Mundo
30/10/2009 - 07h41

Zelaya diz estar "otimista moderado" com assinatura de acordo em Honduras

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da France Presse, em Tegucigalpa (Honduras)
da Folha Online

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse estar "otimista moderado" com a assinatura nesta quinta-feira do acordo para encerrar a crise instaurada por sua destituição, em 28 de junho passado.

Sob pressão dos Estados Unidos, as comissões de negociação de Zelaya e do presidente interino Roberto Micheletti assinaram o documento que estabelece, entre outros pontos, que caberá ao Congresso hondurenho aprovar a restituição do presidente deposto ao cargo --tema que havia travado o diálogo várias vezes.

Edgard Garrido/Reuters
Presidente interino de Honduras, Manuel Zelaya, sorri após encontro com Thomas Shannon; pressão dos EUA levou a acordo
Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, sorri após encontro com Thomas Shannon; pressão dos EUA levou a acordo

"É um primeiro passo para concretizar a minha restituição que passará por vários momentos. Eu sou um otimista moderado", disse Zelaya à agência de notícias France Presse, da Embaixada do Brasil em Honduras, onde está refugiado desde que retornou ao país, em 21 de setembro, para tentar um diálogo direto pela crise.

O acordo propõe que Zelaya seja restituído assim que o Congresso Nacional dê seu veredicto, o que acontecerá após consultar a Suprema Corte de Justiça. Os congressistas devem decidir retroagir todo o Poder Executivo prévio ao 28 de junho de 2009 para que Zelaya possa voltar ao poder e cumprir seu mandato até 26 de janeiro.

O documento, contudo, não estabelece uma data para esta aprovação. "Amanhã [sexta-feira] começaremos a discutir o cronograma", disse Zelaya, que ressaltou, contudo, que seu retorno deve ocorrer "muito antes das eleições para que possam ser validadas".

A eleição presidencial hondurenha ocorre em 29 de novembro e o governo interino por muitas vezes travou o diálogo na expectativa de que a escolha de um terceiro nome para assumir a Presidência reduzisse a pressão internacional pela restituição de Zelaya.

A comunidade internacional, incluindo o Brasil, alertaram que não aceitariam o resultado do pleito se Zelaya não fosse antes restituído ao poder.

Enquanto Zelaya não é restituído, deve continuar como refugiado na embaixada brasileira. "A saída deve ser global e simultânea, tem que estar estabelecida dentro de uma mecânica que discutiremos amanhã."

Pressão

A assinatura saiu poucas horas depois do subsecretário de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, dizer que "está acabando" o tempo para um acordo que ponha fim à crise de Honduras.

A missão de diplomatas americanos liderada por Shannon foi ao país em uma tentativa de destravar o diálogo, paralisado desde o último dia 20 diante da rejeição da comissão de Zelaya à proposta "insultante" de Micheletti para que sua restituição se definisse pelas comissões de negociação com base em relatórios do Congresso e da Corte Suprema de Justiça.

Os delegados de Micheletti haviam apresentado a proposta de que cada parte recorresse à instância que julgasse competente para decidir sobre a restituição de Zelaya. Micheletti argumentava que é a Suprema Corte que deve decidir sobre um possível retorno de Zelaya, que, entretanto, insistia que cabe ao Congresso tratar do tema.

Com a assinatura, Shannon chamou de heróis da democracia os negociadores e elogiou a liderança política de Zelaya e Micheletti.

Acordo

As delegações ainda precisam estabelecer um calendário para a aplicação do que foi chamado de Acordo de Guaymuras, o primeiro nome dado pelos conquistadores espanhóis a Honduras.

A base do documento é o Acordo de San José, proposta do mediador, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que previa a restituição de Zelaya com condições.

Segundo a France Presse, o acordo estabelece apoio à proposta que permite uma votação no Congresso Nacional com uma opinião prévia da Suprema Corte de Justiça para retroagir todo o Poder Executivo prévio a 28 de junho de 2009, ou seja, a restituição de Zelaya ao governo.

Define ainda a criação de um governo de unidade e reconciliação nacional, a rejeição à anistia de crimes políticos e moratória das ações penais, renúncia à convocação de uma Constituinte ou a uma reforma da Constituição nas cláusulas pétreas, reconhecimento e apoio às eleições gerais de 29 de novembro e a transferência de governo, transferência da autoridade sobre o Supremo Tribunal Eleitoral, as Forças Armadas e a Polícia Nacional.

O texto cria ainda uma comissão de verificação para fazer cumprir os dispositivos do acordo, uma comissão da verdade que investigue os fatos, antes durante e depois de 28 de junho de 2009 e solicita à comunidade internacional a normalização das relações com Honduras.

Comentários dos leitores
ÁRIAS, prêmio Nobel da paz de 1985, presidente da Costa Rica, faz uma observação, com a autoridade e credibilidade que tem para isso, sobre o dúbio posicionamento de Lula. Por um lado, Lula reconhece uma eleição iraniana, repleta de corrupção, autoritarismo e violência, sem observadores internacionais, e por outro, propala por aí que não reconhecerá as eleições em Honduras, onde tudo ocorreu democráticamente, inclusive com observadores internacionais. Para nós brasileiros, que o conhecemos, desde os seus tempos de sindicalista truculento, acompanhamos isso com uma certa tristeza, porque, infelizmente, dado ao cargo que ocupa, fala pelo Brasil. E, lá fora, tudo isso tem repercutido muito mal, numa demonstração daquilo que sempre temíamos:"quem muito fala, dá bom dia ao cavalo", ditado popular, largamente conhecido o seu significado. Cá pra nós, o que essa gente implicante que rodeia o Lula, tem a ver com situações dessa natureza. Amam um ditador sanguinário, adoram os trogloditas bolivarianos, saúdam o maluco do Irãn, elogia o devasso e falso bispo paraguaio, e por aí vai as cavalgaduras. Tenham paciência é muita idiotice conjunta! sem opinião
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celio maia (109) 01/12/2009 10h51
celio maia (109) 01/12/2009 10h51
"Se o Brasil considerar que tem que mudar de posição, mudará de posição", disse Garcia...
Engraçado, ainda ontem essa conversa era outra, bem mais radical. De repente dá uma guinada de 180°. Será que foi por causa da acusação de "dupla moral" (leia-se "falsa moral") apontada pelo presidente da minúscula Costa Rica? É de se duvidar. É mais fácil perceber que querem simplesmente resolver a situação lamuriosa de Zelaia. Tudo em troca de um salvo-conduto para o companheiro. Relações diplomáticas é conversa pra boi dormir. É que sem o reconhecimento da legitimidade do governo hondurenho, Zelaia ficaria preso indefinidamente na arapuca brasileira que armou...
No fundo, no fundo, todo esse cavalo de batalha criado pela deposição de Zelaia tem o caráter de tentar evitar que, no futuro, outras marionetes hugobolivarianas sejam sumariamente defenestradas da mesma forma. Apenas isso. É o que parece...
Nessa terrinha de muro baixo não se consegue esconder muita coisa...
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Em meu comentário de nº 50, do dia 29/11/09, 21:30 hs., dentre outras considerações, afirmei a posição dos brasileiros (isenta de governo), que, sem sombra de dúvidas, iríamos reconhecer o novo governo de Honduras, escolhido, legítimamente nas eleições do dia 29/11/09. Comentei também, que o governo brasileiro, por desconhecer as causas da queda de Zelaya (será pra que serve nossa embaixada lá, bem no "nariz" dos acontecimentos?), cometeu toda sorte (azar) de estrepolias, incluindo o abrigo, sem nossa autorização, do deposto Zelaya e sua tropa de choque, transformando o local numa hotelaria, pra não dizer, e logo dizendo, motelaria. Lula, presidente, Amorim, chanceler, Marco Aurélio Garcia, Aspone, todos afirmaram, categoricamente, que jamais reconheceriam esse governo, pelas razões tais, patata, patati, etc e tal. Quanta bobagem, prezados conterrâneos, e quanta vergonha, esses aloprados nos faz passar pelo Brasil e o mundo a fora. A continuar assim, teremos graves problemas de audição, porque fazem nossos ouvidos de "pinico". Eu disse também, que na "sinuca de bico" que entraram, pra sair dela com classe, seria coisa pra profissional, o que "in casu", inexiste. Assim, melhor seria botar a "viola no saco" e sair de mansinho, iguaizinhos aos aloprados da cueca, do dossiê e etc. Pela última conversa do sr. Garcia, já arranjaram o "saco"... 15 opiniões
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