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16/10/2003 - 07h03

Leia perfil do papa João Paulo 2º

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da France Presse, no Vaticano

O primeiro papa eslavo da história, o polonês Karol Wojtyla, 83, eleito como sucessor de João Paulo 1º em 16 de outubro de 1978, há 25 anos, marcou a história do século 20 por seu carisma e estilo combativo sempre em favor do diálogo e da paz no mundo.

O pontífice de número 263 a ocupar a chefia da igreja Católica nasceu em Wadowice, perto de Cracóvia, na Polônia, em 18 de maio de 1920, em uma família modesta.

Seu pai, Karol, aprendiz de alfaiate como seu próprio pai, foi chamado às armas em 1900 pelo Exército de ocupação austríaco e chegou a ser oficial em 1915. O irmão mais velho do futuro papa, médico em um hospital de Bielsko, morreu em 1932 devido a uma epidemia de escarlatina, três anos depois de sua mãe.

Lolek

O pequeno Lolek, como era chamado, após ter perdido a mãe aos nove anos, foi educado com rigor pelo pai militar.

O jovem Karol, que teve que trabalhar em uma mina de hidróxido de sódio para se sustentar, prosseguiu com tenacidade os estudos secundários e depois universitários.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando Alemanha ocupou seu país, animou um grupo de teatro clandestino e terminou seus estudos de seminarista, ordenando-se como sacerdote em 1946, aos 26 anos.

Depois de ter sido professor de Teologia, em 1964 foi nomeado bispo da Cracóvia, participando assim no Concílio Vaticano 2º, que modernizou a igreja. No dia 26 de junho de 1967 foi designado cardeal por Paulo 6º.

Sua eleição para assumir o Vaticano, após dois dias de conclave, aos 58, foi uma surpresa --já que não figurava entre os favoritos.

Pioneirismo

O primeiro papa não-italiano em 455 anos dedicou imediatamente seu pontificado à Virgem Maria, de quem é fervoroso devoto. Seu pontificado passará à história não somente pelas viagens apostólicas realizadas no mundo inteiro, mas também por ter reorganizado a Igreja Católica, depois da crise pós-conciliar provocada pelas reformas iniciadas no final dos anos 60 com o Vaticano 2º, consideradas muito radicais por alguns.

Escreveu 14 encíclicas, das quais três sobre assuntos sócio-econômicos, em que defende a causa dos pobres e publicou um catecismo novo, além de ter presidido manifestações gigantescas em vários lugares do mundo, e particularmente em Roma, durante as comemorações do Jubileu para festejar 2.000 anos de cristandade.

A paz e o entendimento internacional, a defesa dos direitos do homem, a promoção de uma grande Europa do Atlântico aos Montes Urais, a solidariedade entre o Norte e o Sul, a reconciliação com os judeus, a proteção da vida humana desde antes do nascimento e da reafirmação dos princípios tradicionais da Igreja católica no campo da moral sexual, figuram entre os temas mais importantes de seus numerosos discursos e ensaios.

Poeta, filósofo, poliglota, esportista, João Paulo 2º bateu numerosos recordes, entre eles o de ter sido o papa mais viajante da história: 102 viagens ao exterior para visitar 129 países e o que mais proclamou santos e beatos: 476 e 1.314 respectivamente.

Comunismo

Sua atuação na Polônia e sua influência sobre o ex-bloco comunista desempenharam um peso considerável na queda dos regimes comunistas da Europa Oriental no final dos anos 80, segundo numerosos historiadores.

Desde o atentado de 13 de maio de 1981 na praça de São Pedro, no Vaticano, que o deixou gravemente ferido, o papa começou a sofrer problemas de saúde: câncer no intestino, várias quedas nas quais fraturou o fêmur e um ombro, além do mal de Parkinson.

Apesar de sua incapacidade física, o papa se opôs em março deste ano com todas suas forças e autoridade à guerra contra o Iraque, a mesma determinação que no início de seu pontificado demonstrou para afastar os teólogos da libertação na América Latina e estimular movimentos conservadores como o Opus Dei [grupo religioso conservador com grande influência no Vaticano].

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