Mundo
29/10/2009 - 14h27

De navio, britânico diz que estava dormindo quando foi atacado por piratas

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da Associated Press, em Mogadício (Somália)
da Folha Online

O britânico Paul Chandler afirmou nesta quinta-feira, em uma entrevista à ITV News por telefone via satélite, que ele e sua mulher, Rachel, estavam dormindo no iate quando um grupo de piratas somalis fortemente armados entrou e exigiu dinheiro.

Paul e Rachel Chandler estavam navegando de Seychelles até a Tanzânia, no leste da África, quando foram sequestrados. A última mensagem postada pelo casal em seu blog, na madrugada de sexta-feira (23), dizia: "Por favor, ligue para Sara". Não houve comunicação com o iate de 38 pés Lynn Rival desde então.

AP
Foto não datada mostra o britânico Paul Chandler, britânico que foi sequestrado quando navegava em iate com a mulher, Rachel
Foto não datada mostra o britânico Paul Chandler, britânico que foi sequestrado quando navegava em iate com a mulher, Rachel

Chandler afirmou na entrevista que ele e a mulher estão sob o domínio dos piratas em um cargueiro ancorado a cerca de uma milha da costa somali. "Eles ficavam pedindo por dinheiro e tudo de valor que havia no barco", disse o britânico.

A ligação caiu antes que ele pudesse responder como está sendo tratado pelos piratas ou qual o valor do resgate exigido.

A Marinha britânica encontrou mais cedo o iate do casal abandonado no oceano Índico.

O pescador Dahir Dabadhahan disse à Associated Press que um comboio de cerca de 30 piratas em seis veículos de luxo encontraram o grupo de piratas e o casal britânico na cidade costeira de Ceel Huur em frente aos pescadores que preparavam seus barcos para um dia de pesca.

"Os piratas atiraram para o ar, para que nós saíssemos", disse. Ceel Huur é um conhecido reduto dos piratas ao norte da cidade de Haradheere.

Um pirata de nome Hassan afirmou à agência Reuters que o casal foi levado para o cargueiro Kota Wajar, capturado por piratas somalis no começo do mês com 21 tripulantes a bordo, ancorado perto da cidade costeira de Haradheere, na Somália.

"Eles estão próximos de Haradheere. Nós estaremos com eles em um navio de Cingapura com a tripulação do barco. Nós decidimos não levamos à costa. Eles estão exaustos e precisam descansar", disse.

Parentes do casal britânico pediram para que os piratas encerrem o pesadelo da família. "Se eu pudesse dar uma mensagem aos piratas, eu diria que vocês pegaram as pessoas erradas", disse Jill Marshment, irmã de Paul Chandler.

Ataques

Os piratas são responsáveis pela captura de dezenas de navios cargueiros e pesqueiros nas águas do golfo de Áden, uma das principais rotas marítimas comerciais. Navios de vários países tentam vigiar as águas da região e evitar os ataques, mas os grupos de piratas começaram a buscar navios mais longe das costas.

Os piratas costumam usar "navios mãe" para navegar centenas de milhas para dentro do mar e, de lá, lançam ataques às embarcações com barcos menores e armamento pesado. Eles ganharam milhões de dólares em resgates nos últimos anos, uma fonte de renda atrativa na Somália, um país que vive sem governo efetivo desde 1991.

O Escritório Marítimo Internacional (IMB, em inglês) divulgou recentemente relatório no qual aponta que os ataques de piratas a navios no mundo todo aumentaram em relação ao ano passado e chegaram a 306 nos primeiros nove meses de 2009, graças aos ataques mais frequentes no golfo de Áden e na costa da Somália, país que sofre com a falta de um governo efetivo e um resistente movimento rebelde.

Em um relatório divulgado em Kuala Lumpur, a representação da agência marítima da ONU (Organização das Nações Unidas) indicou que o número de ataques inclui os cem ocorridos em águas do golfo de Áden e os 47 registrados em frente à costa da Somália.

No mesmo período de 2008, a agência marítima contabilizou 293 ataques --dos quais 51 foram a navios que navegavam em águas do golfo e 12 que estavam no litoral somali.

Os ataques de piratas deste ano foram também mais violentos e um maior número deles --de 76 em 2008 para 176 em 2009-- envolveu armas.

 

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