Presidente da ANP acusa Hamas de barrar reconciliação palestina
da Efe, no Cairo
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, acusou o movimento islâmico Hamas de dificultar a reconciliação entre as facções palestinas. "O movimento Fatah apoiou o acordo de reconciliação apresentado pelo Egito. O Hamas, porém, pôs obstáculos à reconciliação", disse Abbas depois de reunir-se com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no Cairo, nesta terça-feira.
| Tarek Mostafa/Reuters |
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| Mahmoud Abbas, presidente da ANP, critica o Hamas em entrevista aos jornalistas após reunião com o ditador Hosni Mubarak, no Cairo |
Nas declarações apuradas pela agência oficial egípcia Mena, Abbas, presidente também do Fatah, avaliou como positivos os esforços diplomáticos do Egito na mediação entre os grupos palestinos. O Egito entregou às duas partes uma proposta que fixa uma série de passos para a reconciliação palestina, a partir de acordos anteriormente definidos. Por enquanto, porém, o documento só foi assinado pelo Fatah.
Abbas justificou a assinatura por duas razões: "primeiro pelo reconhecimento e plena confiança no papel egípcio e, em segundo, pelo compromisso com a unidade palestina".
"Ficamos surpresos com a demora do Hamas em assinar o acordo com a desculpa do relatório Goldstone. Depois nos surpreendemos também com a grande quantidade de reservas que apresentaram para assinar, entre elas a não inclusão do relatório Goldstone", disse Abbas.
O Egito tinha anunciado que nesta semana assinaria no Cairo a reconciliação, tentativa que perdura desde julho de 2007. No entanto, após a crise suscitada em Gaza e Cisjordânia por causa do relatório Goldstone, realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e que estimulou Israel a investigar os crimes de guerra cometidos em Gaza durante a ofensiva militar de dezembro de 2008 e janeiro de 2009, as negociações voltaram à estaca zero.
A relação voltou a ficar tensa após o Hamas acusar a ANP de ter pressionado para atrasar até março passado o debate do texto no Conselho de Direitos Humanos da ONU, embora o relatório tenha sido debatido na sexta-feira (16).
Os nacionalistas do Fatah anunciaram no dia 14 de outubro que vem a assinatura da iniciativa de reconciliação apresentada pelo Egito, mas os islamitas do Hamas denunciaram que os mediadores egípcios tinham introduzido questões novas que não haviam sido discutidas e pediram a inclusão de mudanças para poder assiná-la.
Neste sentido, o presidente da ANP que mostrou no Cairo sua oposição em modificar o documento egípcio, ressaltou que a iniciativa deve partir do Hamas e concluiu que o grupo islâmico tinha utilizado o estudo apresentado pela ONU como uma desculpa para não assinar o documento.
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