Papa pode receber Nobel da Paz amanhã
da France Presse, em RomaA firmeza com que o papa João Paulo 2º se opôs à guerra contra o Iraque pode ser reconhecida amanhã com o Prêmio Nobel da Paz 2003.
Os cinco membros do comitê do Nobel, que têm de escolher entre uma quantidade sem precedentes de 165 candidaturas, acham-se numa posição difícil este ano, mas contrariamente a edições anteriores nenhuma das personalidades propostas se impõe aos observadores.
Os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora sem nenhuma chance, e do ex-presidente tcheco Vaclav Havel também são cogitados, segundo os especialistas.
Em poucas ocasiões o Nobel da Paz foi concedido a personalidades religiosas, com exceção da Madre Teresa de Calcutá (1979), do arcebispo sul-africano Desmond Tutu (1984) e do dalai-lama (1989).
O vencedor será anunciado na sexta-feira, às 11h (6h de Brasília), no Instituto Nobel de Oslo (Noruega).
O papa, 83, que sofre do mal de Parkinson, tentou com toda a autoridade moral se opor à guerra contra o Iraque, cujas consequências ele temia. "2003 foi o ano da guerra no Iraque. A maior personalidade do mundo religioso que se opôs à guerra foi o sumo pontífice. Graças à sua posição impediu-se que a guerra se transformasse em nova cruzada cristã contra o islã", publicou a imprensa italiana, que cita entre outros Stein Toennesson, diretor do Instituto de Pesquisas sobre a Paz.
"Nenhum papa recebeu esse prêmio. Seria a última oportunidade para João Paulo 2º, cujas condições de saúde se agravaram nos últimos meses", disse Toennesson.
Retirada
A imprensa italiana considera que as possibilidades de que o papa seja distinguido aumentaram depois que o bispo luterano Gunnar Stalsett se retirou ano passado do comitê.
Ele era contra premiar o papa polonês por achá-lo um conservador e muito fechado em relação ao tema da contracepção.
De acordo com a imprensa italiana, o júri "está composto por várias mulheres", e que as posições do papa sobre temas como o aborto, as mulheres dentro da igreja e a homossexualidade não são bem recebidas nos meios feministas.
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