Mundo
31/10/2009 - 08h34

"Resposta inicial" de Teerã rejeita acordo, dizem negociadores

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da Folha de S. Paulo

A contraproposta nuclear do Irã apresentada na quinta-feira à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) foi recebida pelo Ocidente como uma rejeição à essência do acordo endossado na semana anterior. Segundo diplomatas ocidentais, isso pode inviabilizar a distensão ensaiada recentemente.

Embora não tenha sido tornada pública, relatos vazados à imprensa dão conta de que a "resposta inicial" apresentada por Teerã condiciona a exportação dos estimados três quartos do urânio de que dispõe para maior enriquecimento no exterior à prévia importação da mesma quantidade do elemento já devidamente processado.

A condição, se confirmada, basicamente neutraliza o principal objetivo de EUA, França e Rússia com a proposta submetida ao Irã: a diminuição do estoque de urânio mantido por Teerã a ponto de impossibilitar a eventual tentativa de produção de uma bomba atômica.

O Ocidente suspeita de que o programa nuclear iraniano vise a bomba. Mas o Irã nega e diz não ferir leis internacionais ao processar urânio -o que pode fazer pelo Tratado de Não Proliferação, do qual faz parte, desde que sob supervisão da AIEA.

Na proposta colocada sobre a mesa pelas potências nucleares no último dia 21, o Irã se comprometeria a enviar 1.200 kg de urânio pouco enriquecido -dos estimados 1.500 kg que possui- à Rússia até 15 de janeiro. O elemento seria depois repassado à França, que o adequaria ao reator do Irã para fins de pesquisa e uso médico.

Pelos cálculos do Ocidente, a estratégia "compraria" cerca de um ano no desenvolvimento do programa nuclear do Irã e daria mais tempo para que um acordo mais amplo fosse alcançado.

Teerã, porém, nega-se a fornecer o seu urânio pouco enriquecido em carregamento único e exige receber antes o elemento processado a um maior grau, segundo versão veiculada.

A agência oficial iraniana Irna disse que a "resposta inicial" do país é só uma "atitude positiva" sinalizando a disposição continuar negociando, e não uma posição final. Segundo o veículo, a troca simultânea do urânio é a "linha vermelha" que o Irã não pretende cruzar.

Para um diplomata europeu, "a questão-chave é que o Irã não aceita fornecer seu urânio pouco enriquecido. E isso não é um detalhe: é simplesmente tudo de que trata o acordo. É basicamente a rejeição [do pacto]".

Segundo o jornal "New York Times", o recuo iraniano já era esperado pelo governo Barack Obama, e o secretário-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, esteve secretamente nos EUA para discutir com o presidente que passos tomar nesse caso.

Obama, diz o "Times", manteve ainda contato com os pares francês, Nicolas Sarkozy, e russo, Dmitri Medvedev, com o mesmo propósito. Oficialmente, a Casa Branca advertiu o Irã de que não o país não terá tempo "ilimitado" para a resposta.

A Chancelaria francesa exortou Teerã a dar "resposta oficial e positiva sem demora". Líderes da União Europeia manifestaram "grande preocupação" com a suposta recusa do Irã em cumprir com suas obrigações.

com "New York Times" e agências internacionais

Comentários dos leitores
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Os EUA se esquecem que o Irã celebrou contratos comerciais com a Venezuela e a China, bem como com o Brasil que detêm tecnologia para o refino do petróleo bruto. Já os EUA dependem do petróleo da Venezuela para sobreviver. As Sanções serão ineficazes. sem opinião
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Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Excelente o comentário de Juarez Ribeiro Batista. Gostaria de complementá-lo.
Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
4 opiniões
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Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Juarez. Menos. Ao que me consta, no último conflito como o Hezbollah a base avançada dos americanos (que alguns teimam de chamar de país) não se deu nada bem, e, por outro bordo, cumpre observar que nenhum conflito envolveu o Irã, ademais porque, até 1979 era aliado dos EUA. 3 opiniões
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