Mundo
22/10/2009 - 08h44

Rebeldes atiram contra avião do presidente na Somália; ao menos 17 morreram

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da Folha Online

Militantes islâmicos abriram fogo com morteiros contra o aeroporto da Somália quando o presidente, o xeque Sharif Ahmed, embarcava em um voo para Uganda, onde deve participar em uma reunião internacional sobre os refugiados e deslocados. O ataque iniciou uma batalha pelas ruas da cidade com as forças de segurança e soldados da força de paz africana (Amisom) que deixou ao menos 17 mortos e 60 feridos na manhã desta quinta-feira.

As tropas da Amisom, posicionadas no aeroporto da cidade à beira do mar, responderam com tiros de artilharia pesada. Segundo a polícia, o presidente não ficou ferido e o avião decolou de maneira segura.

O balanço de mortos foi confirmado por Ali Muse, diretor do serviço de ambulâncias da capital da Somália, citado pela agência de notícias France Presse. A agência Reuters, que cita moradores e funcionários dos hospitais, diz que o número de mortos chega a 30.

"Posso dizer que são os piores bombardeios que vimos recentemente em Mogadício", disse Muse. Segundo ele, a batalha levou a um ataque dos insurgentes com tiros da artilharia pesada contra os bairros populares, em particular o mercado de Baraka, Holwadag e Hodan.

A Somália não tem um governo efetivo desde 1991, quando os senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre. Eles então se revezaram no poder com governos ineficientes que levaram a nação do Chifre da África ao caos.

O movimento Al Shabaab, que segundo os Estados Unidos está ligado à rede terrorista Al Qaeda, iniciou em 7 de maio uma campanha violenta para derrubar o governo do presidente Ahmed --apoiado pelo Ocidente. Os conflitos concentram-se em Mogadício, capital e maior cidade do país.

Os EUA responsabilizaram os radicais islâmicos da Somália, muitos deles agora reunidos no Al Shabaab e supostos aliados da Al Qaeda, pelos atentados contra suas embaixadas no Quênia e Tanzânia em 1998, nos quais morreram cerca de 200 pessoas.

O Al Shabaab é atualmente o principal grupo radical islâmico da Somália e controla amplas zonas do centro e do sul do país.

Os conflitos entre insurgentes e forças do governo já mataram ao menos 19 mil civis desde 2007 e levaram mais de 1,5 milhão de somalis a deixarem suas casas. Estima-se que 3 milhões de pessoas sobrevivam com comida provida por ajuda emergencial de organizações estrangeiras.

O caos que se instaura em terra firme também repercutiu ao longo costa da Somália, onde verifica-se um recrudescimento da pirataria, problema recorrente no país e que transformou a costa da Somália em uma das águas mais perigosas do mundo.

Com agências internacionais

 

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