de Karzai, e isso é de interesse primordial para o povo afegão", diz ainda o texto do anúncio do presidente americano.
O líder dos EUA elogiou ainda as "ações construtivas" de Karzai para estabelecer um importante precedente para a nova democracia afegã.
As relações entre Karzai e Obama foram prejudicadas após a polêmica votação. A recusa de Washington em reconhecer sua vitória no pleito desagradou Karzai.
A controversa votação ocorrida em 20 de agosto desse ano também complicou a decisão de Obama sobre o envio de soldados adicionais para combater a milícia Taleban no Afeganistão.
A Casa Branca já informou que o presidente Obama decidiu não enviar mais tropas para o país até que um governo legítimo tenha assumido o poder.
Fraude
Segundo a Comissão Eleitoral afegã, que avaliou o relatório entregue na véspera pela Comissão de Queixas Eleitorais (CQE) sobre a extensão da fraude no pleito, Karzai obteve 49,67% dos votos válidos e não foi capaz de alcançar a maioria absoluta (54,6%) anunciada anteriormente.
Karzai deve enfrentar no dia 7 o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah, em um segundo turno. Analistas dizem, contudo, que Karzai --que é Pashtun, o maior grupo étnico do Afeganistão- deve ganhar a nova rodada. O difícil será apagar a mancha da ilegitimidade com a comprovação de fraude extensa na primeira votação.
O presidente afegão defendeu anteriormente que a fraude foi limitada e não generalizada --termo este utilizado pelo chefe da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, Kai Eide. A mudança de tom de Karzai veio após intenso esforço diplomático para garantir a legitimidade das eleições --e consequentemente do novo governo-- em um momento de maior investimento na guerra ao grupo militante Taleban no país.
ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também elogiou nesta terça a decisão de Karzai, mas disse que organizar o segundo turno do pleito será um "grande desafio".
"Eu fico satisfeito com o presidente Karzai por sua liderança e pelo compromisso em garantir respeito total à Constituição afegã e ao processo democrático", disse Ban na sede da ONU.
De acordo com Ban, a organização fará "todo o possível" para garantir que a votação seja "transparente e legítima".
"Há um grande desafio em realizar uma segunda eleição. Nós faremos tudo o que pudermos para garantir que o povo afegão possa se expressar livremente, sem intimidação ou ameaça. Faremos o melhor para fazer com que essas eleições sejam justas e sem fraudes", afirmou.
Ban rejeitou as críticas feitas à ONU, que foi acusada de tentar minimizar a fraude ocorrida.
"O que ocorreu da vez passada não deverá se repetir. Nós sabíamos que havia fraude e informamos a respeito", acrescentou.
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