Mundo
23/10/2009 - 18h25

Hamas diz que convocação de eleições palestinas é "ilegal e inconstitucional"

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da Folha Online

O grupo radical islâmico palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza, rejeitou o decreto assinado nesta sexta-feira pelo presidente Mahmoud Abbas convocando as eleições gerais palestinas para janeiro de 2010, considerando-o "ilegal e inconstitucional".

"Esse decreto é um sério revés para os esforços egípcios", disse em Gaza o porta-voz do Hamas Fawzi Barhum, referindo-se à mediação do governo do Egito para reconciliar os dois grupos. Segundo o porta-voz, a convocação é "uma tentativa deliberada de Abu Mazen [apelido de Abbas] para reforçar a divisão e monopolizar o cenário palestino".

"É uma decisão ilegal e inconstitucional", disse Barhum, argumentando que o mandato de do presidente da Autoridade Nacional Palestina já expirou neste ano e que ele não tem autoridade para emitir esses decretos.

Abbas assinou o decreto nesta sexta-feira, depois que as negociações entre os dois grupos fracassaram nesta semana no Egito. Um acordo teria adiado a votação para junho.

Nabil Abu Rdeneh, um porta-voz de Abbas, disse que o decreto do convoca eleições na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e faixa de Gaza. Mas não ficou claro como a facção de Abbas pretende organizar a votação em Jerusalém, controlada por Israel e em Gaza, dominada pelo Hamas.

Em um comunicado, o Hamas chamou a convocação de "um golpe destrutivo" para os esforços de reconciliação e uma "rendição" da ANP à pressão israelense e americana.

O mandato de Abbas, eleito em janeiro de 2005, deveria terminar em janeiro de 2009, mas foi prorrogado pela ANP por um ano. O Hamas contesta a extensão.

Segundo a lei palestina, Abbas deve anunciar a data para as eleições gerais três meses antes da realização. Em 24 de janeiro de 2010 expira o mandato de quatro anos do Conselho Legislativo Palestino (CLP, o Parlamento da ANP).

A eleição dos parlamentares, em 2006, deu origem ao novo período de tensão entre os dois grupos. O Hamas foi o grupo com mais votos e indicou o primeiro-ministro, Ismail Haniye, que entrou em sucessivos choques com Abbas, do grupo rival laico Fatah. Em 2007, Abbas dissolveu o governo de Haniye, e o Hamas expulsou violentamente os representantes do Fatah da faixa de Gaza, tomando o controle do território. Desde então, a ANP exerce autoridade de fato apenas sobre a Cisjordânia.

Com France Presse, Associated Press e Efe

 

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