Milhares de fiéis celebram 25 anos do papado de João Paulo 2º
da France Presse, no VaticanoO papa João Paulo 2º, 83, celebrou hoje uma missa solene para festejar seus 25 anos de pontificado, um dos mais longos da história da Igreja Católica, e pediu aos fiéis de todo o mundo que rezem para que ele possa seguir com sua missão.
"Eu lhes rogo, queridos irmãos e irmãs, que não interrompam esta obra de amor pelo sucessor de São Pedro. Eu lhes peço mais uma vez: ajudem o papa e a todos os que querem servir ao homem e a humanidade inteira", afirmou o papa em sua homilia, assistida por milhares de pessoas.
Visivelmente cansado, com a voz fraca e problemas de dicção, o pontífice pronunciou apenas o início de seu discurso, que depois foi lido pelo monsenhor Leonardo Sandri, substituto da Secretaria de Estado.
Mais de 50 mil pessoas acompanharam a cerimônia na Praça de São Pedro, que também contou com as presenças do presidente polonês Aleksander Kwasniewski e do ex-presidente Lech Walesa, líder na década de 80 do sindicato clandestino "Solidarnosc" (Solidariedade), ligado ao papa, além do presidente da República Italiana, Carlo Azeglio Ciampi, e das delegações de 18 países.
| Reuters - 12.set.2003 |
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| O papa João Paulo 2º, 83 |
"Consciente de minha fragilidade humana, Jesus me dá a força para responder com segurança, como Pedro (...) e a assumir as responsabilidades que me foram confiadas", afirmou.
A frase foi interpretada como uma mensagem direta de que João Paulo 2º quer continuar a exercer o pontificado, apesar de seus graves problemas de saúde, que o impedem de caminhar e prejudicam sua fala.
Pedido
Como no início de seu pontificado, o papa repetiu o mesmo pedido que fez aos fiéis há 25 anos: "Abram as portas a Cristo!, Deixem-se guiar por Ele! Confiem em seu amor!".
Com o rosto visivelmente cansado, o Sumo Pontífice iniciou a missa, ao lado de 149 cardeais e quase 200 bispos, com o hino solene "Laudes Regiae".
A eucaristia, que começou às 18h (13h de Brasília), foi celebrada na mesma hora em que Karol Wojtyla, então cardeal de Cracóvia (Polônia), foi eleito para ocupar o trono de São Pedro em 1978.
"Em sua vida a palavra cruz não foi apenas uma palavra", afirmou o cardeal Joseph Ratzinger, decano do Colégio Cardinalício, em sua homilia de saudação.
O religioso lembrou o compromisso do Papa com os pobres e oprimidos de todo o planeta. "Anunciou a vontade de Deus sem temor, mesmo em lugares onde entrou em conflito com o que pensam e querem os homens", afirmou Ratzinger.
O cardeal, guardião da ortodoxia, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, lembrou "as críticas e injúrias, que terminaram por despertar em troca a gratidão e o amor, fazendo cair os muros do ódio".
O prelado alemão citou o dia da eleição de João Paulo 2º e as primeiras palavras que dirigiu na ocasião aos fiéis presentes na Praça de São Pedro para saudá-lo.
"'Vim de um país longínquo', disse, e imediatamente percebemos que a fé em Cristo que surgiam de suas palavras superavam qualquer distância. Com a fé todos somos próximos", acrescentou Ratzinger.
No altar, decorado com centenas de tulipas, João Paulo 2º presidiu a missa, que também foi assistida pelos 31 cardeais que na próxima semana receberão o título cardinalício.
A missa foi transmitida ao vivo por diversas emissoras de televisão do mundo.
João Paulo 2º iniciou o dia com uma cerimônia do Salão Paulo 6º no Vaticano, durante a qual assinou a exortação apostólica com as conclusões do Sínodo dos Bispos de outubro de 2001 intitulada "Pastores gregis", que versa sobre o papel do bispo "como esperança do mundo".
Mais de 300 prelados, entre cardeais e todos os presidentes das conferências episcopais, assistiram a cerimônia.
O documento, uma espécie de testamento para os bispos, traça um perfil do bispo do terceiro milênio e aborda a questão da globalização.
Preocupação
O estado de saúde do papa prejudicou as celebrações e deixou alguns religiosos preocupados.
"Minha impressão está dividida', afirmou o cardeal Francis George, 66. "Por um lado sinto gratidão e felicidade e por outro lado não, porque se notam as dificuldades para respirar", declarou.
O arcebispo de Havana, Jaime Ortega y Alamino, 67, tampouco estava entusiasmado. "Está mais ou menos", comentou o cardeal cubano.
Para o monsenhor John Patrick Foley, 68, presidente do Conselho para as comunicações sociais, "é evidente a diferença entre o papa eleito há 25 anos e o de hoje. Para nós é de qualquer maneira um exemplo, uma testemunha do sofrimento", disse.
"Estamos felizes por estar com ele, esperamos que possa governar a igreja por mais tempo", disse o cardeal brasileiro Claudio Hummes, 69.
"Ninguém acha que o fim do papa seja iminente. O importante é estar aqui para as comemorações", acrescentou o cardeal sul-africano Wilfred Napier, 62.
Muitas mensagens de felicitações procedentes de todo o mundo chegaram ao computador da Santa Sé.
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